segunda-feira, 23 de julho de 2012

Jane Austen - Jane Austen`s Letters


Ficha técnica: Jane Austen's Letters (Cartas de Jane Austen)
Editora Pavilion Press
Edição: 2003
112 páginas


BIOGRAFIA.

Este é um dos vários livros que venho lendo para tentar compreender o ponto de vista, a vida, os pensamentos, os desejos e, por que não, os arrependimentos de Miss Austen.
O livro é dividido em duas partes: a primeira são as cartas dela para a irmã Cassandra. A segunda, para os sobrinhos e a amiga Martha Loyd.

Dá para captar parte da alma da autora. As cartas começam antes da publicação de qualquer livro, em janeiro de 1796.
São cartas bem simples, algumas grandes, outras, nem tanto. Os assuntos são os mais variados: saúde dela e dos membros da família, roupas novas (compradas prontas ou mandadas fazer em costureira), os bailes os quais ela participou (ela adorava dançar!!), o cardápio dos vários jantares, fofocas sobre pessoas conhecidas, o falecimento de amigos e parentes, a publicação dos livros e a opinião de alguns conhecidos sobre...

Jane mostrava-se uma pessoa alegre na maior parte do tempo; extremamente dedicada à família; adorava os sobrinhos, e escrever.
Pouco foi mencionado sobre Tom Lefroy, que, segundo dizem, foi o grande amor de sua vida. Ela menciona quando ficou sabendo do casamento dele e do quanto chorou.
Há possibilidades de novos pretendentes à sua mão em outras ocasiões. Tanto para ela, quanto para Cassandra.
Há um hiato nas cartas entre outubro de 1808 e maio de 1813. Como se especula que Cassandra destruiu muitas cartas logo após o falecimento de Jane (provavelmente com um conteúdo mais íntimo), talvez seja exatamente desse período.

Nota-se o quanto as irmãs eram unidas. Pelas respostas de Jane percebe-se que elas se escreviam pelo menos semanalmente.


Ao ler as cartas escritas pela autora, você consegue perceber o quão "gente como a  gente" ela era. Nada de se fazer uma imagem surreal dela. Jane Austen: gostava de dançar (se pudesse, e tivesse par, ela era capaz de dançar a noite toda); comia bem (adorava descrever as refeições); às vezes exagerava na bebida; era chegada numa fofoquinha (se antipatizava com as pessoas como qualquer um); adorava ser bajulada pelos leitores (qual autor que não gosta?); era rápida nas respostas (não levava desaforo para casa); teve seus flertes.

Suas cartas serviram de inspiração para alguns filmes sobre a sua vida. Os dois que mais gosto são:


"Becoming Jane", ou "Amor e Inocência" em português. Gosto mais do nome no original porque traz a ideia que como Jane tornou-se Jane. Este filme mostra os anos iniciais de Jane, quando escrevia apenas para a família, as dificuldades financeiras em que a família numerosa vivia, sua vontade de viver de sua escrita. A descoberta do amor (não consumado) e sua determinação de que suas heroínas teriam um final mais feliz do que o seu próprio.
Anne Hataway está uma graça no papel principal. 
Dê uma boa olhada nos extras do dvd. Ali há informações interessantíssimas de toda pesquisa feita pela equipe do estúdio na realização do filme.

O outro filme, trazendo os anos finais de sua vida, é:


"Miss Austen Regrets", ou "Os Arrependimentos da Srta. Austen".
Este filme da BBC de Londres creio ainda não ter sido lançado no Brasil, mas não deve ser difícil baixá-lo em algum site próprio (sou péssima nessa área!!).
Interessante a concepção do tema porque, a partir do momento em que encaramos que Jane Austen era uma pessoa com eu e você, por que não imaginar que ela também teve seus arrependimentos?
Sim, ela ganhou dinheiro com a venda de seus livros, mas nunca ficou rica. Ao contrário, por muito tempo ela, sua irmã e seus pais viveram com a ajuda dos outros filhos, militares ou de Henry, que era banqueiro.
A princípio, quando seus livros eram lançados, sequer seu nome era mencionado na capa, haja vista ser de mau tom uma mulher viver de seu trabalho (remunerado). Só anos mais tarde que Henry aos poucos fez conhecer seu nome e as pessoas passaram a reconhecê-la como a autora de Orgulho & Preconceito e Razão & Sensibilidade. Chegando até mesmo ao ponto de ela descobrir que o Príncipe Regente era um de seus ardorosos fãs!!!
Será que ela nunca se arrependeu de ter recusado alguma proposta de casamento vantajoso? Será que não se arrependeu de ter perdido tempo fazendo outras coisas ao invés de estar escrevendo seus livros e, com isso, tentar ganhar mais dinheiro para a tranquilidade da família? Quem nunca se arrependeu que atire a primeira pedra..

Muito se tem escrito sobre ela, mais ainda sobre os personagens que ela imortalizou.
A única constante entre seus fãs é que sentimos muito por ela ter tido uma vida tão curta, sem poder terminar algumas de suas obras, ou escrever novas. Seus livros são um retrato e crítica da sociedade (rural) de seu tempo. Amados por uns, odiados por outros, ela sabia como mexer com as emoções alheias.
Resta-nos o consolo de ter as 6 principais obras publicadas (+ a Juvenília e os dois livros incompletos: The Watsons e Sanditon > sobre suas obras, comentarei em outra postagem).


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