quarta-feira, 22 de abril de 2015

R. L. Mathewson - Checkmate (Neighbor from Hell#3)



Ficha técnica: Checkmate
Autora: R L Mathewson
Editora self
Lançamento original: outubro/2012
Lançamento BR: ainda não
302 páginas
POV: terceira pessoa
Gênero: Rom Contemporâneo; Chick Lit

Protagonistas: Connor O'Neil e Rory James
Local/Ano: New Hampshire/atual (25 anos atrás e 1 ano à frente)


"Não há nada pior do que viver ao lado de seu inimigo de infância, exceto, talvez, ser forçada a partilhar o seu projeto de sonho com ele, ser chantageada a fazer algo que estava errado em todos os sentidos, e ter o seu chocolate quente roubado pela pessoa que em primeiro lugar é o responsável por fazê-la precisar tomá-lo.

Enquanto ela tiver muito chocolate quente, um alicate na mão e for capaz de resistir ao charme de garoto malvado de Connor O'Neil, então Rory James é capaz de passar no teste deste projeto com sua sanidade intacta. Se não ...
Ela provavelmente iria enfrentar mais algumas noites na cadeia, ter mais algumas ordens de restrição contra ela e perder o seu coração para o homem que arruinou sua vida."


Se até agora você viu que os Bradford sabem ser uns vizinhos infernais, você ainda não viu nada.
Ele não é um Bradford, mas sabe ser tão irritante quanto. E esta história começa há 25 anos...

Ainda pequeno, na época da escola, Connor já achava que Rory James existia para que ele pudesse atormentá-la. E esse tormento vinha na forma de todo e qualquer tipo de bullying, que sempre terminava com os dois sendo levados à diretoria.
Existia uma regra na escola de que era desaconselhável que os dois fizessem parte da mesma turma ou de qualquer projeto, mas sempre havia um professor desavisado ou que achava que conseguiria contornar qualquer situação. Ledo engano.Geralmente, no final do dia, era os dois sujos de lama, ou arranhados e descabelados, ou ainda, com parte do material escolar estragado por ter sido jogado na lama/água, etc.

Um pouco mais velhos, o tormento continuava. Mas havia uma certa regra implícita: Connor atormentava Rory (e por incrível que pareça, ele nunca apanhou dos 5 irmãos mais velhos dela por causa disso), mas não deixava que ninguém mais a fizesse infeliz.
Ao saber de uma aposta que rolava de que o namoradinho dela iria tirar-lhe a virgindade, Connor não pensou duas vezes em desmascarar o carinha e fazê-lo apanhar feio dos irmãos dela - Craig, Sean, Brian, Bryce e Johnny.

Mais alguns anos se passaram e eles tornaram-se concorrentes também nos negócios. Ambos tinham uma construtora. A dela se chamava Shadows Construction e a dele, Highland Construction.
Quando ela comprou uma casa antiga e a reformou, ele imediatamente comprou a irmã gêmea desta e fez o mesmo. Isso quer dizer que eram rivais e vizinhos.

Agora eles estavam indo até o escritório do Sr. McGill e acabaram descobrindo que teriam de trabalhar no mesmo projeto.
Era um antigo hotel da cidade, o Strawberry Fields Manor, que precisava de uma reforma severa, e com o prazo de inauguração apertado, a apenas 5 meses, seria melhor que duas empresas trabalhassem juntas. E assim, começa uma nova rivalidade...


Na manhã do início das obras a primeira briga: quem chegaria primeiro para montar o acampamento. Nessa, Rory venceu. Depois, Connor agia como um petulante machista dizendo que o serviço era perigoso demais para uma mulher e que ela não deveria se arriscar subindo no telhado.
Para acabar com isso, no dia seguinte, Rory deu um jeito de entrar na casa de Connor, algemá-lo à cama e deixá-lo lá. Quando ele apareceu na obra, foi atrás dela para tirar satisfação e foi daí que tudo mudou...

Um acidente...

Trabalhando na área que deveria ser a nova adega, uma cratera se forma engolindo Rory no fundo. Desesperado, Connor entra no buraco e ajuda-a a sair. Ela é levada ao PS, com o braço quebrado e várias escoriações. Naquela noite, nenhum dos irmãos dela ficou para fazer-lhe companhia ou lhe dar medicamentos. Connor tomou essa tarefa para si.

