sexta-feira, 30 de março de 2012

A Arte de Resenhar



Volta e meia me deparo com uma antiga discussão (antiga no sentido da palavra, porque na verdade este assunto se tornou notório há pouco tempo com a popularização dos blogs): como  se deve resenhar?

A princípio a gente imagina que é muito fácil: basta criar um blog literário e sair dando a sua opinião a torto e a direito sobre cada livro lido.
É claro que vivemos num país livre, democrático, e temos o direito de achar o que quisermos do que lemos. Na teoria isso é muito bonito, mas na prática, não presta.
Digo isso porque a gente tem que se lembrar que mesmo que a obra seja pública pós publicação - e o autor tem que estar preparado para todo tipo de crítica - na prática há algo chamado de Propriedade Intelectual. Isso significa - no popular - que o autor sabe que vai receber críticas mas dependendo do que vier ele pode te processar.
Há casos clássicos (por favor, não citemos nomes!) em que autor e/ou editora processou críticos profissionais ou amadores por críticas um tanto mais contundentes. Ou seja, a gente PODE criticar, mas tem que tomar cuidado.

No entando, se voce parar para pensar, lançar um livro, especialmente no Brasil, não é nada fácil. Se voce for um autor desconhecido então, prepare-se para a peregrinação. Envio de cópias de sua obra para trocentas editoras, a chegada das cartas com negativas (isso quando a editora se digna a mandá-la), pagar do próprio bolso as custas da publicação, fazer o trabalho de marketing e venda de sua obra...Ou seja, voce não vai SÓ escrever o livro.
Da parte das editoras, tem todo o preparo de diagramação, revisão, publicação, divulgação... Tudo isso custa tempo e dinheiro. E tempo é dinheiro.
Então nada mais justo do que editora e/ou autor se sentir ofendido quando alguém tasca uma resenha falando mal de seu mais novo baby.

Mas vamos combinar que há livros que parecem não ter dado qualquer trabalho para alguns meios de divulgação. O livro foi lançado totalmente às pressas, repleto de erros de gramática (cade a revisão????), espaçamento errado, faltando paginação....SOCORRO!!!!! 
Para o leitor que é fã isso é no mínimo uma falta de respeito.

Não vou nem entrar no mérito das obras que precisam de tradução. Isso porque se eu não conheço o livro em seu original, não terei como me basear para saber se a tradução foi bem feita ou não. Neste caso, terei que confiar no tradutor que, naturalmente, sabe mais do que eu.

O ponto é o seguinte, existe a obra (o ídolo), existe o leitor (o fã), e existe o crítico (profissional ou não). 
Costumamos dizer que no Brasil todo mundo é um pouco técnico de futebol e presidente da república (sabemos a solução para todos os males, até estarmos na pele destes). Portanto, sempre haverá resenhas e críticas (construtivas ou não). Façamos um trato: cada um tenta fazer a sua parte da melhor maneira possível.
Há uma diferença entre se criticar uma obra porque não se gostou da história ou do genero literário, e se criticar uma obra porque o trabalho da editoração foi mal feito. Isso se ve claramente.
Deixe claro em sua resenha o porque de não se ter gostado de determinada obra (enredo fraco, livro muito comprido, falta de explicação de pontos básicos da história). A editora faz o trabalho de acabamento, divulgação, distribuição. Ela não é responsável pelo que se passa pela cabeça do autor.
Por outro lado, a editora, independente de seu tamanho e seu poder aquisitivo para investir numa obra, deve fazer o seu trabalho da melhor forma possível. Sem prometer ao autor - principalmente o iniciante - uma publicação mirabolante quando ela não tem condições para tal (eu disse CONDIÇÕES, e não COMPETENCIA).

Parece simples tudo que escrevi? Sei que não é. Por outro lado, por que cargas d'água a gente tem que complicar tudo?????

Eu não sou escritora. Sou leitora e tenho orgulho disso. Gosto de livros bonitos, bem editados, com letras num tamanho confortável para leitura.Se a capa for bonita então, mais um ponto.
Gosto de livros com enredos que me façam não querer largá-lo até terminar, que me façam suspirar e ter uma certa depressão pós-livro quando este acaba.
Na maioria das vezes consigo tudo isso.

E me perdoem se alguma resenha minha não foi uma festa com fogos de artifícios sobre o SEU livro. Mas saiba que se eu PELO MENOS fiz a resenha é porque não foi de todo ruim. Se fosse.... ihhhhhh....

E uma salva de palmas para quem trabalha com literatura no Brasil. Um dia a gente chega aos mesmos números dos países do primeiro mundo.


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