quinta-feira, 10 de maio de 2012

Marlena de Blasi - Mil Dias em Veneza



"Continuo sentada em meu lugar por um longo tempo depois de o trem
 entrar ruidosamente na plataforma da estação de Santa Lucia...
- Mas para onde a senhora vai neste dia tão esplêndido?
-Tenho um encontro em Veneza!
- Mande um abraço à bela Veneza.
Até os taxistas romanos são apaixonados por Veneza!
Todo mundo ama esta cidade."
(pág 9)

Ficha técnica: Mil Dias em Veneza (A Thousand Days in Venice: An unexpected romance)
Autora: Marlena de Blasi
Editora Sextante
Lançamento original: 2002
Lançamento Brasil: 2010
232 páginas

Amor, comida, férias, loucura.
O que pensar quando alguém que você nunca viu antes telefona-lhe no meio de seu jantar com amigos, numa cidade estrangeira, e lhe diz que quer encontrar-se contigo? E se esta mesma pessoa lhe diz que apaixonou-se por você há anos, vendo-a no mesmo local apenas de perfil? E essa pessoa cruza meio mundo para visitar-lhe em sua cidade e lhe pede em casamento? E se essa pessoa morar numa das cidades mais românticas do mundo?


Lirismo, loucura, romantismo, insanidade.
Esta é uma história verídica. E antes que você diga "oh não! Mais um Comer Rezar Amar!", eu lhe digo "as semelhanças param por aí".

A começar que Marlena é uma mulher na meia idade. Seu príncipe não tem nada de Javier Bardem. Na verdade, segundo a descrição da autora, ele parece com Peter Sellers. É um fumante inveterado e é dado à nostalgia e uma pitada de depressão. Tudo isso e mais a barreira cultural e linguística.
De uma forma muito sincera Marlena relata as diversidades da cultura italiana, em especial a de Veneza. Alguns momentos você tem a nítida impressão de que os moradores daquela cidade são preguiçosos e "armadores". E num outro instante, você se apaixona por toda aquela espontaneidade. Não há meio termo. Tudo é muito, tudo é intenso, tudo é público.

E há um detalhe a mais, a culinária. Sendo uma chef, ela detalha alguns pratos maravilhosos preparados por ela ou experimentados em sua turnê gastronômica. De dar água na boca!

Leia o livro como se come. Saboreando cada página. Refletindo sobre as palavras ditas por ela ou por Fernando. Imagine-se viajando por aquelas gôndolas. Seja um cidadão do mundo.

Confesso que nunca tive muita vontade de conhecer Veneza, apesar de ser doida por conhecer a Itália. Aquele monte de água por todos os lados...sei lá...me remete um pouco ao medo de surto de dengue (nóia carioca). Mas não há como negar a magia que envolve aquele lugar. O tanto de história que percorre aquelas ruas aquáticas, aquela culinária exótica, aquele pôr do sol sempre engolido pela água.

Delicie-se com cada passagem vivida por Marlena e antes de julgar lembre-se de que "a vida é uma contabilidade. É uma quantidade desconhecida de dias preciosos que uma pessoa só tem permissão de sacar por vez. Não se aceitam depósitos." (pág. 29)

Como você tem vivido a sua? 

Nenhum comentário:

Postar um comentário