Acontece o primeiro beijo. E enquanto Connor se sente perdido em relação a esse novo sentimento que brota em relação a ela, Rory se pergunta por que ele está sendo tão legal com ela já que passou a vida atormentando-a.

Assim que consegue retornar ao trabalho, Rory conversa com seu secretário, Jacob, sobre um determinado projeto. Para descobrir do que se tratava Connor ameaça o secretário e o prende com fita adesiva na cadeira.
O projeto tratava-se sobre a reforma das suítes e Connor consegue o projeto na frente dela.

Mas antes de pensar em fazê-lo ele mesmo, ele ofereceu a Rory uma proposta diferente: ele deixaria que a empresa dela fizesse as suítes e levasse todo o crédito por isso se... ela fingisse ser namorada dele e estar apaixonada por ele ao longo dos 5 meses da obra.
O plano dele era convencer os irmãos superprotetores dela de que eles realmente se amavam, que ele tratava a irmã deles com toda deferança e, assim, convencê-los a sair da empresa dela para trabalhar para ele.

No começo tudo é meio difiícil. Todos estranharam aquela mudança de comportamento deles. A fama da briga deles era tão grande que nada menos que 57 estabelecimentos na cidade tinha uma ordem de restrição quanto a atender os dois juntos. Mas aos poucos essa restrição foi retirada e as pessoas passaram a torcer que o casal desse certo.

Os irmãos dela não ficaram muito convencidos. Viviam ameaçando-o através de sussurros, mensagens de texto ou bilhetes. Além disso, apareceram na casa dela dois primos enormes, Trevor e Jason, com a desculpa de ajudarem a levarem a obra adiante.
Estes eram mais fáceis para Connor manipular. A fama deles por serem famintos era grande, e Connor passou a apresentar uma lista de todos os lugares com buffet do tipo "coma o quanto aguentar" que ainda não tinha ordem de banimento contra os Bradford.

O pai de Rory não deu nenhuma opinião sobre aquele namoro repentino, mas obrigou Connor a participar da pescaria masculina da família James que tinha todo domingo.

A obra tomava seu rumo. O Sr. McGill queria que o projeto original da adega fosse ampliado e para isso, o projeto da suíte de Rory teria de ser postergado para o final ou não conseguiriam terminar a tempo.
O outro projeto de Connor acabou tomando uma nova proporção também.
Finalmente ele caiu em si que a paixonite que tivera por Rory alguns anos antes não havia terminado,e agora, ele não a queria apenas por poucos meses. Ele a queria para a vida toda. E teria de aproveitar todas as chances para convencê-la de que formavam o casal perfeito.
Mimá-la era uma das metas e todos na cidade sabiam do vício de Rory...


CHOCOLATE QUENTE!!!
Se ela estava bem, a bebida era para comemorar. Se ela estava mal, a bebida era para acalmar. E Connor deu de presente um armário com todo tipo de utensílios e sachês para que ela preparasse sua bebida predileta.
Além disso, como já compartilhavam mais do que somente a companhia um do outro, ele se mostrava o mais apaixonado dos amantes que ela encontrara.

Junto com esse prazo apertado da obra, Connor, que era sozinho no mundo - sua mãe havia morrido cinco anos antes - vivia um novo dilema. Seu amigo e empregado na empresa, Andrew, estava com leucemia, e por ter um tipo raro de sangue, AB, ele sabia que seria difícil arranjar um doador compatível. Não querendo passar por toda essa peregrinação, ele simplesmente se entregou. A doença estava em estágio avançado e ele acabou pedindo demissão e, com isso, perdendo o direito ao seguro saúde para obter as drogas paliativas. Connor estava arrasado porque perderia o amigo, e pior, este não deixou que ele contasse a ninguém.
Rory acaba fazendo-o falar e ela toma as rédeas da situação. Com ajuda de seus dois primos, ela sequestra Andrew e o leva para a casa dela. Passa a alimentá-lo e dá um jeito no seguro saúde para ele; coloca-o na fila do transplante. Quando ela tinha que trabalhar, deixava um dos rapazes tomando conta dele para que não tentasse fugir. Logo apareceu um doador compatível anônimo e ele poderia fazer a cirurgia.

