sábado, 18 de maio de 2013

ENTREVISTA: LISA MARIE RICE



Leitor é um ser interessante.
Ele vai onde tiver livros. Uma feira, um sebo, uma livraria, um encontro pela internet. Falou em livros, falou em sorteio, está ele lá.
Exatamente por isso ele não é um tipo estagnado, que espera quando as editoras de seu próprio país lancem seus livros desejados. Não, ele corre atrás. Ebooks são bem vindos nessa aldeia global cibernética. Amém aos sites de venda online: Amazon, Smashwords, Barnes & Nobles...

Assim, com toda essa interação, aqui no Brasil ficamos conhecendo a escritora LISA MARIE RICE.
As editoras brasileiras ainda não a descobriram, o que é uma pena.
Seus livros, ROMANCES CONTEMPORÂNEOS, são recheados de ação, temas da atualidade, como prostituição, crime organizado, abuso infantil. Seus personagens são fortes, viris, leais e apaixonantes. E porque não dizer, apaixonados. Uma vez encontrem sua parceira, movem céus e terra para ficarem com elas e as defenderem.

Lisa Marie Rice, também conhecida pelo pseudônimo ELIZABETH JENNINGS, tem livros lançados pelas editoras ELLORA'S CAVE e AVON BOOKS.
Ela é uma simpatia e está sempre pronta a conversar com seus leitores e ouvir suas opiniões.
Esta entrevista foi concedida no mês de abril e ela não se furtou a responder qualquer tipo de pergunta feita. É com grande prazer que faço do grupo que luta para que seus livros sejam traduzidos e editados aqui no Brasil (saiba como participar no final da entrevista).

Senhoras e Senhores, com vocês, Lisa Marie Rice:

Borboleta que Lê - Primeiro de tudo gostaria de dizer que é um prazer entrevistá-la. Embora seus livros não tenham sido publicados no Brasil, gostaríamos que soubesse que há uma legião de fãs fazendo campanha para que isso aconteça...

BQL    Você trabalhou muito tempo como intérprete e tradutora, quando começou o seu desejo de escrever?

LMR- Antes de mais nada deixe-me dizer que é um prazer falar com as fãs brasileiras. Quanta honra!
Como muitos escritores, eu queria escrever desde que tinha idade suficiente para entender que poderia escrever histórias e ser paga por isso. Essa seria A profissão. Uau! Mas até recentemente escolher ser uma escritora era o mesmo que assinar um voto de pobreza e eu sempre soube que não queria ser pobre. Então, eu me tornei uma intérprete e tradutora e nunca me arrependi disso.  Como intérprete eu viajei o mundo (infelizmente nunca para o Brasil), e trabalhei com políticos, homens de negócios, cientistas, artistas... E só dizer que tipo e eu digo que já trabalhei com eles numa conferência. Como se fosse um curso PhD específico...da vida. Eu presenciei muito e aprendi outro tanto e finalmente chegou o tempo de ir mais devagar e realizar o meu sonho de vida. E estou feliz.  Para escrever bem você precisa ter vivido bem – intensamente e prestando atenção. Eu não acredito nesses escritores que estudam numa faculdade para isso e se sentam para escrever um grande romance. Você precisa ter amado, você precisa ter se perdido, você precisa ter corrido riscos e ter amigos de longa data, para saber o que a vida é antes de poder escrever sobre isso.

      BQL-   Por que a maioria de seus personagens masculinos é militar? Você já teve um namorado militar para chamar de seu?

LMR- Não, de jeito algum, mas pensando bem, isso teria sido de MUITA ajuda! Não, eu adquiri meu conhecimento militar lendo biografias de soldados e perguntando a vários militares – homens e mulheres – online e eles foram muito generosos em suas respostas. E como porque – bom, um livro de romance é na verdade uma espécie de resumo. Num espaço de 400 páginas você tem que convencer o leitor de que ele está lendo sobre um romance que vai durar uma vida inteira. Deve encontrar uma maneira de convencer o leitor de que o herói tem o poder de permanecer no militarismo. Ninguém entra no militarismo para ficar rico. Você tem que ter um tipo de personalidade, uma habilidade para se devotar a algo maior do que você mesmo, para fazer sacrifícios, e ser um militar é o símbolo supremo disso tudo. O tipo de herói militar do qual escrevo é corajoso e esperto e firme, e quem não quer essas qualidades num marido? Eu sei que os “bilionários” são os que estão no topo da moda no momento, mas o fato de um homem ser rico não o torna um herói. Eu prefiro ter alguém corajoso e capaz de se sacrificar do que um rico. Porque você pode perder todo o seu dinheiro, mas você não perde sua honra.


BQL-     Desde o lançamento de sua primeira trilogia, MIDNIGHT, você sentiu alguma diferença nas características de seus personagens masculinos? Algo como terem se tornado mais durões, mais suaves, mais românticos...

LMR- Eu realmente tentei algo em DANGEROUS PASSION, onde o herói era um criminoso internacional. Foi legal e todo romântico. Mas em geral, apesar de meus personagens masculinos mudarem a forma e o fundo, há certas características que são sine qua non: fidelidade, lealdade e a capacidade para amar. Essas são a base, não tem como mudar, e nem eu quero isso.

      BQL-  Alguns dos seus personagens conseguem estreitar um laço profundo com alguém, mesmo quando não existe uma ligação genética entre eles. Na trilogia PROTECTORS, os personagens se tornam irmãos quando se alistam, e passam a viver sob um código de honra que os faz estar prontos para matar ou morrer em nome de seus "irmãos". Você acredita na existência de tal laço nos dias de hoje?

