quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Lisa Kleypas - Paixão ao Entardecer (Os Hathaways #5)



Ficha técnica: Paixão ao Entardecer (Love in the Afternoon)
Autora: Lisa Kleypas
Editora Arqueiro
Lançamento original: 2010
Lançamento BR: 2015
272 páginas
Gênero: Romance de Época
POV: terceira pessoa

Personagens: Beatrix Heloise Hathaway e Christopher Phelan
Local/Ano: Crimeia; Hampshire, Londres e Cotswolds, Inglaterra/ 1854 a 57.

"Mesmo sendo uma família nada tradicional, quase todos os irmãos Hathaways se casaram, até mesmo Leo, que era o mais avesso a essa ideia. Mas para a caçula Beatrix, parece não haver mais esperança. 
Dona de um espírito livre, apaixonada por animais e pela natureza, Beatrix se sente muito mais à vontade ao ar livre do que em salões de baile. E, embora já tenha frequentado as temporadas londrinas e até feito algum sucesso entre os rapazes, nunca foi seriamente cortejada, tampouco se encantou por nenhum deles. 
Mas tudo isso pode mudar quando ela se oferece para ajudar uma amiga. 
A superficial Prudence recebe uma carta de seu pretendente, o capitão Christopher Phelan, que está na frente de batalha. Mas parece que a guerra teve um forte efeito sobre ele, e seu espírito, antes muito vivaz, se tornou bastante denso e sombrio. 
Prudence não tem a menor intenção de responder, mas Beatrix acha que ele merece uma palavra de apoio – mesmo depois de tê-la chamado de estranha e dito que a jovem é mais adequada aos estábulos do que aos salões. Então começa a escrever para ele e assina com o nome da amiga. Beatrix só não imaginava o poder que as palavras trocadas teriam sobre eles. 
De volta como um aclamado herói de guerra, Phelan está determinado a se casar com a mulher que ama. Mas antes disso vai ter que descobrir quem ela é."


LANÇAMENTO

Quem não conhece os Hathaways? Aquela "tribo" totalmente inadequada a todos os modos e bons costumes da sociedade londrina dos quais eles pouco se importam.
Uma família criada no campo, que só passou a fazer parte da nobreza porque Leo Hathaway, depois de várias mortes na família, acabou herdando o título de conde e uma casa caindo aos pedaços em Hampshire. Família esta cujas duas irmãs são casadas com ciganos (que horror!!!); o varão era um libertino, agora pai de um casal de gêmeos; e a outra irmã que só casou com o milionário dono do hotel preferido pela realeza porque foi envolvida numa situação comprometedora. Ah! E não posso esquecer que ainda há uma irmã que prefere a companhia dos animais a dos humanos.
Esqueci algum ponto importante?

Bom, várias temporadas se passaram e agora apenas a caçula dos Hathaway, Beatrix, ainda se encontra solteira. 
Aos 23 anos ela não quer passar uma nova temporada em Londres. Não há homens que se interessem por ela por lá. Não há homens, disponíveis e próximos à sua idade, que gostem de conversar do que ela gosta. Então, desta vez, ela decidiu ficar em casa, em Hampshire, e escrever cartas.

As cartas começaram por culpa de um cachorro. Sim, Prudence Mercer, então amiga de Bea, estava se correspondendo com o Capitão Phelan e este havia contado sobre um cachorro que passara a persegui-lo no campo de batalha desde que seu original dono havia morrido.
Prudence não estava interessada em guerra, cachorros fedorentos ou pessoas mortas, mas sim no status que seria se casar com um capitão. Isso, é claro, se ele voltasse vivo e sem faltar pedaços do corpo.
Mas Bea se encantou com aquela história. E desde que sua família tinha por hábito conversar à hora do jantar sobre os mais variados assuntos, inclusive política, ela tinha muito mais a dizer ao capitão do que a beldade da temporada, Prudence.

Mas se tudo começou por causa de um cachorro, continuou porque ao ler uma das cartas escritas para Prue, Bea sentiu-se tocada pela fragilidade e solidão com que o capitão encontrava-se naquele momento.

Isso nem sempre foi assim.
Christopher Phelan viera de uma família rica e proeminente. Seu irmão herdara de um conde a propriedade Riverton, em Warwichshire, não muito longe de Ramsey Place, a casa dos Hathaway.
Lindo com toda sua altura e seus fartos cabelos louros, ele era conhecidamente um devasso, sempre indo a Londres para beber, jogar, dançar, flertar e se envolver em escândalos amorosos. Até que aos 22 anos, como muitos segundos filhos, comprou uma patente de oficial do Exército. Por ser um exímio atirador, foi condecorado Capitão da Brigada de Rifles. Com algum tempo na guerra, seus feitos eram amplamente divulgados através dos jornais, logo ele era conhecido um herói.

Aquele homem frívolo que Beatrix conheceu, que uma vez até a ofendera numa conversa que ela entreouviu, não era mais a mesma pessoa. Ela podia ver isso através de suas cartas.
Desde que Prudence não estava interessada em responder as cartas, já que o capitão só falava em desgraça, Beatrix, com o consentimento da amiga, passou a escrever-lhe em seu lugar.
Durante meses trocaram cartas, segredos, impressões. Até que um dia Christopher confessou seu amor pela Prudence das cartas; e já que Bea estava irremediavelmente apaixonada por ele também, ela deu um ponto final na troca de cartas.

