quarta-feira, 28 de maio de 2014

Clare Dowling - O Divórcio dos Meus Sonhos: Nem sempre é fácil encontrar a felicidade



Ficha técnica: O Divórcio dos Meus Sonhos (My Fabulous Divorce)
Autora: Clare Dowling
Editora Bertrand Brasil
Lançamento original: 2006
Lançamento BR: 2011
434 páginas

Você deve estar pensando "sua louca! Num mês de maratona das noivas, no qual reinam absolutos os tules, rendas e bem-casados, você vem falar de divórcio?"
Mas acontece que Jackie precisa se divorciar para casar de novo...


"Jackie Ball é dona da floricultura Flower Power, que entrega rosas vermelhas em enterros e coroas de flores a namorados (Ops, alguma coisa deu errado!). E sabe que encontrar a felicidade não é lá tarefa das mais fáceis (Aliás, uma tarefa um tanto inglória). Então, quando Dan “shortinho colado e sorriso sexy” Lewis entra em sua vida, ela o agarra com unhas e dentes e com o fatídico “sim, eu aceito”. Mas há uma mosca na sopa de Jackie: ela ainda é casada com Henry, o mala do “ex-marido”. Pelo que consta, o casamento deles está morto e enterrado, e agora ela precisa correr para contratar um advogado e se preparar para dar o definitivo pé na bunda. Entretanto... Surpresa! Quando começam a chegar pelo correio os papéis do divórcio, Henry acha que ainda tem contas a acertar com ela... e parece que ele vai fazer de tudo para dificultar as coisas. Não que ele ainda a ame, mas ela o abandonou com um simples bilhetinho de adeus, e agora ele quer porque quer descobrir o verdadeiro motivo! "



ROMANCE CONTEMPORÂNEO.

Jackie Ball vem de uma típica família irlandesa, na qual um dramalhão sempre fará parte do repertório. De certa forma, ela mesma alimenta isso ao acabar tornando-se a filha de temperamento mais impulsivo. Oh! Não que os seus irmãos (Eamon, Dylan, Ursula e Michelle) não tenham sua cota de vidas desregradas - de acordo com a concepção da Sra. Ball, mas parece que os holofotes sempre caem sobre Jackie.

Atualmente Jackie é dona de uma floricultura com sua sócia Emma. O entregador de flores, Lech, é um polonês que adora vestir camisetas apertadas, dirige um Fusca da década de 70 e se acha um sex symbol. 
Para tornar tudo melhor, ela deveria se sentir abençoada por ser pedida em casamento por Dan, um homem alto e lindo, que trabalhava com finanças e tinha uma família famosa no ramo farmacêutico, e que a ajudara num dia especialmente frio quando encontrava-se sozinha na estrada com um pneu furado. Dan seria a personificação do perfeito príncipe encantado.

Seria.... Se Jackie já não fosse casada.



"Mas ele já estava prestes a ir embora. Estava de saída... Ergueu os ombros e atravessou o pub, pisando duro. Assim que alcançou a porta, uma força incrível e irresistível - provavelmente sua testosterona - o fez virar-se para a direita e parar diante da mulher do cabelo cacheado. Olhou em seus olhos; ela retribuiu o olhar e ele por fim conseguiu articular: - Posso te pagar um drinque?" (pag. 110, 111)


Veja bem, não era uma coisa da qual ela lembrasse sempre. Na realidade, ela já estava separada de Henry há um ano e meio. Desde que fugira dele e de Londres, deixando vários pertences para trás e um bilhete dizendo apenas "adeus", eles nunca mais se comunicaram.
Agora, com esse pedido fora de hora, ela precisa resolver às pressas o seu divórcio porque Dan está empolgado e cheio de planos para a realização de um casamento o mais rápido possível.

Daí, vem uma pequena complicação: Henry não iria facilitar nada para Jackie. Os motivos que ela alegou para o divórcio? Ele contestou. Teria de ser nos têrmos DELE, e, pelo visto, mais do que não quererem ceder, Jackie e Henry tinham algumas contas a acertar que incluíam uma cachorrinha, fios de cabelo espalhados pela casa,  muitos pares de sapatos, muitas idas a restaurantes, eventos desinteressantes e um amor tórrido e imensurável...


Um casamento fracassado que durou exatos doze meses. Uma nova tentativa de ser feliz. Até aí poderia ser a história de qualquer pessoa.
A grande questão é que havia lacunas demais abertas...

Primeiro, Jackie nunca mencionou a Dan, seu novo namorado, de que era casada (em sua defesa ela diz que nunca imaginou que Dan a pediria em casamento tão cedo); depois, ela nunca se preocupou em entrar com o pedido de divórcio antes mesmo de conhecer Dan; quando ela partiu de Londres, não houve conversa, tentativa de consertar uma situação. Simplesmente um dia Jackie fez uma mala e partiu.

Bom, você pode dizer que pelo visto, Henry, o marido, também não tinha entrado com a papelada, mas acontece que não era ele quem iria se casar de novo.

A história traz - sem ser triste, ou melancólica - uma realidade que acontece entre muitos casais: a total falta de comunicação. Discutir relação é um porre? Sim, mas se você já chegou no limite a ponto de pensar em fazer uma malinha e se mandar, a hora da conversa já chegou faz tempo, não?

O enredo vai mostrando as confusões pelo processo de divórcio. Amigos e familiares dando suas opiniões; advogados discutindo os direitos de seus clientes, o futuro marido querendo resolver tudo na base da violência, mas o casal principal mesmo se amarrando para que o processo de fato ocorresse. E daí, você, leitor, chega a conclusão de que o que existe é mágoa, além de um amor enorme escondido em algum lugar.

Petição de divórcio em cima de petição é feita para dificultar a vida do outro lado, mas a pergunta que ficou sem resposta na época é: por que você foi embora?

Será que Jackie finalmente enfrentaria a razão que a levara a partir?

"No monitor de seu PC, Henry Hart estava dançando com Jackie Ball, os dois bem colados em um abraço apaixonado e silencioso... A julgar pelo estado do cabelo dela, devia ser o fim da cerimônia. O véu havia desaparecido. Ela estava sorrindo largamente... o rosto franzido de tanta alegria. Dan não se lembrava de tê-la visto sorrir assim antes..." (pag. 143)


O ritmo da história é muito bom, apresentando bem as emoções de cada personagem envolvido.
Os personagens são fantásticos, envolventes e acredite, cada um tem um motivo plausível para fazer/sentir o que se passa com eles. Incluindo as confusões das dinâmicas das famílias envolvidas e amigos mais próximos. 
A ambientação da história também muda. Dublin e Londres para sair do roteiro NY.
A resolução da história também é boa, não decepciona, e acho até que acontece o que o grande público deseja.

Felizes para sempre? Para que essa monotonia? No meio do caminho sempre há um pub...

4,5 estrelas.

Abaixo, a capa original:



Sobre a autora


2 comentários:

  1. Fiquei super instigada para ler o livro com essa sua resenha querida Vânia!! O enredo é no mínimo curioso e me lembrou dois filmes: Lar doce lar e Um marido por acaso. Como gostei bastante dos filmes e dessa temática, acredito que irei gostar do livro também, já que você deu 4,5 estrelas! E lá vou eu aumentar minha lista por sua causa! hahaha
    Beijão!

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