quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Loraine Pivatto - Pseudônimo Mr. Queen




Ficha técnica: Pseudônimo Mr. Queen
Autora: Loraine Pivatto
Editora self
Lançamento: 2015
404 páginas
POV: terceira pessoa
Gênero: Romance contemporâneo; Distopia: Young-adult

Protagonista: a Terra
Local/ano: São Paulo/2012-2090

"O ano é 2012,
Dia 21 de dezembro,
E a temida profecia maia acaba de se cumprir.

Cidades devastadas,
Ruas vazias,
A população mundial bruscamente reduzida,
E a história dos sobreviventes começa a ser contada.

Os escolhidos iniciam um novo mundo, baseado nas novas regras passadas através dos sonhos.

Agora serão 2 vidas: 
A primeira até os 70 anos,
A segunda, a partir dos 20 e até os 100.
150 anos no total.
Nenhum segundo a mais.

A nova sociedade começa a surgir:
Sem desigualdade,
Sem dinheiro,
Sem doenças,
Sem possibilidade de mortes prematuras,
Exceto por uma maneira.

Uma única maneira de morrer, mas que não pode ser revelada.
Um segredo que precisa ser guardado.
Para salvar a sociedade de si mesma"




O livro é dividido em 3 partes. Cada uma tendo por foco uma das mulheres da mesma família.
Começando por Regina Brandão. Ela sofreu na pele a mudança da humanidade quando a profecia Maia se cumpriu no ano de 2012.
A destruição não veio por um grande tsuname, um terremoto ou algum evento catastrófico natural. As pessoas "apagaram" no que elas estivessem fazendo e quando "acordaram" os escolhidos estavam ali. Famílias inteiras dizimadas; casais que não estavam juntos; mães sem seus filhos; filhos sem seus pais. A partir daquele dia a humanidade, ou o que restou dela, precisava se reerguer.

Começa-se fazendo uma espécie de CENSO. Quantos restaram? Quem eram? Quais suas especialidades? Por que fulano, e não cicrano? E por aí foi...
Na cidade de São Paulo, onde a história se passa, o CENSO deu o resultado de 224 pessoas, e apenas um casal sobreviveu junto.
Numa espécie de votação informal, Alberto Ramos Pereira foi eleito o governador daquela comunidade que, pouco tempo depois, foi rebatizada com seu nome, sendo assim, os novos cidadãos eram Albertenses.
Os imóveis existentes na cidade, que não foram destruídos num primeiro momento, simplesmente começaram a desaparecer.
Novas casas foram modeladas para todos, e todas elas tinham o mesmo padrão: 100m², com dois quartos.
Alguns dos sobreviventes, engenheiros e arquitetos, acharam que se eles foram escolhidos é porque suas especialidades tinham mais valor e, assim, quiseram construir casas de luxo em condomínios. Estas, tão logo ficavam prontas e seus novos ocupantes tomavam posse, no dia seguinte, amanheciam dormindo no campo. O imóvel havia desaparecido. Depois de 3 tentativas frustradas, finalmente entenderam que era para TODOS terem o mesmo tipo de moradia.

Mas eu disse que a história era dividida focando numa mulher, não?
Bem, nessa primeira parte o foco vai para Regina Brandão. Ela, herdeira e presidente dos Laboratórios Brandão, fez a sua "passagem" no exato instante em que descobria que seu marido tinha sua melhor amiga como amante, Vanessa Albuquerque de Lima, e havia acabado de atirar na tal.
No CENSO feito, para tentar descobrir por que cada um deles havia sido escolhido para sobreviver, havia todo tipo de profissão importante ou até mesmo donas de casas e crianças órfãs. Regina não se considerava nada, a não ser uma assassina.

Ela cria uma amizade forte com outra sobrevivente bem mais nova que ela, Lúcia, que se mostra detentora de um dom muito útil para a nova época.

Com o tempo, uma das sobrevivents conseguiu contactar seu filho em Londres, e a partir daí, descobriu-se que pessoas de várias partes do planeta sobreviveram.
A única informação que eles tinham, tão logo acordaram, era que agora a vida deles seria contada de forma diferente.

Eles teriam duas fases de vida: a primeira, iria até os 70 anos; a segunda, dos 20 aos 100 anos. E olha que maravilha: na segunda vida, quando você renascesse com a beleza, saúde e juventude dos 20 anos, ainda teria consigo toda a sabedoria da vida anterior.

Aos poucos doram descobrindo que já que ninguém deveria morrer até chegar aos 70 anos, quando havia algum tipo de "acidente" (carro ou suicídio), essas pessoas não morriam de fato (aqui, prefiro não dizer o que exatamente acontece com elas - no spoiler).