LMR- Oh sim, eu creio completamente nesse tipo de laço. Eu não poderia escrever sobre isso a não ser que eu acreditasse veementemente que existe honra e amor no mundo. Esses laços podem ser fortes e inquebrantáveis mesmo em frente ao perigo e a um grande estresse. Essas pessoas podem permanecer leais umas às outras – assim como funciona com os votos do casamento – na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, até que a morte os separe. Eu creio nisso do fundo do meu coração.

      BQL-   Você aborda temas muito delicados em seus livros como violência e abuso infantil, uso de drogas, prostituição... Qual é a relevância desses temas em seu trabalho?

LMR- O mundo é um lugar terrível. Há muita injustiça e crueldade. Todos sabemos disso. Assim como sabemos que há pessoas que dedicam sua vida em criar luz na escuridão. Não há como esconder a malignidade do mundo. É preciso ser encarada e combatida.

      BQL-  Qual é o seu livro favorito?
 
LMR- Há um empate entre MIDNIGHT ANGEL e DANGEROUS PASSION. Também tenho uma queda por NIGHTFIRE, porque o herói é um redimido.



      BQL-   Você tem algum ritual para escrever?

LMR- Eu preciso de completa calma e quietude. Alguns escritores vão até uma Starbuck’s ou num Café, mas eu não poderia. Preciso de calma e solidão.

      BQL- Existe alguma diferença de conteúdo de um livro lançado pela Editora Ellora’s e pela Avon? Tirando todo o lado picante, é claro...

LMR- Você acha que há um grau em ser picante? Só para constar, por alguma razão, eu acho que os livros da Avon são mais sombrios. Acho que eles lidam mais na área de assuntos de geopolítica e suspense do que os da EC, que normalmente têm apenas um cara mau (antagonista). Não faço idéia porquê disso, porque tanto para Avon, quanto para Ellora’s, meu editor me permite escrever o que dita meu coração. Talvez eu sinta que o mundo tenha se tornado um lugar mais perigoso.

     BQL-   Falando em diferença de escrita, por que você criou um pseudônimo chamado ELIZABETH JENNINGS, a até mesmo tem um site totalmente separado?
 
LMR- Bem, tem a versão longa e a curta. A curta é que Elizabeth Jennings não escreve livros picantes. Eles são sexies, mas não tanto quanto os de LMR. Algum dia Elizabeth Jennings vai voltar e escrever livros de terror.



      BQL- Você é uma “workaholic” ou tem algum hobby? Você tem algum autor preferido?

LMR- Eu fui uma workaholic minha vida inteira e isso não é divertido. Então agora eu me certifico de trabalhar duro, mas ter tempo para ler, para tomar um café com um amigo numa praça, ir a concertos e fazer caminhadas.  A vida é curta. Aproveite-a.
Autores favoritos: Shannon McKenna, Nora Roberts, Lee Child, Michael Connely, Jeffry Deaver. Estou lendo vários livros “indie”* fabulosos – publicações independentes como Bella Andre, Barbara Freethy, Russel Blake, Hugh Howey. É uma época maravilhosa para se ser um leitor, há toneladas de leituras maravilhosas por aí.

*Indie Books são livros editados e lançados de forma independente. Apesar de muitas empresas independentes de publicação do livro serem incorporadas, elas são independentes dos grandes conglomerados que dominam a indústria editorial. Editoras independentes incluem pequenas prensas, editoras de médio porte independentes, editoras universitárias, editoras de e-book, e autores auto-publicados.


BQL-   Você disse não gostar de viajar, especialmente na época em que trabalhava como intérprete, mas você tem alguma objeção em viajar para outros países para promover seus livros?

LMR- Após decidir deixar de ser intérprete, eu queria somente FICAR EM CASA, após anos e anos de viagem. Mas agora eu viajo de vez em quando – pelos Estados Unidos para promover meus livros, para o Reino Unido. Em maio irei para a Convenção das Cartas de Amor (Love Letter’s Convention) em Berlim.

      BQL- Já pensou em visitar o Brasil? E em escrever um livro com um personagem brasileiro?

LMR- Infelizmente nunca estive no Brasil, mas adoraria e prometo que num livro futuro vou incluir um personagem brasileiro! Homem ou mulher? O que acham?

      BQL- Gostaria de deixar uma mensagem para seus fãs brasileiros?

LMR- Caros leitores brasileiros, muito obrigada por lerem e gostarem dos meus livros. Não faz diferença onde moramos, nós temos muito em comum. O amor é uma constante e universal. Obrigada do fundo do meu coração.


BQL - Gostaria de agradecer por sua gentileza em responder nossas perguntas, enviamos a você nosso beijo e aguardamos vê-la em breve visitando o Brasil.

LMR- Beijos de volta a todos e obrigada! Se alguém organizar um evento para leitores românticos eu acredito que muitos escritores de Romance se interessariam em comparecer!

Tudo de bom, Lisa Marie Rice.



E então, leitores, o que acharam? Uma simpatia, não?
E o que responderíamos a ela sobre o personagem brasileiro? Deveria ser um homem ou uma mulher? (Deixem seus comentários porque ela estará nos vendo).

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Para saber mais sobre a autora e seus livros:




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 Quer conhecer alguns de seus títulos? Veja minhas resenhas:






*Esta entrevista também está disponível na página do Facebook e no blog Alquimia dos Romances.


Um comentário:

  1. Eu adorei essa entrevista,divulgando bastante no face!!

    Eu sempre ouvi as amigas falando dessa autora e mesmo não tendo lido nenhum livro dela,conhecer um pouco mais da vida dela é bem gostoso,dá mais vontade ainda de ler o que ela escreve!!

    bjsss

    Bianca

    http://www.apaixonadasporlivros.com.br/

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