quinta-feira, 23 de abril de 2015

R. L. Mathewson - Truce (Neighbor from Hell #4)



Ficha técnica: Truce
Autora: R L Mathewson
Editora self
Lançamento original: outubro/2013
Lançamento BR: ainda não
281 páginas
POV: terceira pessoa
Gênero: Romance de época; Chick Lit

Protagonistas: Robert Bradford e Elizabeth Stanton
Local/ano: Londres; Bridgewater, Massachusetts/1809; 1824; atual

Esta é a história de como tudo começou ...

Elizabeth sabe o que se espera dela, a perfeição. Ela é a filha de um conde e é esperado que se case bem, diga e faça as coisas certas com um sorriso em seu rosto quando por dentro está morrendo por uma chance de escapar. Graças a uma herança que sua madrinha deixou anos atrás, sua chance virá em seu próximo aniversário. Suas esperanças de fuga terminam abruptamente quando Robert, seu nêmesis de infância que ela não vê há mais de 14 anos, aparece de volta à sua vida e faz tudo que pode para fazê-la perder a cabeça, assim como ele rouba seu coração.

Ele a odiava.

Pelo menos, ele tentou odiá-la, mas era tão difícil odiar alguém da qual ele não conseguia viver sem. Ele tentou ignorá-la, tentou se concentrar em qualquer coisa, menos nela, mas nada funcionou. De alguma forma, ela fez seu caminho em seu coração e começou a fazê-lo querer coisas que ele nunca achou possível, o fez sorrir e rir, mesmo quando ela o expulsou de sua mente e começou um legado por transformá-lo em ...

Um Bradford.


Uma tradição.
Os Bradford têm uma tradição de que no quinto aniversário de casamento, o marido deve entregar à esposa, dentro de uma caixa de madeira, um colar feito de pedras. Essas pedras devem vir de diferentes lugares significativos ao casal



E chegou a vez de Jason. Ele estava todo enrolado, faltando pouco mais de 2h para o início da festa. O pior é que, segundo a tradição, ninguém poderia ajudá-lo.
Jared, pai de Jason, aparece para recontar a história (e comer um lanchinho enquanto a festa não começa, é claro), e foi assim que tudo começou...

Elizabeth era apaixonada por James Bradford. Não importava que ele já fosse adulto enquanto ela só tinha uns 7 anos. Ela ficava olhando-o ao longe e suspirando o dia que teria a chance, assim como sua irmã Heather estava tendo agora, de ser acompanhada por ele e poder segurar-lhe o braço.
Ainda que estivesse escondida observando-o, Elizabeth tinha que lidar com o terrível Robert Bradford, irmão mais novo de James.
Robert não se contentava em implicar com ela. Não, ele tinha que ser malvado e incitar outros garotos a fazerem o mesmo. Quando ele a chama de a irmã Stanton mais feia e gorda, ela não se segura mais e fala em alto e bom som um acontecimento da semana anterior que o envolvia. Por causa do que acontecera, Robert recebe o apelido de "Robert Lemonade" e seu futuro agora estava selado...

Os anos passam e agora, prestes a completar 24 anos, Elizabeth não vê a hora em que pode alcançar sua independência. Sua madrinha havia lhe deixado uma pequena herança e uma propriedade. Com elas, Elizabeth poderia cuidar da própria vida, sem precisar mudar de dono, de seu pai para um marido.
Seus pais estavam preocupados com o estado civil dela. Ela era a caçula. A mais velha, Mary, havia conseguido fazer um bom casamento, com Anthony, os dois se amavam, e Anthony adorava e protegia Elizabeth, mantendo a esposa bem informada sobre os solteirões da sociedade para que evitassem os caça-dotes. Por outro lado havia Heather, que já era considerada uma solteirona, gorda, e logo seria despachada para ser dama de companhia de alguma tia viúva no campo.

