domingo, 1 de março de 2015

TRECHO: Não me Conte Sobre o Fim, de Burton Clark



No último final de semana, mais precisamente dia 22 - quando deveria ter sido no dia 24, mas às vezes o Amazon faz dessas coisas, tivemos o lançamento do livro NÃO ME CONTE SOBRE O FIM, do americano radicado no Brasil Burton Clark.




Tive a grata satisfação de ter sido contactada pelo autor, o que em si é um feito já que ele não é fã de redes sociais, e convidada a fazer a revisão do livro.
Antes de tudo o que me surpreeendeu foi a total objetividade do livro. Aqui ele apresenta um casal que se conhece desde a época do Ensino Médio, vão se apaixonando por suas diferenças e têm uma vida em comum.
Mas Burton não doura a pílula quando nos mostra como a vida pode ser ingrata, ao lhe dar algo que nem você mesmo sabe precisar e depois dar um jeito de fazer com que você se vire sozinho.
O ponto de vista masculino mostra que homem quando ama é de verdade, é sincero, é profundo, e isso também nos encanta.

Desde o lançamento recebi algumas mensagens de agradecimento e comentários sobre o livro. Pessoas se identificando com algum personagem ou com a sua dor.
E antes que você pense que este livro o fará desidratar de tanto chorar - bom, aí depende da ótica de leitura de cada um -, informo que sim, ele tem partes tocantes, mas também tem partes que te farão querer pular de alegria e fazer o mesmo que um dos personagens.

É uma leitura diferente, ousada por não dar enfoque ao relacionamento somente carnal; há muito mais envolvido para que duas pessoas deem certo a vida toda.

O autor decidiu dar uma palhinha aos leitores que ainda não conhecem seu trabalho, e disponibilizou no site Issuu o primeiro capítulo. Aqui embaixo um pequeno trecho deste:

Quando crio minhas fantasias e as coloco no papel, eu tenho plena consciência que a qualquer momento eu vou poder salvar os personagens em perigo, posso tranquilamente anular uma morte e fazer pessoas viverem felizes para sempre. Mas agora é real, é a situação que não existe salvação, não tem como substituir os personagens ou eliminar aquilo que elimina as pessoas. Eu estou vivendo o momento em que não desejamos.
Abro o plástico da lingerie e inalo profundamente, sentindo o aroma que não é de minha Nore, a peça cheira a coisa nova e não a chocolate, o hidratante preferido dela. Ela estava esperando uma ocasião, acho que agora é a ocasião. Não vou suportar olhar para minha vida sem a vida dela fazendo barulho.
Separei a lingerie, um vestido cor de tangerina de mangas longas e sua sapatilha marfim. Coloquei tudo dentro de uma sacola de papel e deixei sobre a cama, sobre o lado que eu durmo. Não sei se isso vai ser possível essa noite.
E as lembranças aparecem diante dos meus olhos e tudo de melhor que vivi ao lado de Nore voltam com força e eu sinto como se ela estivesse aqui.
— Dam! — Ela disse sentada no balcão da sala e eu a olhei, admirei seu conjunto de malha verde-água e seus cachos que alcançavam sua cintura. Era noite de terça-feira e chovia bravamente, fazendo com que as janelas da cozinha se transformassem em cascatas.
— Sim? — respondi alcançando um maço de folhas dentro do armário para levar para o meu escritório.
— Amanhã é o resultado, eu sei que o prêmio será seu, como melhor romancista, então vamos fazer um jantar especial. — Ela disse sorrindo e saltou do balcão e veio em minha direção. — Será o primeiro de muitos outros prêmios e um dia você será o escritor mais premiado e eu vou estar com você.
— Você tem um otimismo que eu invejo — disse e deixei as folhas sobre a mesa de canto e a abracei. Nore tinha um jeito simples e rico de ver a vida e eu era um aprendiz feliz dessa perspectiva.
Não conseguia ver na vida real o que colocava no papel, tudo era uma invenção fantasiosa e na sua grande maioria acontecia em meus momentos de solidão perversa. Minha inspiração ocorre quando mais nada me acontece ou quando sou tomado por grandes sentimentos: euforia, amor, ódio, e ainda não defini de forma eficaz se isso é bom ou ruim. O fato é que quando tomei coragem de publicar meu primeiro livro, eu enfrentei tudo com a coragem de um amador, e depois de alguns anos eu era em alguns momentos um covarde profissional.
Sentia medo de algumas de minhas páginas, sentia medo do que estava sentindo e quando tudo começou a fazer sentido, eu percebi que eu precisava dessa confusão de coisas para que as coisas no papel funcionassem. E deu certo assim.
— Não é otimismo, é realidade, e confesso que senti isso desde a primeira vez que li o livro. Eu sabia do potencial. Não sou uma escritora, Dam, mas sou uma leitora profissional e eu sei quando leio algo rico. Você deveria acreditar mais em você, meu amor — Ela beijou meus lábios e eu fiquei por longos minutos apreciando o sabor de menta de seu chiclete sem açúcar.
—Então você acha que eu tenho chance? — perguntei com uma dose extra de charme e carência, coisas não típicas do universo masculino, mas sou escritor e por incrível que pareça, aprendi a viver no mundo feminino.
— Não, não acho que tenha chance, estou afirmando que o prêmio é seu, isso é fato — Ela afirma e eu me sinto seguro ao ouvir isso dela.





Para ler o capítulo na íntegra: ISSUU




Para adquirir o livro: AMAZON



Um comentário:

  1. Que lindo, isso confirma a minha teoria sobre os sentimentos do homem, em vertentes ao da mulher, muitas das vezes a mulher ama o amor, o homem só ama a(o) parceiro.
    Sexo, Fraldas e Rock'n Roll

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