sábado, 9 de fevereiro de 2013

Moira Bianchi - Friendship of a Special Kind


Ficha ténica: Friendship of a Special Kind
Autora: Moira Bianchi
Editora: self
Lançamento original: 2012
412 páginas

“Elizabeth Bennet já sofreu muita dor de cabeça – demais até, segundo seu ponto de vista – para alguém com menos de 30 anos. Exatamente por isso ela evita relacionamentos, e acima de tudo, compromisso.
William Darcy preferiria gastar seu tempo e esforço no trabalho na empresa de sua família do que em relacionamentos recheados de angústias.
Quando essas duas teimosas, sexies e lindas pessoas se encontram, elas querem a mesma coisa: simplesmente desfrutar a vida.
Mas o que acontece quando ele se apaixona por ela? Quão duramente ele terá de trabalhar para persuadi-la a amar de novo?”


“There is no armor against fate.
Men are not prisoners of fate, but only prisoners of their own minds.
It’s a truth universally acknowledged, as well as feared, that fate
has it twisted ways to dispose of our lives.”





Um Fitzwilliam Darcy e Elizabeth Bennet modernos.

Dá medo de ler uma releitura de um clássico da literatura mundial? Talvez. Dá para se arrepender? De forma alguma.

Will e Lizzy são bem descritos assim como no seu original. Com uma grande diferença: aqui, Mr. Darcy consegue ser bem mais solto. Não me entenda mal, ele continua sendo um homem sério, responsável, um cavalheiro à moda antiga, tímido com pessoas que ainda não conhece, mas uma vez que tome uma decisão, esta decisão está tomada para sempre.” Lembra-se dessa fala no original?
Deliciosamente, o livro ainda está recheado com falas do original, sendo transcritas em itálico, para fácil reconhecimento.
Aqui, Will e Lizzy não se encontram num baile, mas sim num barzinho, apresentados por amigos em comum. Will, como o tímido que se preza, passa mais tempo a observando do que exatamente interagindo, mas sua fascinação por ela começa desde aí. Em outros encontros que ambos têm, uma forma diferenciada de relacionamente surge. Nenhum dos dois, a princípio, está interessado em algo sério. Elizabeth ainda se recuperava de um casamento marcado por um marido ausente e uma sogra controladora. E quando seu marido morreu num terrível acidente de carro, esta sogra fizera um escândalo no enterro para traumatizá-la para o resto da vida. William havia decidido não mais casar com uma velha amiga de infância, que parecia mais interessada nas conexões/dinheiro dos Darcy do que nele propriamente dito. Sim, os Darcy eram uma família extretamente rica.

Com todos os traumas e más escolhas em mente, Will e Darcy decidiram que, já que estavam irremediavelmente atraídos um pelo outro, por que não ter um relacionamento de sexo consensual somente? Dai surge o termo “dick friend”.

Mas como o destino adora pregar umas peças, Will se vê totalmente apaixonado por Lizzy. E sabendo, pelos amigos, do difícil passado amoroso dela e de seus traumas (que ele os pesquisou exaustivamente na internet), agora ele teria a difícil tarefa de fazê-la se apaixonar por ele e querer ser mais do que uma amiga de cama.


O livro é longo e mostra as várias transformações que ocorrem. Lizzy às vezes se mostra teimosa demais – pra não dizer chata, com tanto medo de ter um novo relacionamento. Mas para as fãs de Fitzwilliam Darcy, é gostoso de ver toda a estratégia que ele usa para alcançar o coração dela. Ele é cavalheiro, amoroso, sofisticado, engraçado até (deliciosamente desbocado), em várias ocasiões.


Os outros personagens do livro original também são mencionados, mas na maioria das vezes há diversas modificações. Por exemplo, aqui Lizzy não tem várias irmãs, mas apenas a Kitty. Jane é namorada de Bingley e mais tarde torna-se uma grande amiga de Lizzy. Georgiana é prima de Will, não sua irmã. O irmão dele se chama Richard e é muito gaiato. A amiga de Elizabeth, Charlotte, é “dividida” entre dois personagens. Mais interessante ainda foi a forma que a autora lidou com a situação Wickham. E ainda tem a homenagem que ela faz à autora, Jane Austen, colocando seu nome num dos personagens (surpresa! Surpresa para o tipo de personagem escolhido!).

E mais uma coisa torna o livro atraente: por ser escrito em tempo contemporâneo, nada como muuuuuuitas cenas calientes. Darcy e Lizzy fazem muito sexo e as cenas são muito bem descritas.

Boston, Nova Iorque, Buenos Aires, Rio. Mas também algumas das famosas locações do livro original, especialmente Pemberley.