Já que Elizabeth não tinha a sorte de Mary, de se casar por amor, ela preferia continuar solteira, independente e feliz. Por isso mesmo, ao longo de 5 anos, ela já havia recusado 55 pedidos de casamento.
Seu pai faz um jogo de palavras, prometendo-lhe dar antecipadamente sua independência se ela aceitasse ter pelo menos mais uma temporada. Ela concorda e eles partem para Londres.

No primeiro baile, na casa da irmã, Elizabeth mostrava-se educada, aceitando o maior número possível de convites para dançar. Mas quando sua mãe tenta empurrar-lhe para cima de Lord Dumford, ela vê que é hora de dar uma pausa.
Sua mãe via em Lord Dumford a oportunidade de sua filha fazer um bom casamento com um homem rico, mas Elizabeth só via um homem velho, gordo, careca e repulsivo.
Fingindo precisar tomar ar, ela foge para a área do laranjal e lá, sentada num banco, ela põe-se a ler uma de suas peças de Shakespeare preferida.

Robert estava de volta a Londres. Graças a sua mãe, ele se vira preso a ficar pelo menos 4 semanas da temporada, e se comportar muito bem por sinal, para ajudar seu irmão James a arrumar uma nova esposa. Bem, antes James do que ele...

James havia se casado com Lady Miranda. Era era rica, gastadeira, mimada e manipuladora. Acabou morrendo atropelada por uma carruagem quando atravessava a rua para não ter que dividir a calçada com uma mulher pobre parada conversando com o clérigo. Três anos se passaram e agora a Sra.Bradford achara que já fora tempo suficiente para ficar solteiro. E como herdeiro, ele precisava ter filhos.

No baile de Mary, os Bradford e Norwood se encontram, eram vizinhos na casa de campo.
Robert vinha há 14 anos evitando os Norwood desde aquela tarde em que Elizabeth mudara seu destino.
Por conta do apelido que ela lhe dera, a vida dele na escola virou um inferno. Todos os garotos implicavam com ele, faziam-no sofrer estragando seu material escolar ou jogando vinagre em sua cama. Algumas vezes eles também se juntavam para dar-lhe uma surra. Só muito tempo depois, cansado de tanta perseguição, ele resolveu revidar. Mas sua vida estava marcada para sempre.

Tentando cumprir o que a mãe propusera, ele convida Lady Penelope para dar uma volta pelo salão, mas logo fica mortificado com a cabeça vazia dela. Só sabia falar do tempo e dos novos vestidos. E para completar, ainda falara mal da peça de Shakespeare preferida dele! Não, era muito para aguentar. Ele foge para o jardim antes que as outras casadouras o encontrem.

Ao chegar no laranjal ele encontra uma jovem sozinha, sentada, rindo ao ler um livro. Sem conseguir se conter, ele se aproxima e passam a conversar.
Sem se conhecerem, eles puderam falar abertamente de seus gostos e projetos para o futuro.
Quando ele descobre que o livro que ela lia era o mesmo preferido dele, ele não se contém e a beija.
Do beijo logo estavam se acariciando um pouco mais ousados, e para a consumação do ato foi um pulo.
Ao terminarem, totalmente encantado por aquela moça que acabara de lhe entregar a virgindade, Robert quis fazer a coisa certa; se apresentar e dizer que precisavam se casar.
Mas ela não quis saber de nada. Nem do nome dele, e nem da possibilidade de ter engravidado.
Preocupado, ele entrega a ela um papel contendo seu nome e como encontrá-lo. Ela coloca em sua retícula sem sequer lê-lo, e parte.

Mais tarde, no baile, Lady Bradford leva Robert até onde estava a família de Elizabeth e qual o choque dele ao descobrir que a moça do laranjal era ela.
Como ela conseguira ficar tão bonita, magra e interessante?
E Elizabeth, que disfarçadamente pega o pedaço de papel em sua retícula e descobre que Robert Lemonade era o homem para quem entregara sua virgindade?

