quinta-feira, 13 de agosto de 2015

ESQUENTA BIENAL | Tessa Dare - Uma Semana para se Perder (Spindle Cove #2)



Ficha técnica: Uma Semana para se Perder (A Week to be Wicked)
Autora: Tessa Dare
Editora Gutenberg
Lançamento original: março/2012
Lançamento BR: agosto/2015
288 páginas
POV: terceira pessoa
Gênero: Romance de Época; Chick Lit; New Adult

Protagonistas: Colin Sandhurst Payne - Lord Payne - e Srta. Minerva Rose Highwood
Local/ano: Spindle Cove; Londres; Grantham; York; Northumberland; Edimburgo/1814


"O que pode acontecer quando um canalha decide acompanhar uma mulher inteligente em uma viagem? 

A bela e inteligente geóloga Minerva Highwood, uma das solteiras convictas de Spindle Cove, precisa ir à Escócia para apresentar uma grande descoberta em um importante simpósio. Mas para que isso aconteça, ela precisará encontrar alguém que a leve. 
Colin Sandhurst Payne, o Lorde Payne, um libertino de primeira, quer estar em qualquer lugar – menos em Spindle Cove. Minerva decide, então, que ele é a pessoa ideal para embarcar com ela em sua aventura. Mas como uma mulher solteira poderia viajar acompanhada por um homem sem reputação? 

Esses parceiros improváveis têm uma semana para convencer suas famílias de que estão apaixonados, forjar uma fuga, correr de bandidos armados, sobreviver aos seus piores pesadelos e viajar 400 milhas sem se matar. Tudo isso dividindo uma pequena carruagem de dia e compartilhando uma cama menor ainda à noite. Mas durante essa conturbada convivência, Colin revela um caráter muito mais profundo que seu exterior jovial, e Minerva prova que a concha em que vive esconde uma bela e brilhante alma. Talvez uma semana seja tempo suficiente para encontrarem um mundo de problemas. Ou, quem sabe, um amor eterno."




"A todas as garotas que andam e leem ao mesmo tempo"
(dedicatória do livro)



Definitivamente uma dupla que tem tudo para dar errado...

Minerva Highwood não larga os livros desde que, tardiamente, os descobriu - isso por conta de seu problema de vista que só foi detectado por uma empregada.
Sendo a filha do meio da Sra. Highwood, enquanto Charlotte tinha o seu charme por ainda ter 15 anos, e Diana já era considerada a grande beleza por onde passava, com seus belos cabelos louros, Minerva era... Minerva. Única filha com cabelos escuros, ela era considerada sem curvas no corpo, sempre com livro na mão, distraída, sem jeito com os homens... Numa única palavra: incorrigível. Uma grande candidata a ficar solteirona.
Mas nos planos de Minerva não havia a palavra marido. Como entusiasta no estudo de rochas, ela havia feito uma grande descoberta em Spindle Cove e precisava viajar para Edimburgo, na Escócia, para apresentar-se num simpósio. Problema: ela precisava de um acompanhante.
Quem seria o perfeito acompanhante senão aquele que estava louco para se mandar daquela cidade pacata?
Além disso, um outro motivo levou Minerva a procurar por ele: havia um rumor na cidade desde o dia anterior de que ele escrevera para o advogado. E todos sabiam - o grande problema de se viver numa cidade do tamanho de um ovo - que ele só receberia sua herança quando completasse 27 anos ou... se casasse. E quem era o alvo? Diana, sua irmã. E Minerva faria de tudo para proteger sua irmã de um canalha daquele.

Colin Payne estava entediado até a alma.
Seu primo, Victor Bram, era o chefe da milícia em Spindle Cove e seu tutor. Por conta de Victor, Colin estava preso àquela maldita cidade. Mais ainda depois que Victor casou-se com Susanna Finch e agora esperavam o primeiro filho.
Colin queria voltar para Londres, poder participar da vida noturna, jogar, dormir com belas mulheres, curtir a vida; e não viver numa cidade pacata cercada por ovelhas e solteironas.
Qual foi sua surpresa quando tarde da noite recebe a visita da Srta Highwood não só lhe inquirindo sobre um pretenso casamento com sua irmã mais velha, Diana, como pedindo-lhe que a acompanhasse até a Escócia.

Seria inadmissível os dois viajarem sozinhos, mas eles teriam alguns dias para convencer toda a cidade de que estavam apaixonados um pelo outro. Bom, Minerva poderia até convencer a todos, mas quem acreditaria que um homem como Colin se apaixonaria por uma garota como ela?
Obviamente ele não aceita a proposta, afinal, mesmo sendo um canalha, ele tinha seus princípios.
Mas uma série de infortúnios faz com que Colin mude de ideia. 
Ele era bem conhecido por ser um fanfarrão atrapalhado que acabava por atrair todo tipo de confusão, de preferência as mais explosivas. Mas ele estava cansado de decepcionar as pessoas. E se ele ia começar a fazer algo por alguém, por que não para a Srta. Highwood?
Mas parecia que quanto mais ele queria fazer as coisas certas, mais erradas elas ocorriam; e mais uma vez Colin decepciona.