Uma das crianças remanescentes sem pais era Maria Eduarda, filha de Vanessa. Sentindo-se com consciência pesada por ter sido a assassina da mãe da menina na vida anterior, Regina cria a menina como sua.
Mas quando esta faz 18 anos, mostrando-se tão vaidosa e manipuladora quando a mãe fora, Regina fica sabendo que Maria Eduarda quem enviara o bilhete anônimo para ela, falando das traições do marido. E foi uma revelação bombástica atrás da outra.
As duas se separam, e Maria Eduarda, sempre trocando de namorados, tem uma filha, Larissa Brandão, que é criada por Regina. 

Larissa cresce uma linda menina e, aos 17 anos, namora Paulinho, um rapaz muito inteligente, apaixonado e já bem possessivo com ela.
Com a ajuda e incentivo dele, Larissa consegue uma bolsa de estudos para ir para uma faculdade renomada, e em seu discurso de agradecimento, ela o cita como sendo o grande amor de sua vida. Ele filmava tudo e ficou terrivelmente emocionado. Mas naquele mesmo dia, enquanto comemoravam a vitória dela com parentes e amigos, um ex-namoradinho dela, o Júnior, aparece e cria uma confusão, fazendo Paulinho tomar uma atitude mais drástica. Júnior é expulso do local e Larissa acaba brigando com o namorado. Ficam uns dias sem se falar e quando ela decide procurá-lo, encontra um Paulinho atordoado por um acontecimento estranho em sua vida. Já Júnior havia desaparecido por completo. A alegação era que ele havia cometido um crime grave e fugiu para não ser preso.
Com a ida de Regina Brandão para sua segunda vida, Larissa passa a ser o foco da segunda parte do livro.

Triste com a morte de quem a criou - as pessoas na segunda vida viviam numa outra dimensão -, Larissa pede 1 ano de REFÚGIO.
Refúgio era uma espécie de sono, também conhecidos como GAVETÕES DO SOSSEGO, em que a pessoa assinalava quanto tempo queria dormir e se desligar de tudo. Em cada vida, a pessoa poderia pedir 1 refúgio. Durante o tempo no sono, a pessoa não envelhecia.

Ao acordar, Larissa descobre que Paulinho e Ciça, uma amiga sua extremamente vaidosa, mas com sérios problemas alimentares, já haviam ido para a univerdade. Ela, então, decide seguir com sua vida e vai para LaBeouf (a antiga cidade de Brasília). Descobre que Paulinho está muito bem, entre os alunos destaques, e namorando uma beldade chamada Luiza.
Larissa conhece o professor Leonardo Medeiros, de História, e este, depois, passa a namorar Lúcia, a amiga da avó de Larissa.
Ela fica sabendo que Leonardo, Lúcia e Cristiano, filho de Lúcia e um dos amigos de Larissa, fazem parte de um grupo especial. Este grupo sabe o segredo da morte - o que é proibido - e precisam mantê-lo a salvo a todo o custo. Além disso, graças ao dom que possuem, eles são os únicos que podem se comunicar com as pessoas que estão na segunda vida.

Na faculdade, Larissa conhece Vicente, um ator em ascensão. Eles têm uma filha, Vitória. Vicente estava bem na carreira quando, de repente, sua fama - e seus créditos de classificação (novidade neste novo mundo, em que as pessoas eram classificadas segundo suas aptidões, e poderiam receber os símbolos A para amador, ou P para profissional, junto à numeração de 1 a 5)  estavam baixando. Tendo a possibilidade de fazer uma grande papel num filme, mas que fora adiado por 10 anos, Vicente decide pedir refúgio durante esse tempo para não envelhecer. E com isso, o casamento deles termina de acabar...

Os anos passam e a menina Vitória não sabia o que havia acontecido com seu pai. Até que em seu aniversário de 11 anos ela força a mãe a contar. Este dia foi o primeiro e último que Larissa viu a sua filha chorar.
A figura paterna para Vitória passa a ser o pai de sua melhor amiga Isabel, Ricardo. Este, sempre presente e paciente com a filha, encanta Vitória.
Ela fica sabendo que Ricardo tinha uma quarto santuário em casa que ninguém podia entrar. Ali, ele mantinha acesa a memória de sua esposa, que por alguma razão havia pedido refúgio pelo resto da vida.
Ricardo também é muito bem sucedido em seu trabalho, recebendo pelo terceiro ano consecutivo o prêmio mais cobiçado entre os empresários de entretenimento.

Nessa ocasião, dois acontecimentos mexem com as pessoas daquela comunidade: primeiro, uma música que vira HIT. Pseudônimo Mr. Queen era uma novidade bem-vinda, mas na verdade, aquela letra já havia sido cantada para Larissa, no clube, quando ela tinha 17 anos, antes de sua vida mudar radicalmente com o término de seu namoro com Paulinho e a morte de sua avó.
Ninguém sabia quem era o cantor, mas um sucesso atrás do outro aparecia a público.

O segundo acontecimento é a descoberta do chamado TELETRANSPORTE. Este não era feito por uma máquina como nos filmes de ficção científica, mas sim quando as pessoas se acidentavam. O conhecimento do teletransporte era pequeno, mas após um acidente peculiar, sua ideia foi difundida.

