sábado, 15 de agosto de 2015

ESQUENTA BIENAL | Lucy Vargas - O Refúgio da Marquês



Ficha técnica: O Refúgio do Marquês
Autora: Lucy Vargas
Editora Charme
Lançamento original: julho/2015
311 páginas
POV: terceira pessoa
Gênero: Romance de Época; Chick Lit; Young-adult

Protagonistas: Henrik Preston, Marquês de Bridington e Sra. Caroline Mooren, Baronesa de Clarington; Marquesa viúva Lady Hilde Preston
Local/ano: Inglaterra/1804;1806;1816


"Henrik e Caroline não poderiam ser mais diferentes.

Ele, o Marquês de Bridington, é um homem selvagem e inapropriado, que vive há anos no campo, fugindo dos fantasmas do seu passado obscuro e repleto de segredos.

Ela, Caroline Mooren, a Baronesa de Clarington, é uma jovem destemida, com um passado doloroso, que recebe a missão de reformar a mansão e talvez o marquês, ao menos é o que a marquesa viúva espera.

Ele é um caso perdido. Ela é uma mulher com um futuro incerto. Mas juntos, eles se completam e acendem a chama da paixão, que ambos acreditavam estar completamente extinguida, trazendo à tona segredos e temores que ambos escondem.

Se reerguer sob o peso do passado será uma batalha que ultrapassará os limites do refúgio que o marquês pensa ter construído, mas será que o amor é capaz de ultrapassar tantas barreiras e vencer, ou eles perderão tudo outra vez?"

Lady Hilde Preston, marquesa viúva de Bridington, era uma mulher de atitude. Ela sabia exatamente o que queria e como fazê-lo; e por isso, ela não pensou duas vezes em mexer uns pauzinhos para revirar de cabeça para baixo a vida de seu filho.

É claro que o destino deu uma mãozinha ao fazê-la receber há alguns meses a carta de uma parente distante, se é que poderia classificar Caroline Mooren como parente já que ela era filha de um primo em segundo grau da marquesa. Mas isso era um mero detalhe. Usar o parentesco como desculpa para o que ela planejava fazer era perfeito.

Caroline Mooren tinha 26 anos e já estava viúva. Graças a Deus. Seu marido, o horrendo Barão de Clarington, havia propositadamente a envolvido no famoso escândalo do jardim, num baile, e assim, ela teve que se casar com ele. Assim que se casaram, ele a enfiou numa casa no campo com a velha desculpa de sentir ciúme da esposa mais jovem e bonita, mas ele era um inútil, e mostrou-se assim até mesmo depois de sua morte, quando deixou Caroline sem recursos. Para completar o quadro humilhante dela, o novo barão havia lhe feito uma proposta nada honrosa.
Ela não tinha para onde correr, a não ser que voltasse a viver com os pais que nada se importavam com ela, além de que, na casa deles agora vivia uma tia de Caroline com seu marido, que adorava praticar atos indecorosos; ou, perto da casa deles, morava sua irmã, cujos filhos eram umas pestes; e não esqueçamos a irmã caçula, casada de pouco com um oficial e por isso adorava jogar na cara do resto da família o quão afortunada era, já que conseguia comprar carne pelo menos uma vez por semana. Ou seja, Caroline estava absurdamente ferrada.
Quando a marquesa viúva a chamou para uma visita, ela nem imaginava mais receber a resposta desta.

De maneira firme e direta, a marquesa viúva propôs a Caroline um trabalho na casa de campo de seu filho, o marquês de Bridington. Mas para todos e qualquer um que perguntasse, Caroline seria uma parente distante em visita, que estava ajudando na reforma da casa já que a atual marquesa encontrava-se doente. Há cinco anos. E a marquesa viúva não escondia que esperava que sua nora morresse o mais rápido possível para que seu filho pudesse casar-se novamente.

Sem muita opção, Caroline aceita o desafio.