Mas isso não era tudo. Além do choque dessa revelação, Robert percebeu que os pais das duas famílias planejavam um novo casamento entre eles. Elizabeth e... James!!

Como assim? Sua diabinha nas mãos de outro homem? Não, seu irmão poderia ter qualquer mulher, exceto Elizabeth. E a partir daí começa sua campanha em atrapalhar qualquer futuro romance entre aqueles dois.



E mesmo sendo errado, quem disse que ele se importa?
E os acontecimentos futuros acabam dando uma forcinha...
Ao se dirigirem à casa dos Bradford para esticarem a noite, descobrem que a casa estava em chamas, e assim, o pai de Elizabeth convida os amigos a se hospedarem na casa dele até que a casa deles estivesse restaurada o suficiente para ser novamente habitada. Isso queria dizer que Robert e Elizabeth ficariam sob o mesmo teto por mais algum tempo.

Assim, eles tiveram chance de brigar por causa do escritório dela (que ele fez questão de invadir e usar como seu próprio escritório), a contratação de um novo secretário (quando ela tenta roubar o dele), um certo banho dentro do tanque de lavar roupa...
Mas a preocupação que não deixava Robert em paz era se Elizabeth havia engravidado naquela noite no laranjal.

Ele pagara a dama de compahia de sua mãe para vigiar qualquer novidade sobre Elizabeth, e é quando a bomba cai: ela estava há 2 meses sem menstruar.

Naquela tarde Robert teve que tomar uma medida drástica, já que Elizabeth insistia em dizer que não estava grávida; ele entra na sala em que todos estão presentes, no momento em que James, seu irmão, e Lord Dumford brigavam pela mão de Elizabeth, para anunciar que ela não poderia se casar com nenhum deles porque já havia aceitado casar com ele... por motivos óbvios.

Comoção geral!!!

Eles se casam sob uma licença especial e Elizabeth fica sabendo que havia uma cláusula no testamento da madrinha em que dizia que ela só receberia a herança debaixo de suas condições: se se casasse bem (leia-se de forma honrada, o que não era o caso) ou, se não se casasse, se se mantivesse virgem até completar a idade de 24 anos (Ixi! Piorou!). Com isso, a herança passou para sua irmã solteirona Heather, que com certeza não tinha os mesmos planos de Elizabeth de gastar o dinheiro ajudando o próximo.
Ao ouvir esta notícia, ela passa mal e começa a sangrar. O médico anuncia que ela perdera a criança.

À essa altura, Robert já tinha certeza de uma coisa: ele não abriria mão de sua esposa.
Ele não tinha títulos como seu irmão. Sua fortuna era fruto de investimentos bem feitos quando recebera parte de sua herança aos 18 anos. Diferente do irmão que gastava seu dinheiro com jogos e mulheres, Robert focava em ampliar seus rendimentos e em sua propriedade. Mas o seu verdadeiro plano, antes mesmo de Elizabeth ressurgir em sua vida, era vender tudo e partir para a América.

Com a doença de Elizabeth, ele fica lívido, desesperado, achando que perderia a mulher amada e por nenhum instante ele sai do lado dela, cuidando para que se recupere.
Agora eles precisavam planejar suas vidas juntos. Ela aceita ir para o novo país com ele e até se mostra animada com a notícia.
Resolvem deixar a guerra para trás e começarem do zero.
Ao término da viagem de navio, ao desembarcarem em Massachusetts, uma nova surpresa à vida do casal.

Logo, com o dinheiro da venda de suas terras na Inglaterra, Robert compra uma casa para eles, que precisava muito de uma reforma. Ele começa a trabalhar como carpinteiro, profissão que aprendeu ainda na escola quando, num acesso de ira de tanto ser maltratado pelos colegas, joga uma carteira pela janela. O diretor, então, lhe dá um ultimato: ou conserta o estrago ou seria expulso. Com a ajuda de um carpinteiro local, ele aprende a consertar a carteira e vai mais além. E se torna muito bom no que faz. Tão bom que agora, na América, as pessoas da cidade procuravam pelos seus serviços.