O tempo passa e Ricardo, já com 69 anos, queria transformar Vitória em sua sucessora. Além de sua empresa de entretenimento, ele estava envolvido em projetos que poderiam mudar o rumo da humanidade; o antigo livre-arbítrio estaria de volta, e Vitória sentia-se insegura se deveria apoiar esta ideia que ia contra os novos princípios da humanidade. Ele dá a ela um tempo para pensar na proposta, mas ela recebe um mensagem da outra dimensão dizendo-lhe que deveria entrar naquele quarto santuário. Ali, ela encontraria todas as respostas...

A terceira fase do livro traz Vitória como principal protagonista, mas um pouco antes disso as pessoas da segunda vida já apareciam mais em capítulos focados nelas. As histórias correm em paralelo, e o segredo da morte finalmente é desvendado.




São 404 páginas de muitos nomes, muita informação para abstrair.

Começando, lembre-se de não se apegar a nenhum  personagem. Aqui é meio parecido com Guerra dos Tronos. Todo mundo chega nos seus 70 anos, passa para a outra vida, mas ao chegar aos 100 anos na segunda vida, tchau tchau. Acontecia no exato horário em que a pessoa havia nascido. As pessoas até faziam festa de despedida porque sabiam que era certeiro. Nada de velar defunto; simplesmente desaparecia.

A profecia maia aconteceu. Ok. Pessoas sobreviveram. Ok. Mas qual foi o critério de seleção de seja lá quem fez? Num primeiro momento, aquele grupo de São Paulo, depois com nome mudado para Alberto Pereira, descobriu que entre eles havia muitos médicos, em especial ginecologistas. Isso é porque nasceriam muitas crianças no futuro?
Se a humanidade não podia morrer e, consequentemente, não tinha mais doenças, para quê os médicos que sobreviveram?

Outra coisa, aquela confusão a princípio com os arquitetos e engenheiros. Foi provado que todo mundo deveria morar igual. O governo providenciava a moradia, a educação, alimentação e transporte. Mas mais à frente, criaram a questão da classificação. Os artistas passaram a ser valorizados por entreterem as pessoas, mas com o tempo, as outras categorias reclamaram e tiveram que classificar a todos.

"Tudo é vaidade debaixo do céu" - Eclesiastes (a Bíblia)

E ficou por isso mesmo??

"Desde o mundo anterior os homens sofriam de um excesso de autoestima descabido e despudorado. Uma autoestima tão vergonhosamente elevada que não tinham mais noção do bom senso. E o valor da vida, perdido em alguma esquina qualquer da corrida pelo sucesso, a famosa win win situation, e dane-se o resto. Pessoas simplesmente não se sentiam mais capazes de perder, de sofrer rejeições, nem mesmo de serem contrariadas. Baixa autoestima ou excesso dela" - pag 59

Esta era a situação da humanidade no que seriam os nossos dias, mas na nova vida, a humanidade parece não ter aprendido a lição. Ainda havia falcatruas, excessos, uns querendo ser mais do que outros.

Além disso, quem era o grande responsável pela escolha dos sobreviventes; pelo desaparecimento dos imóveis fora do padrão; pelo retorno das pessoas que sofriam acidentes e morriam antes da hora? O governo humano provinha as necessidades físicas, mas quem era responsável pelo lado sobrenatural?

O tal novo projeto de Ricardo, iria mexer com parte dessa nova estrutura. 
Não contar o que é na resenha torna-se importante porque ele é a mola mestra de todo o enredo. O segredo da morte.

Há muitos saltos no tempo, e apesar de autora volta e meia mencionar em que período a história se encontra, num piscar de olhos um personagem que estava na adolescência, pode já se encontrar quase na hora de partir da primeira vida. 
E no meio de tudo isso, há muitos detalhes importantes para que você entenda o rumo da humanidade.

Achei interessante a ideia de poder ir para uma segunda vida com sabedoria da primeira. A ideia é que você não cometa os mesmos erros do passado. Por outro lado, algumas pessoas mostram-se de caráter um tanto duvidoso. Isso quer dizer que elas também passam para a outra vida com a mesma personalidade e as mesmas ideias visando o bem próprio.

No final das contas, eu fiquei pensando que o mal da Terra é a própria humanidade, porque mesmo quando lhe é dada uma segunda chance, ela consegue transformar uma sociedade igualitária em uma de novas castas.
Leitura interessante, que ora te deixa perturbado(a), ora enojado(a) - pela humanidade -, ora esperançoso(a). Um livro para fazer pensar



4 estrelas

Sobre a autora



*Este livro faz parte de um BOOKTOUR itinerante, criado pela própria autora, entre blogueiros, para fazer seu livro ser conhecido. Após a leitura, o livro será encaminhado a um novo blogueiro. A autora entrou em contato comigo. Agradeço de coração a oportunidade e desejo todo o sucesso.

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