"Não posso mais escrever para você.
Não sou quem acha que sou.
Não tinha a intenção de enviar cartas de amor, mas foi isso que elas se tornaram. No caminho até você, as palavras se transformaram nas batidas do meu coração gravadas em papel.
Volte, por favor, volte para casa e descubra quem sou..." 


Esta última carta tornou-se um talismã para Christopher e ele estava decidido a voltar vivo para casa e ir atrás da dona dessas palavras.

O Christopher que retorna é outro.
Um homem modificado pela guerra, com traumas por ter matado tantas pessoas; por ter enterrado companheiros; que perdeu o irmão mais velho para a tuberculose e agora teria que cuidar de uma propriedade e madeireira que nunca aprendera como administrar; cuidar de uma mãe que não o queria vivo e uma cunhada viúva; de um cachorro tão traumatizado quanto ele, que atacava qualquer pessoa que se aproximasse. Além de tudo isso, ele precisava reunir seus pedaços, encarar pessoas que o chamavam de herói e procurar pela mulher que o mantivera vivo e são durante todo aquele tempo.

Cruzar com Beatrix Hathaway na floresta enquanto passeava com Albert, o cão, fora uma coincidência. Mas a partir de então sua vida começa a ser modificada.

Primeiro porque ela estava bem diferente fisicamente, mais bonita. Depois, porque o jeito dela continuava irreverente. Beatrix nunca dizia o que os outros esperavam de uma moça solteira. Além disso, seu cachorro, que não se dava com ninguém, por uma estranha razão a obedecia. E cães costumam ser bons julgadores de caráter, não?

Quando Christopher começa a se familiarizar com os Hathaway, a princípio ele estranha tanta bizarrice: animais perambulando dentro de casa, crianças sentadas à mesa com os adultos, na hora das refeições, e ainda participando da conversa! Impensável! Mas, por outro lado, o ambiente lá era muito mais iluminado e festivo do que sua própria casa, na qual sua mãe só lamentava a morte do primogênito, como se não tivesse outro filho, e tudo estava fechado e sombrio pelo luto.

De alguma maneira Beatrix estava mexendo com ele, mas ele não queria isso. Ele queria encontrar a sua Prudence que estava aproveitando a temporada em Londres. E é para lá que ele vai.

Mas nada é o que parece ser. Sua doce, cativante, inteligente e espirituosa Prudence mostra-se uma coquete mais preocupada em receber elogios e nas medalhas ganhas pelo capitão do que nele como pessoa. E ele odiava estar em meio a tanta gente, que só queriam falar sobre tudo que ele vivera na guerra. Exatamente o que ele queria esquecer!

Mas mais do que ser coquete, Prudence mostra-se terrivelmente esquecida de tudo que havia escrito nas cartas. Na verdade, ela parecia não saber nada do que estava nelas. É quando Christopher descobre: outra pessoa as havia escrito.

Sua cunhada Audrey lhe confirma a desconfiança, mas não diz quem é a verdadeira remetente.
Determinado a descobri-la, Christopher retorna para casa e lá ele começa a juntar os pontos. Um chá servido com folhas de hortelã e adoçado com mel, a estrela-guia, o burro chamado Heitor e a frase "o amor tudo perdoa" levam Christopher direto aos braços de Beatrix. A pessoa mais irritante e estranha era por quem ele estava apaixonado.

Por outro lado, Bea compreendia quando ele não queria falar sobre seu passado triste ou quando queria simplesmente ficar em silêncio; ela conseguia conversar sobre assuntos que mulheres normalmente não entendiam; ela cavalgava melhor que muitos homens; ela tinha um corpo para o pecado quando aparecia vestindo calças e tinha os olhos de um azul mais profundo que ele já vira.
Por mais que Beatrix temesse a reação dele ao saber que ela quem lhe escrevera as cartas, Christopher só tinha uma determinação...




O conto de fadas poderia terminar assim, com a donzela, que não se encaixava numa sociedade mesquinha, casando com o príncipe encantado que a compreendia como ninguém, mas parte do passado de Chris, misturado com uma culpa que carregava, volta para assombrá-los, e o maior medo dele está perto de tornar-se realidade...

E assim terminamos a série dos Hathaway.
Uma história mais envolvente que a outra. Uma família composta por pessoas repletas de erros, que colocou o amor e a felicidade como estrela-guia de suas vidas.
Recheada de intriga, paixão, drama, comédia (as melhores passagens SEMPRE envolviam Leo Hathaway, sem sombra de dúvida!), a série vai deixar saudade.

Para a autora eu dou 5 estrelas a cada um dos livros e à série como um todo. Mas devo dizer que este último livro veio com muito erro de revisão, uma coisa que não se costuma ver na editora. Mais cuidado, gente!! Essas séries de romances de época são nossos xodós!!

Agora é aguardar o lançamento da série Wallflowers, As Quatro Estações do Amor.

**Gravura: Jon Paul Ferrara - jonpaulstudio.com

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