Determinada a convencê-lo, Minerva o leva para o seu lugar especial e lhe explica sobre sua pesquisa, mas é a partir daí que uma nova pesquisa começa a ser feita em relação a ela e seu - parco - conhecimento da figura masculina.
Minerva é antes de tudo uma cientista e, como tal, precisava estudar, observar e testar as teorias, certo? Lição número 1: o beijo.

Depois de muito discutirem, a viagem acontece. Colin pontuou uma série de condições caso ela o aceitasse como acompanhante. Sem ter muita escolha - a pesquisa valia a pena! -, ela as aceita. E dentre elas era: ele tinha sérios problemas para dormir e nunca dormia sozinho. NUNCA. Daí vem a lição número 2: o prazer.




A viagem até Edimburgo duraria vários dias e se eles pensavam que seria interessante, nada os preparou para a quantidade de aventura vivida.
Enquanto viviam a vida de amantes, assassinos, engolidores de espada e encantadores de cobra, Colin e Minerva iam permitindo que as várias camadas que escondiam seus medos e desejos caíssem.
Colin conheceu a impetuosidade; a voz doce; o carinho; a boa mira de Minerva. Minerva apiedou-se do menino que perdeu os pais; que tem medo do escuro e de lugares apertados; que não gosta da solidão; que tem uma mente criativa e é superprotetor, e acima de tudo, o homem por quem ela sempre se sentiu atraída.

A aventura vivida estava além das expectativas, mas as marcas deixadas seriam mais profundas do que a dor da vergonha ao voltar sozinha e desonrada para Spindle Cove...



Ter uma beleza comum. Saber que as irmãs sempre serão mais do que ela. Refugiar-se nos livros e em suas pesquisas e saber que ali ela era alguém. Esta é Minerva.

Na verdade, esta é Miranda. Melinda. Marietta. Melissa. Marianna. Madeline. Matilda. Michaela. Morgana. Melissande. E todos os nomes de mulheres que comecem com a letra M. Era assim que Colin a via.

Desde que se conheceram em Spindle Cove, a animosidade dos dois podia ser cortada com uma faca de tão densa que era. Mas Minerva precisava viajar, precisava de companhia, e precisava colocar Colin o mais longe possível de Diana.

Um vivia implicando com o outro, e nessa forma eles acabam por criar quase que um idioma próprio para se comunicarem. Fosse por disputarem termos matemáticas, ou por criarem personagens ousados, com direito a grito de guerra.

A convivência deles durante todo aquele tempo acaba funcionando como uma terapia.
Miranda precisava que alguém lhe mostrasse seu valor. Ela nunca havia sido elogiada, ou sequer notada; e lá estava ela, cheia de qualidades. Não era uma beleza como a irmã mais velha, mas tinha detalhes que chamavam atenção. Ela só precisava ser devidamente cortejada.
Já Colin sabia de seu valor. Ele era bonitão, tinha uma fortuna esperando-o tão logo fizesse aniversário - dois meses à frente -, e sempre tinha uma mulher viúva disposta a aquecer-lhe a cama e não deixá-lo dormir sozinho. Ele não pensava em casamento, mesmo tendo o título de visconde e eventualmente precisar ter um herdeiro; portanto, nem pensar em cortejar virgens. Mas Minerva o intrigava; era quase um desafio fazê-la sair de sua concha. E ao longo daqueles dias, ela não o decepcionou.

Tudo e mais um pouco aconteceu durante a viagem. Isso sem contar que precisavam sempre carregar "Francine" (nem me pergunte quem é. Leia).
O mais bonito é acompanhar a transformação de cada um, e nesse ponto a autora não economizou em detalhes e cenas tocantes.

Há brigas de todos os tipos; fugas; confusões. Mas há descobertas; sedução; beijos; desejos. E Colin e Minerva acabam invariavelmente enredados na teia do escândalo que eles sabiam que seriam os protagonistas, mas o preço era bom demais para deixar de pagar...

Há o aparecimento dos personagens já conhecidos do livro anterior, como Bram e Thorne. Este inclusive é o protagonista do próximo livro e seu pretenso romance já começa a ser esboçado neste livro aqui.
O ritmo é ótimo e tem muitos diálogos interessantes. No final do livro a autora ainda dá uma explicação sobre o período histórico em que os personagens estão vivendo, além de explicar sobre a paixão de pesquisa de Minerva.
Lado negativo: este é o livro 2, mas a editora pulou o livro #1,5, que traz a história de outra das moças solteironas, Violet Winterbottom (sim, ela apareceu bastante no livro #1).
A capa é fofa demais, e a editora teve a delicadeza em lembrar que a personagem usa óculos.

capa original



Este livro está com um estilo bem mais sensual do de Lisa Kleypas, apesar de conter cenas engraçadas ao estilo Julia Quinn. Portanto, mantenho minha opinião sobre a diversidade da autora. Ela é boa escrevendo os dois tipos de cenas.
Definitivamente essa série encantou. Mal posso esperar pelo próximo, com Thorne e seu jeitão sério e mal-humorado.

5 ESTRELAS!!!!


Faltam 21 dias para a Bienal/RJ



*Gravura casal: Jon Paul Ferrara - www.jonpaulstudios.com

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