segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sarah Addison Allen - O Pessegueiro



Ficha técnica: O Pessegueiro (The Peach Keeper)
Autora: Sarah Addison Allen
Editora Planeta
Lançamento original: 2011
Lançamento BR: 2013
284 páginas

"Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes.
A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época áurea de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola – a elegante Paxton Osgood – da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. 

Mas o que se ergue, afinal, é um esqueleto, encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade, que com certeza irá fazer surgir coisas terríveis. Pois os ossos, pertencentes ao carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, que exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water setenta e cinco anos antes, não são tudo o que está escondido longe da vista e do coração. 
Surgem igualmente segredos há muito guardados, aparentemente anunciados por uma súbita onda de estranhos acontecimentos em toda a cidade."

ROMANCE CONTEMPORÂNEO. SOBRENATURAL.



Antes de tudo deixe-me dizer que sou apaixonada pelos livros de Sarah. Ela tem uma delicadeza em contar suas histórias que deixa o leitor querendo entrar nas páginas. E sempre tem um ponto de magia.
Não, você não vê ninguém voando na vassoura, mas há toques do nosso dia a dia que transcendem o sobrenatural e nos abrem os olhos sobre o que é importante.

Você leu a resenha do outro livro que li dela? Ei-la: ENCANTOS DO JARDIM.

Tudo se passa em Walls of Water, uma pequena cidade com foco no turismo ambiental por ser o caminho para famosas trilhas e cachoeiras. Sua rua principal é cercada por lojas esportivas, e uma delas é a de Willa Jackson.

A loja de Willa vende roupas ecológicas para trilha. Além disso, há um café, gerenciado pela Rachel, que ainda vende uns quitutes também à base dessa planta. 
Na verdade, para Rachel, o tipo de café que você pede já demonstra o tipo de pessoa que você é. Uma espécie de estudo que ela faz pela observação...

Mas voltando à Willa, ela é uma micro empresária, nascida e criada na cidade, que tem uma fama da época da escola: a Piadista. Willa pregava trotes no colégio e ninguém conseguiu descobrir que era ela. Até chegar nos últimos dias do último ano, quando ela mesma se entregou.
Como logo depois seu pai, que era um dos professores, saiu do trabalho, Willa nunca se perdoou por ter feito seu pai perder o emprego.

Ela saiu da cidade pensando em nunca mais voltar, mas anos depois, com a morte de seu pai e sem ter para onde ir, ela acabou voltando para Walls. Ali pelo menos ela teria um teto já quitado sobre sua cabeça e poderia recomeçar sua vida. Mas teria a piadista interior se acabado? Ou Willa apenas esperava uma nova chance para se libertar?

Tem também a Paxton Osgood. Pax e Willa estudaram na mesma escola, mas nunca foram grandes amigas.
Willa se ressentia pela família de Pax ser a nova rica da cidade, quando a sua família, os antigos Jackson, tinham sido os grandes fundadores e bastiões.
Mas com a venda de terrenos em volta da cidade e o fechamento das madeireiras, os Jackson faliram e foram embora.

Os Osgood, por outro lado, eram ricos e bem relacionados.
E as mulheres da familia sempre eram as presidentes do Clube Social Feminino, clube este fundado pelas avós de Pax e Willa. Mas Willa não fazia parte do clube... e nem queria.

A famosa mansão dos Jacksons fora comprada pelos Osgood e estava sendo reformada para ser devolvida à cidade em toda sua glória. O Clube estava diretamente ligado à essa reforma, e sua inauguração seria em grande pompa. Mas Paxton, a certinha, a imaculada, a mulher das listas, não contava que um cheiro de pêssego e um pássaro negro pudessem trazer más notícias e com elas a revelação de um segredo.
Um segredo que ligava as Jackson e Osgood para toda vida.

O bom dos livros da Sarah é que os dramas e mistérios vêm temperado na medida certa.
Além disso, ela tempera seus enredos com o algo a mais. Enquanto em "Encantos..." ela fala sobre a família e flores comestíveis e chás, em "O Pessegueiro", ela fala sobre a amizade.
Ah!! Mas tem sempre uma árvore. No primeiro era uma macieira mágica (gente, eu sou apaixonada por aquele macieira!!!); aqui o pessegueiro, e seu perfume característico, parece mais sempre ser o portador das más notícias. Mas ao ler sobre isso emociona, arrepia.

Willa e Paxton no início parecem não suportar a presença uma da outra, mas conforme a narrativa segue, você persegue que não é ódio o que elas sentem. E toda essa carga de emoção vem desde a época do colégio. Ressentimentos guardados vistos pela ótica de duas meninas, mas que permaneceram nelas. E não é isso mesmo que muitos de nós fazemos? Prejulgamos alguém numa ocasião e guardamos aquilo como se fosse verdade absoluta, e depois de anos, nem mesmo sabemos porquê nos sentimos assim sobre determinada pessoa?

E na parte do romance, os amores secretos, o medo de se ferir, os desejos reprimidos, tudo isso é trazido à baila quando todos se veem envolvidos num mistério que deveria ter ficado enterrado, mas que trouxe transformação. 

É um livro que faz pensar, que acredita no valor da amizade, da família, da união. Não é uma história depressiva, ao contrário, você se sente revigorado quando termina de ler um dos livros dela.


"Toda vida precisa de um pouquinho
de espaço. Isso deixa lugar para
que coisas boas entrem."

Absurdamente encantador e inspirador.
5 ESTRELAS.

Sobre a autora

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