quinta-feira, 20 de março de 2014

Semana Nacional: Helena Solon - Sob a Luz do Seu Olhar


LIVRO #4





Ficha técnica: Sob a Luz do Seu Olhar
Autora: Helena Solon
Editora TDL
Lançamento: 2014
251 páginas (somente ebook até o momento)

"Raissa. Uma garota humilde, conformada com seu destino, vive seus dias sob ameaças constantes de seu pai. Mas o destino havia lhe traçado novos caminhos, quando foi fotografada acidentalmente por um desconhecido. Depois desta foto, tudo mudou. 

Kadar um magnata de Dubai, perdeu a paz após colocar os olhos naquela foto e a desejou com todas as forças. Usou do seu poder para tê-la, e descobriu depois de vê-la pessoalmente que algumas coisas não podem ser compradas e, sim, devem ser conquistadas. 

Novamente o destino se faz presente, e o que ele pensou ser um negocio ou um simples capricho, acabou se transformando na mais intensa paixão."

ROMANCE CONTEMPORÂNEO. NACIONAL.





Raissa é a garota linda, dos cabelos vermelhos e profundos olhos verdes, que mora no interior do Espírito Santo com sua mãe doente (doença degenerativa) e seu pai aposentado e abusivo.
Neste momento ela está apavorada em voltar para casa. Acabara de perder o emprego mais uma vez e na certa seu pai ficaria uma fera e violento. Por sua mãe, ela enfrentava todo aquele martírio e continuava em Boa Esperança.

No dia seguinte ela consegue um novo trabalho como acompanhante de um capitão aposentado. O Sr. Onofre já tinha o Piteco, jovenzinho que o ajudava empurrando a cadeira de rodas. Mas ele queria alguém mais velho para ajudar-lhe  com as cartas e fazer-lhe companhia num bom bate papo. E Raissa torna-se como uma filha para ele.
Com o pouco tempo em que ela trabalha lá, o capitão ensina-lhe várias coisas, como a mexer num computador, na internet e até mesmo a falar inglês. Raissa tinha ótima disposição a aprender novos idiomas.

Em casa os problemas continuavam, mas ela estava determinada a esconder de sua mãe tudo que seu pai aprontava.
O que ela não sabia era que em um de seus dias de tristeza, quando apenas contemplava o lindo pôr do sol de onde morava, um estrangeiro fotograva a região e ela acabou saindo na foto. Esta foto foi parar nas mãos de um rico empresário e a partir dali, seu destino havia mudado...




Kadar era um empresário da rede hoteleira e de petróleo. Morava em Dubai e tinha tudo que o dinheiro podia comprar. Era amigo pessoal do sheik e tinha muita influência entre os grandes dos Emirados Árabes.
Por conveniência, tradição e para firmar acordos políticos, ele possuía 3 esposas: Hanna, Maira e Dafne. Não amava a nenhuma delas e não as visitava maritalmente, mas elas eram regiamente sustentadas por ele.

Quando seu secretário particular, Natan, estava em visita ao Brasil, para analisar futuros investimentos naquela terra, este tirara várias fotos do local e em uma delas uma bela jovem dos profundos cabelos cor de fogo apareceu. Enlouquecido em saber quem era, mandou que seu secretário descobrisse tudo sobre ela e a trouxesse para Dubai.

O pai de Raissa era um homem amargo, que só queria saber de dinheiro, mas não de trabalhar. Usava como desculpa um problema de saúde, que Raissa sabia ser exagerado, e colocava sobre a filha a responsabilidade de cuidar da casa, da horta, da mãe doente e ainda trazer o sustento.
Quando Natan procurou-o querendo saber de Raissa, o velho não pensou duas vezes e negociou a filha como se fosse um objeto qualquer.
Ao saber que tinha sido "vendida" pelo pai, Raissa ficou possessa. Mas como o dinheiro fora depositado numa conta com ela como beneficiária, seu pai não viu a cor do dinheiro; ela o expulsou de Boa Esperança, conseguiu negociar que a mãe fosse bem cuidada numa clínica na capital e decidiu aceitar o seu destino.

De verdade, quando ela fora apresentada a seu futuro marido através de uma video conferência, mesmo ainda sentindo-se ultrajada, ela não pôde deixar de notar qual belo ele era. E parecia verdadeiramente encantado por ela.



E assim, com roupas novas e toda repaginada, Raissa desembarca em Dubai.




Choque cultural, sem saber uma palavra do idioma, descobrir que seria a quarta esposa dele, não poder sair na rua livremente; estes foram alguns dos obstáculos enfrentados por Raissa em sua nova morada.
Para não perder a si mesma, ela luta como uma guerreira impondo suas vontades e mostrando a Kadar que ela não seria mais uma na lista dele, e muito menos, uma inútil. Ela queria ajudar os mais necessitados, assim como ela fora um deles um dia.
Começara por não se vestir da maneira ostentosa como as mulheres locais, que mais pareciam árvores de natal com tanto ouro pendurado. Teria que andar escoltada com guarda-costas, mas não abriria mão de sua amizade com Natan, o que deixava Kadar morto de ciúmes. Começara a aprender o novo idioma e se envolvera com as tribos nômades que viviam ao redor da cidade e passavam por dificuldades, mesmo que gostassem de manter o seu estilo de vida livre. E o mais importante, ela precisava arrumar um jeito de se livrar das outras esposas dele.

A convivência fez Kadar perceber o quão diferente Raissa era das outras mulheres, e não só por causa da cor de seus cabelos. Ela realmente se importava com as pessoas. E com isso, acabava por chamar atenção de outros homens.