Os anos passam e com pouco dinheiro, mas muito amor, os Bradford criam uma família unida. E no quinto ano de casamento, Robert dá a Elizabeth um colar feito de pedras dos locais que eles estiveram desde a Inglaterra (muitas delas James trouxera para ele em suas visitas). Desde o local da briga deles quando surgiu os apelidos, até a área sob a janela do quarto onde Jonathan, o caçula deles, havia nascido.
E assim, a tradição dos Bradford nasce. E para falar a verdade, há mais coisa nessa tradição que a família nos dias atuais faz questão de manter, mas isso é outra história...




Com esse livro mais do que uma tradição foi começada.
Pegando logo do início, vemos que as famílias de Elizabeth e Robert eram vizinhos em uma de suas propriedades. Eles se conheciam desde sempre. Isso faz com que a tradição de infernizar a vida da(o) vizinha(o) já começasse ali.
Ainda havia a questão da comida. Por alguma razão Robert se justifica mais tarde que tudo começou por causa de Elizabeth, mais ou menos como uma maldição que ela lançou nele; por isso os Bradford são tão afoitos por comida. Nesse quesito, apesar de Elizabeth ter sido criada para ser uma lady, lá no laranjal, quando não se reconheceram, ela admitiu que uma das coisas que gostava de fazer - e fazia bem - era cozinhar. Um dos importantes pontos para um Bradford achar numa esposa (Bom, Zoe continua sendo exceção à regra, caso você tenha lido o livro #5).
E há mais um detalhe, qua acontece no livro #1 e #3: quando os homens passam a ter uma baita insônia a não ser que consigam entrar furtivamente na cama das mulheres. O mesmo acontece aqui com Robert.

Elizabeth e Robert acabam por se apaixonar em momentos diferentes em suas vidas, mas como um bom Bradford, uma vez que ele chegue a essa conclusão, ninguém consegue demovê-lo da ideia de tê-la para si; nem mesmo quando a mulher está praticamente nos braços do próprio irmão.
Ele sabia que James não daria o devido valor a Elizabeth assim como ele. James já havia confessado que se casando com ela, ele não abriria mão de sua amante já que ele tinha ficado numa fila de espera para consegui-la (Uau! Essa amante é das boas, hein!).

Quando foram à América e Robert pôs-se a trabalhar como carpinteiro, ali também ele deu o pontapé no que seria a empresa de contruções dos Bradford.

Se o leitor prestar atenção, são vários os detalhes até que se chegue na geração atual.

Todo mundo sabe que romance de época é meu gênero literário favorito.
A autora não se preocupou em entrar em momento histórico; ela apenas disponibilizou as datas para que o leitor se encontrasse e soubesse como tudo começou no clã.
Mas mesmo sem ser uma autora desse gênero, ela não fez feio, e conseguiu manter o clima leve e divertido que são características de seus livros.

Mais uma vez, é um livro que pode ser lido separadamente, mas conhecendo os outros, dá um gostinho melhor.
Até o momento, com 5 livros lançados, gostei de todos e seria muito legal se alguma editora brasileira desse esse passo de trazer essa série.

Enquanto não vem, vamos manter as atualizações de cada lançamento, com o próxima na semana que vem. 

*Gravura de Jon Paul Ferrara: www.jonpaulstudio.com




2 comentários:

  1. Nossa que fantástico, por mais que muitas das pessoas da época não gostassem, eu amo tradições, as boas apenas, acho tão bonito.
    Acho que é porque hoje não temos quase nem uma.
    Sexo, Fraldas e Rock'n Roll

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  2. Gostei da resenha mas não consigo encontrar em português. Alguém sabe se já foi lançado

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