Henrik Preston era um nobre fora das convenções. Há cinco anos ele se refugiava em Bright Hall e todos sabiam que sua esposa estava doente todo esse tempo.
Ele não participava mais das festas da sociedade e sua casa estava literalmente caindo aos pedaços.
Seu jeito de vestir-se era mais para despojado. Para quê ele precisaria de gravatas, coletes ou paletós para andar no campo, ajudar a revolver terra ou construir casas para os seus arrendados? Suas botas estavam sempre sujas, sua camisa, com o botão superior aberto mostrando o quão bronzeado ele estava e, na verdade, suas roupas estavam apertadas, mostrando bem o seu físico bem definido.

Caroline começa pela casa. Arrumar novos empregados, limpar tudo, organizar o cardápio. E aí, vem a surpresa: o marquês tinha uma filha, Lydia, de cinco anos, que quando não estava chafurdando na lama com seu pai, estava na casa da Sra. Rossler brincando com sua amiguinha Bertha.
Mais uma responsabilidade para Caroline: cuidar da pequena, arrumar-lhe roupas decentes e procurar por uma preceptora para a menina.

Mas o maior desafio a vencer seria a marquesa.
Esta ficava o tempo todo em seu quarto, só vestia branco, não queria saber de sair, passear e vivia acusando o marido de ainda manter a amante. Além disso, ela tinha a estranha mania de achar que todas as mulheres com um pouco mais de curvas eram "redondas". Ela mesma por quase não alimentar-se estava fraca demais para sustentar-se nas próprias pernas.

Vivendo em meio a esse vendaval, Caroline mostrou-se competente, batendo de frente com o marquês quando era necessário, granjeando a simpatia dos outros empregados e aguentando as matronas que começavam a visitar Bright Hall, trazendo suas filhas casadoiras à tiracolo, já na torcida de que a marquesa batesse as botas.
Entretando, toda essa proximidade fez com que Henrik passasse a sentir coisas que ele julgava bem enterradas. Caroline não era uma mulher de se passar desapercebida. Até mesmo o médico da marquesa. Dr. Koeman, estava interessado em lhe fazer a corte.
Mas Henrik não podia. Não só por ser casado, mas porque sua fuga para o campo estava envolta de um terrível segredo, e se Caroline descobrisse, talvez fosse tarde demais para ele proteger seu coração...




Durante todo o tempo o leitor se vê envolvido num plano. A princípio da Marquesa viúva, que queria tirar o seu filho daquela vida infeliz e selvagem. 
Casado com uma megera, Henrik via-se infeliz há muito tempo, tendo apenas o tempo em que passava ao ar livre ou com sua filha, como momentos de regojizo.
Depois, Caroline, apesar do ótimo trabalho que vinha fazendo em Bright Hall, viu-se envolvida nos mexericos das mães desesperadas em verem suas filhas casadas com o marquês. Caroline ainda era muito jovem para ser viúva, era bonita - mesmo quando ainda se encontrava vestindo roupas de temporadas anteriores - e tinha livre acesso na casa. Seu passado escandaloso foi trazido à tona e a guerra foi declarada.
Mais tarde, o leitor se vê novamente em meio ao mistério que rondava a casa.

Durante todo esse tempo, ficamos encantados com o jeito mandão de Caroline, o fuxico dos empregados que nunca deixam de ver os olhares e clima que rola entre o patrão e sua convidada, a fofurice de Lydia, e o jeito rebelde do marquês. E claro, da esperteza da marquesa viúva.

Os personagens e a trama envolvem desde a primeira página.
O ritmo é ótimo.
Conforme o final vai se aproximando você fica com pena de que a história esteja acabando, e, apesar da autora não ter afirmado que possa ter uma sequência, há a possibilidade de ter uma história para Lydia, a filha do marquês, em sua primeira temporada, e de sua melhor amiga e companheira de temporada, Bertha.

Uma história de amor repleta de romance. Não é nada erótico, mas quem disse que fez falta?
A autora mostra que sua afinidade com o gênero de época está cada vez mais afiado, desde o lançamento de CARTAS DO PASSADO.

5 ESTRELAS!!

Faltam 19 dias para a Bienal/RJ

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