E por mais que brigassem - e acredite, eles brigavam feito cão e gato -, o sentimento entre eles crescia a cada dia. Kadar não via a hora de transformá-la em sua esposa oficialmente. Mas Raissa ainda precisava passar por sua última prova na vida, e talvez esta pudesse ser a decisão final entre voltar ao Brasil e esquecer Kadar, ou viver um grande amor apesar de...



Uma história de amor no estilo Cinderela, mas com muita areia do deserto no meio do caminho.
Dos confins do mundo, no interior de uma capital brasileira à beleza milionária dos sheiks de Dubai. Só por este fator a história já chama a atenção. Ela sai do lugar comum entre Londres, Nova Iorque, Rio, São Paulo.

As diferenças entre os dois eram tremendas. Não só no quesito financeiro, mas no que era permitido às mulheres onde agora Raissa morava. Ela lutou com afinco em manter suas tradições, sua liberdade em ir e vir, mesmo entendendo que agora era noiva de um homem muito rico e importante. Mas isso não a manteve parada. Agora, com mais recursos, ela poderia fazer o que não podia antes. E apesar de ser fascinante ter muitas roupas novas e não se preocupar se teria o que comer, ela não esquecia de onde viera e que outras pessoas, de qualquer nacionalidade, passavam diariamente pelo que ela vivera.

Raissa tinha uma joia no coração. Era boa, mas não ingênua. A vida lhe amadurecera para além de seus 20 anos.
Kadar estava completamente apaixonado por ela. Ela era a primeira mulher que ele realmente se apaixonara e escolhera. Suas esposas haviam sido simples transações políticas e financeiras. A terceira delas ele sequer havia tocado. Raissa o desafiava, deixava-o falando sozinho, não se submetia às suas vontades, e isso só fazia o seu sangue aquecer mais.



O livro não é hot. Há cenas amorosas, mas descritas de forma romântica, às vezes quase ingênua.
A capa traz a gravura de uma bela jovem, representando bem sua protagonista, mas eu, pessoalmente, acho que merecia uma capa com foto mais ousada. Algo assim como o livro abaixo:



O ritmo da história teve dois momentos. A princípio, enquanto Raissa ainda encontrava-se no Brasil, o ritmo é lento, quase como se o medo da protagonista em mudar de vida interferisse nele. A partir da ida de Raissa para Dubai, e a mudança em seu próprio comportamento, o ritmo fica muito rápido.
Não falo sobre os pulos - passagem - de tempo; isso às vezes é necessário. Mas em várias situações que se precisava de um ritmo normal para se sentir melhor a cena, foi rápido demais.

Os personagens, como disse, fazem parte de um estilo Cinderela. Então, o leitor já sabe mais ou menos o que esperar: da pobreza ao luxo 6 estrelas.

Ponto positivo: a mudança de cenário da história. A autora traz algumas curiosidades sobre a cidade e o que fica a seu redor. Como não conheço nada da cultura árabe, espero que ela tenha feito bem o dever de casa, para não ter passado alguma informação errada.
Achei lindo a mênção de alguns pontos turísticos como por exemplo, a fonte luminosa (águas dançantes).



Pontos negativos: Mencionei acima sobre a mudança de ritmo na história com a mudança de Raissa para Dubai, mas não foi só o ritmo que mudou.
A personagem no início da história mostrava-se insegura, medrosa. Não era uma pessoa fraca. Naturalmente os anos de privação e de maltrato por parte do pai, a fizeram ser bem mais madura do que as moças de sua idade. Mas ainda assim temos que admitir que Raissa desconhecia muita coisa da vida. Ela sequer havia saído de sua cidade para conhecer a capital, Vitória. E mesmo aprendendo muita coisa ao longo do tempo que trabalhou para o Cap. Onofre, aprender à distância é diferente de aprender in loco. 
Portanto, achei a mudança de personalidade dela drástica demais. Como houve pontos obscuros na história, essa transformação dela ficou irreal. Acredito que uma pessoa mude e ate fique do jeito que Raissa acabou por ficar, mas por seu histórico de vida, a mudança demoraria mais tempo. Assim, a história parece ser duas histórias, com duas personagens diferentes. Quase como se fossem irmãs gêmeas, criadas separadas e de formas diferentes, trocando de lugar.

O outro ponto é sobre a revisão. Desculpe se já estou ficando chata sobre esse assunto, mas a revisão do livro foi horrorosa. Há palavras escritas de forma tão errada que eu tinha que largar o computador, dar uma volta, respirar fundo para voltar.
Por favor, revisem melhor seus livros. Contratem um revisor caso a editora não disponha de gente suficiente. Isso acaba com o trabalho do autor porque os leitores falam mal sim.

Além dos erros gramaticais, há a diagramação. Os diálogos estavam truncados, misturados. Você precisava avançar na leitura para saber de quem era aquela fala (da metade do livro em diante).
E sobre a narrativa houve mistura de vozes. Num momento era narrado em primeira pessoa por Raissa, noutro em terceira pessoa. Se quiser mostrar o ponto de vista de ambos personagens principais, sou totalmente a favor de POV com capítulos alternados, assim o leitor já fica sabendo o que cada um pensa/sente. Mas misturar parágrafos com diferentes pontos de vista, confunde.

O livro é fofo. Com um bom trabalho de Beta, ele poderia ter ficado maravilhoso.

3 estrelas.

Sobre a autora




*Cópia do livro cedida pela agente (editora) da autora. 


2 comentários:

  1. Olá

    Comprei o livro, muitas pontas soltas, erro de português pontuação. A mocinha muito infantil, fazendo todos de empregado. Detestei.

    Lílian

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    Respostas
    1. A resenha pontuou alguns desses problemas, Lilian. Infelizmente a editora não se agradou da repercussão desta resenha, dando muita confusão. Por isso, esta editora não será mais resenhada por este blog.
      Obrigada por partilhar sua opinião.

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