terça-feira, 22 de setembro de 2015

[Espólio Bienal 2015] Veridiana Maenaka - Onde o Amor se Esconde



Ficha ténica: Onde o Amor se Esconde
Autora: Veridiana Maenaka
Editora Verus
Lançamento: 12/setembro/2015
350 páginas
POV: primeira pessoa - Glória
Gênero: Romance de Época; Drama

Protagonistas: Maria da Glória Cerqueira Galvão; Erasmo Galvão; Marisa Proença; Fernando Albuquerque; Marcelo Prates
Local/ano: São Paulo/início século XX

"Na São Paulo do início do século XX, a jovem Glória sonha com o amor, ao contrário de sua amiga Marisa, cujo desejo é viver tão livremente quanto os homens.
Glória, de família tradicional, se casa com o homem escolhido por seu pai. Rico e ambicioso, porém emocionalmente distante, esse homem vê na esposa apenas uma prova de sua ascensão social. Incapaz de dar um herdeiro ao marido, Glória vive uma rotina de violência crescente, enquanto Marisa se casa com o pretendente que escolheu, um notório libertino.
A infelicidade de Glória a torna suscetível à sedução de outro homem, e eles têm um encontro avassalador, marcado pela descoberta sexual da jovem. Envolvida em uma trama de luxúria, Glória pode conhecer um prazer jamais imaginado, mas será essa a sua chance de viver um grande amor?"



Maria da Glória Cerqueira Galvão, chamada apenas de Glória pelos amigos, encontra-se presa num quarto por dias. Seu captor? O próprio marido, Erasmo Galvão. Seu delito? Ser mulher...

Aos 17 anos, Glória estava na fase perfeita para o casamento. Seu pai, Euclides Cerqueira, um advogado renomado, queria para a filha o que de melhor existisse dentre os homens ricos e poderosos da São Paulo do início do século XX. Glória, como uma boa filha, acataria as ordens de seu pai.
Sua melhor amiga, Marisa, já era bem diferente. Considerada uma jovem moderna demais, Marisa tinha ideias bem fortes sobre que tipo de marido seria o ideal para ela. Nada arranjado por ninguém; ela o escolheria. Apesar de serem tão diferentes em temperamento, sendo amigas desde a tenra infância, as duas se davam bem.

Euclides, então, escolheu o marido para a filha. Erasmo Galvão era rico, cafeicultor. Aos 37 anos, ele era um homem sério, de rígidos padrões. Morava no bairro dos Campos Elísios, enquanto sua noiva morava em Higienópolis. Sem os pais ainda vivos, ele contava com poucos parentes, entre eles Emília, viúva de seu tio paterno, e o filho desta, Marcelo Prates, médico.

O casamento acontece e, como previsto por Marisa, Glória não se encontra feliz. Passada a fase de cortejo, com a esposa já garantida como mercadoria adquirida, Erasmo passa a tratar a esposa com radicalismo. Proíbe sua amizade com Marisa, por considerá-la mulher de reputação duvidosa, e não permite que Glória saia muito de casa. Para amenizar a situação depois de ver o estado em que a filha ficou após uma altercação mais séria com o marido, Hortênsia, mãe de Glória, sugere ao genro que encontre uma dama de companhia à filha. Este concorda com a ideia da sogra, mas ao invés de trazer uma senhora com certa cultura, para que tivesse assuntos em comum para conversar com a esposa, ele traz uma senhora analfabeta, simplória. Muito simpática, com vitalidade para passear, mas com nada em comum com Glória. 
Apesar disso, Glória se apega à senhora e se pega rindo de várias coisas ditas por ela. Mas o casamento e seu relacionamento com o marido ia de mal a pior. Além de ele ser tão austero com ela, havia o fator de que Glória não engravidava e ele ansiava por um herdeiro.

Através de Marisa, Glória conhece Fernando, irmão do noivo de Marisa, César Albuquerque, banqueiro. Fernando estudava Direito e pouco ficava na cidade, mas após se encantar por Glória, suas aparições tornaram-se frequentes. Até que chegou ao ponto em que, no casamento de Marisa e César, Fernando encurrala Glória e declara o seu interesse.

Até então Glória mantinha-se com reputação ilibada, sabendo ser pecado o ato do adultério. Mas a falta de carinho do marido e suas grosserias acabaram por empurrá-la nos braços do amante. E para completar o seu calvário, ela descobre que sua dama de companhia, a velha Isidora, é mãe de uma famosa cafetina na cidade; prostíbulo esse que Erasmo é um notótrio cliente.
E então a vida de Glória que já não era fácil, torna-se um inferno na Terra.

Aproveitando uma viagem que os pais dela fariam pela Europa, durando mais de 2 meses, Erasmo prende Glória num dos quartos da casa, proíbe que qualquer empregado a sirva e faz dela seu brinquedo sexual e punitivo.

Dias depois, quando Erasmo viaja para Araras, Glória é resgatada e tem seus ferimentos tratados por Marcelo.
Termina o seu calvário? Ainda não, porque a partir daí os costumes da época caem sobre Glória como avalanche.
E para complementar, ela descobre que sua melhor amiga tem planos nada honrados para ela...



Uma história com excelente narrativa, que prende o leitor desde a prímeira linha.
No entanto, um aviso: o livro contém cenas fortes; violência doméstica e gráfica. Pessoas com problemas sobre assuntos como espancamento, estupro, sodomia, não devem ler.
Mas o que enalteço é que o enredo é bom demais!!

Para começar um diferencial: a história de época se passa no Brasil. Tirando os grandes clássicos, é a primeira vez que leio uma autora atual escrevendo algo que se passa aqui.

Depois, os personagens. Aqui você encontra de tudo; dos mais bonzinhos aos canalhas de carteirinha. Os costumes são muito bem mostrados - em especial aqueles em que o homem pode tudo e a mulher, nada!
O ritmo é perfeito. Há a princípio cenas entre o que ela vive no momento - estar presa no quarto - e o início de sua história de casamento, mas logo presente e passado se fundem e a narrativa segue numa única linha temporal.
O final não decepciona. Drama, mistério, vingança e o romance esperado.

Minha primeira leitura dessa autora e agora quero ler o outro livro dela.
Mais que recomendado!!

5 ESTRELAS!!!

Sobre a autora


Nenhum comentário:

Postar um comentário