Se você quiser achar que trata-se de uma fanfics, ok para mim. Mas está mais do que na moda autores lançarem sua visão de grandes clássicos da literatura, e Jane Austen é uma das autoras mais usadas nesse tipo de homenagem, Que o digam as internacionais Amanda Grange e Abigail Reynolds. E esta versão, escrita por uma brasileira, não deixa a dever a nenhuma das outras famosas escritoras. Agora só nos resta começar uma campanha para pedir à Moira que lance seu livro traduzido para o português. Uma obra dessa não pode ficar restrita às pessoas que consigam ler na língua original de sua homenageada.


Abaixo um trecho, em tradução livre, de uma das partes do livro que mais gostei. Will Darcy mostrou toda sua sabedoria na hora de identificar algo que era de suma importância para ele. E você também poderá ver um pouco do grau de trauma que Lizzy vivia.


“ Quando saiu do chuveiro ela o ouviu amaldiçoar por causa dos pássaros (de um joguinho) e sorriu.
- Nenhum uso prático!, ela murmurou, vestindo seu robe e pensando em chamar sua mãe e Jane. Assim que ela amarrou sua faixa, sentiu algo dentro do bolso do robe e o pegou, fosse lá o que fosse, enquanto se dirigia à sala para pegar seu telefone. Lizzy congelou ao lado do sofá onde Darcy bebia uma cerveja e tentava agir normalmente.
- Liz? Ele perguntou quando ela não se moveu, ou gritou, por alguns segundos.
Lizzie estava congelada segurando uma caixinha azul com um bonito laço de fita branco, parecendo em pânico.
- Liz? Ele chamou de novo, com mais intensidade, quase um comando, e ela olhou com seu cabelo escovado para trás de forma sexy, descalça e sem maquiagem. – Confiança. Você pode confiar em mim?
Ela piscou.
- Um pouquinho de fé. Você me dá? Darcy pergunta reafirmando.
Ela engoliu duro.
‘Mexa-se logo, seu idiota!’, ele pensou. – Elizabeth, você confia em mim? Darcy perguntou de novo.
Ela finalmente confirmou. Ele dá uma palmadinha no sofá para que ela se sentasse ao lado dele, mas a mente dela, totalmente em branco, só consegue registrar a mesa de jantar.
Com as mãos tremendo, o Monstro interno tão conhecido, patinando belamente em sua visão periférica, ela desatou o laço e abriu a caixa. O fato de Darcy não ter sequer se levantado do sofá deveria tê-la acalmado, mas o Monstro era um ator perito.
Dentro da caixinha ela achou um chaveiro engraçado, em forma de maçã, com duas chaves. Era somente um chaveiro. Nada mais. Nenhum ouro, diamante, ou platina. Somente  um objeto em prata  esmaltado. O Monstro acenou tristemente.
- Assim você pode entrar e sair quando quiser. Darcy falou, enquanto ela ainda olhava o interior da caixa, sem tocá-lo.
Ela olhou para cima e ele viu as lágrimas que queriam cair dos olhos dela.
- Venha aqui, querida. Ele estendeu a mão e ela a pegou. – Eu pedi que confiasse em mim. – Darcy beijou os lábios dela. – Nós não tínhamos planejado um passo de cada vez? Juntos?
- Isso não foi engraçado, Will. Ela fungou.
- Não estava tentando ser engraçado. Eu queria que você tivesse as chaves do meu flat e essa joalheria é próxima do meu escritório. Certamente eu não lhe daria as chaves num chaveiro vagabundo. Ele disse simplesmente.
Era uma meia verdade, ele queria testá-la, e agora ele sabia o que não fazer.  – Querida, os passos importantes nós daremos juntos. Confia em mim? Ele deu um selinho nos lábios dela.
Ela concordou...”


*Ao som de Unforgettable, com Natalie e Nat King Cole
http://www.youtube.com/watch?v=nitiMG81DRc



SOBRE A AUTORA




Moira Bianchi é uma arquiteta, com seus trinta e muitos anos, que caiu de amores pelo Mr. Darcy de "Orgulho & Preconceito". Após anos lendo romances sobre ele e Lizzy, ela decidiu escrever uma por si mesma, e adorou.
Agora ela não consegue parar.
Ela vive no Rio de Janeiro com marido e filho.


Um comentário:

  1. haha! Amadorei, fofy!
    Gosto muito dessa cena também. E a cena do discussão no restaurante de Seattle acho que mostra bem o quanto Darcy está preparado para dobrar a teimosia de Lizzy.
    Traduzir... bem, você mesmo disse: é longo!...

    bjs

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