sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Elizabeth Blackwell - Enquanto Bela Dormia




Ficha técnica: Enquanto Bela Dormia (While Beauty Slept)
Autora: Elizabeth Blackwell
Editora Arqueiro
Lançamento original: 2014
Lançamento BR: janeiro/2016
368 páginas
POV: primeira pessoa - Elise
Gênero: Romance; Fantasia

Protagonistas: Elise e Rosa
Local/ano: St. Elsip; Herathion/medieval

"Nos salões de um castelo, uma confidente leal guardou por muitos anos os segredos de uma rainha linda e melancólica, uma princesa que só queria ser livre e uma mulher que sonhava com a coroa. Esta é sua história.

Ambientada em meio ao luxo e às agruras de um reino medieval, esta releitura de A Bela Adormecida consegue ser fiel ao clássico ao mesmo tempo que constrói uma narrativa recheada de elementos contemporâneos. Nessa mescla, os dramas de seus personagens – um casal infértil, uma jovem que não aceita viver em uma redoma e uma família despedaçada pela inveja – tornam-se atemporais. 

Quando a rainha Lenore não consegue engravidar, recorre aos supostos poderes mágicos da tia do rei, Millicent. Com sua ajuda, nasce Rosa, uma menina linda e saudável. No entanto, a alegria logo dá lugar às sombras: o rei expulsa de suas terras a tia arrogante, que então jura se vingar. Seu ódio se torna a maldição que ameaça a vida de Rosa. Assim, a menina cresce presa entre os muros do castelo, cercada dos cuidados dos pais e de Flora, a tia bondosa e dedicada do rei que encarna a fada boa do conto original. 

Mas quando todas as tentativas de proteger Rosa falham, é Elise, a dama de companhia e confidente da princesa, sua única chance de se manter viva. E é pelos olhos dessa narradora improvável que conhecemos todos os personagens, nos surpreendemos com o destino de cada um e descobrimos que, quando se guia pelo amor – a magia mais poderosa do mundo –, qualquer pessoa é capaz de criar o próprio final feliz."



Nascida pobre, pronta para acolher sua sina de se casar com algum camponês e ter um grande prole, Elise Tilleth viu seu futuro começar a ser moldado por sua mãe para que pelo menos sua filha tivesse mais sorte.
Desde cedo a mãe ensinhou-lhe a se comportar de forma diferente; e apesar de seu pai pensar diferente sobre isso, Elise aprendeu a ler e escrever.

Com o passar do tempo todo o esforço dá algum resultado, quando Elise vai trabalhar no castelo dos reis. E assim, ela presencia toda a mudança que ocorre no reino numa posição privilegiada, não só de expectadora, mas de profunda participante.

O rei Ranolf e a rainha Lenore viviam tempos tensos. O povo não estava satisfeito, reclamava. Os regentes precisavam ter um herdeiro. Nessa tentativa, a rainha, disposta a tudo por isso, pede ajuda à irmã do rei, Millicent.
Esta, como filha mais velha, se achava no direito de ter o trono para si, mas como mulher, não tinha como herdá-lo, tendo sido passado para o irmão.
Com o pedido da rainha, Millicent vê a oportunidade de ouro. Ajudaria os regentes e teria certo controle sobre a criança.

O rei acaba expulsando a irmã do reino, e no dia do batizado da princesa Rosa, Millicent lança uma maldição.
Flora se encarrega de proteger a princesa tendo Elise, então criada da rainha e de muito confiança, como ajudante.

Rosa é criada superprotegida, sem saber do perigo que a cercava.
Por esse trabalho, Elise abriu mão de muita coisa em sua vida, especialmente do amor.

Apesar do nascimento de Rosa, os problemas continuaram a surgir, e um particularmente foi devastador para o reino: a varíola.
A guerra trouxe a escassez e a doença, que dizimou o país. Os que não fugiram, acabaram pegando a doença.
Numa tentativa de impedir que isso acontecesse à princesa, ela foi levada a viver na Torre Norte, com Elise, com suprimentos para algumas semanas, sem contato com mais ninguém. Era imperativo que a herdeira do trono fosse salva.

Todos achavam que a doença fazia parte da maldição de Millicent. E esta, apesar de idosa, ainda vivia e se ninguém sobrevivesse, ela teria direito ao trono que sempre almejou.
Elise não poderia deixar que isso acontecesse, porque, de certa forma, isso a afetaria; afetaria àqueles da sua família real.

Mas teria mesmo um príncipe que enfrentaria o mal para resgatar a doce donzela?




Acho que como a grande maioria, a referência que se tem sobre a história de A Bela Adormecida vem com o filme da Disney, de 1959 (Meudels!!! Nem eu sabia que era tão velho!!!).

Claro que a gente sabe que este conto NÃO foi criado por Walt Disney, mas sim por Giambattista Basile, em 1634, e depois por Charles Perrault, em 1697, no livro "Contos da Mãe Ganso", sob o título "A Bela Adormecida do Bosque". Entretanto, a versão mais conhecida, e aquela de onde Disney se inspirou, veio dos Irmãos Grimm, de 1812.
Portanto, nada mais justo do que uma nova versão surgir.

Henry Meynell Rheam - quadro: Sleeping Beauty

Desta vez, a história não é contada pelo ponto de vista de uma fadinha; ou da Malévola, ou da própria princesa, mas sim de uma criada, Elise.

Elise acompanhou todo o desenrolar da história, por isso, anos à frente, quando sua bisneta Raimy, a preferida, ótima contadora de histórias, lhe pergunta sobre uma estranha e bela adaga que se encontrava escondida entre os pertences de sua bisavó, esta decide contar a verdade sobre a famosa Bela Adormecida.

Claro que a história real, contada por Elise, estava longe de todo aquele glamour cercado por magias, dragões e príncipes com beijos salvadores. Mas ainda havia o seu encanto.
Mas o encanto passou por tempos tenebrosos, cercado por fome, inveja, cobiça, doenças, guerra e mortes, muitas mortes.

Havia uma princesa, que se chamava Rosa, não Aurora, mas tinha como apelido, Bela. Mas não havia roca enfeitiçada.

Havia a tia boa, que se propusera a cuidar da princesa, mas não era fada.

Havia a tia má, com muito conhecimento, mas não era uma bruxa com poderes, apesar do que as pessoas temiam.

Havia um príncipe com beijo? Bom, isso houve, mas de uma maneira bem peculiar.

No fundo, tudo que acontece vem pela natureza, pela fatalidade, pela ambição humana; nada mágico.

Elise é uma personagem forte, sem dúvida, mas durante sua narrativa, muitas dúvidas são levantadas; muitos "e se", "deveria", "talvez se", e confesso, isso encheu um pouco o saco.

O ritmo da história é lento, e nos capítulos finais, tudo ocorre de forma rápida, meio novela da Globo. Mas há uma reviravolta bem interessante, que vale a pena a leitura (não vale ler o final antes. Você não irá entender o porquê da reviravolta interessante se o fizer).
Sem cliffhanger.


Há um final feliz? Bom, se não tem magia, tudo pode acontecer. E como a própria Elise diz...

"A verdade não é nenhum conto de fadas..."



Recomendação: a todas as idades, para quem gosta de novas versões de contos de fadas.
Reação: fiquei bastante entediada ao longo da leitura, apesar de ter gostado do final.

3,5 estrelas.


Sobre a autora




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