Feliz pelos acontecimentos e por estar com a mulher que amava, Connor resolve se declarar, mas a reação de Rory é inesperada. Ela não acredita nele. E uma história do passado retorna para atormentar o que eles poderiam ter vivido já há algum tempo. Connor insiste na ideia e consegue convencê-la sobre seus sentimentos.

Passados alguns dias, Rory avisa que precisa fazer uma viagem inesperada. A esposa de seu primo, Zoe, teve o segundo par de gêmeos e estava precisando de ajuda extra. Ela ficaria fora por poucos dias.
Acontece que durante esse período, Rory não entrou em contato com ele. Preocupado, ele liga para Trevor e acaba descobrindo que Rory nunca esteve lá. Ela estava ali mesmo, em New Hampshire, num hotel de luxo, curtindo 3 dias ao lado de um homem.
Quando Rory volta de "viagem", Connor lhe toma o anel de noivado e termina tudo, dizendo não poder continuar com o noivado já que ela estava traindo-o com outro homem bem nas barbas dele.
E Rory, que finalmente havia entendido que Connor fazia parte de seu passado e ela o queria fazendo parte de seu futuro, agora teria de convencê-lo de que ela queria mais do que apenas 5 meses do mais puro sexo regado a chocolate...



Uma guerra que dura 25 anos, e no meio dela que o leitor é jogado.
Algumas cenas dessa época são descritas, começando em 25 anos, depois em 20, 15, 10...
O que poderia ser a parte engraçada - porque na verdade é a parte explicativa - acaba sendo meio cansativo.
Mas no tempo presente, quando ocorre o acidente na obra, aí sim, tudo começa a ficar interessante.

Connor não teve uma vida fácil, mas até perder sua mãe há cinco anos, ele lutou para ser reconhecido pelo seu bom trabalho e montou a Highland a partir do zero.
Rory teve um pouco mais de proteção... aparente.
Tendo cinco irmãos mais velhos, não fora fácil viver numa casa onde, sendo a caçula e dum sexo considerado frágil, ela tinha que mostrar o seu valor diariamente.
Aos sete anos ela começara a trabalhar na empresa de construção do pai, e não era em serviço burocrático de escritório. Na verdade ela tinha pavor dessa parte.
Quando resolveu montar sua própria empresa, conseguiu convencer seus irmãos a trabalharem com ela.

Ter Connor sempre em seus calcanhares foi um tormento do qual ela cresceu com isso. Mesmo quando criança, ela pegou uma baita gripe e não podia sair do quarto, ele deu um jeito de invadir o quarto dela para atormentá-la. Lógico que ele acabou pegando a mesma gripe e aí foi a vez dela de retribuir o tormento.

Ela tinha uma mágoa contra ele por conta dele ter atrapalhado os planos de estudos dela, por causa de uma confusão que acontecera no Canadá.
Ao completar 18 anos, os irmãos de Rory a levaram vendada até o Canadá para que ela pudesse tomar o seu primeiro porre. Lá, ela bebeu tanto que acabou saindo do bar quase carregada por um cara que não tinha a melhor das intenções. Os irmãos dela estavam tão bêbados também que não notaram sua ausência.
Mas Connor estava lá. E por conta de uma briga, com direito à facada e polícia, os dois foram presos.

Connor nunca contou sua versão dos fatos....até agora, quando estava prestes a perdê-la. E é aí que o leitor tem a devida proporção do quanto ele a amava já há bastante tempo.
Vários segredos começam a aflorar e essa se torna uma das histórias de amor mais fofas já escritas.  

Também há muitos trechos engraçados, principalmente envolvendo o aparecimento de Jason e Trevor, e depois o resto da família Bradford, num churrasco.
A fama de má cozinheira de Zoe já corre solta a ponto de Jason e Trevor usarem o nome dela como desculpa para que ninguém se aproxime da bandeja de cupcakes.

O lado da amizade também, com a doença de Andrew, é um ponto forte no livro.

E a explicação do comportamento do pai de Rory a toda essa confusão do romance da filha com seu principal inimigo, acaba sendo uma parte tocante, que prova que para tudo na vida há mais do que somente um lado da história.

O livro é um pouco maior que os anteriores, e tirando essa primeira parte em que Connor fazia questão de transformar a vida de Rory um inferno, a história encanta.

4,5 estrelas.



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