domingo, 28 de fevereiro de 2016

{{Curiosidades}} O Almack's



A partir deste mês, irei postar quiçá semanalmente, curiosidades sobre aspectos que acontecem nos Romances de Época/Históricos que tanto lemos.

Apesar desse gênero literário ainda ser considerado em nosso país como "de mulherzinha", a verdade é que, nas entrelinhas, há muita cultura a se extrair de suas páginas.
As grandes autoras internacionais, e agora algumas nacionais estão se aventurando por esse caminho, fazem uma extensa pesquisa caso não queiram ser apontadas como alguém que transmite uma ideia errônea a seus leitores.
É claro que há toda uma liberdade poética na escrita e alguns comportamentos são na realidade um reflexo da mulher atual em roupagem de época. É aquela velha expressão que usamos "ela era uma mulher à frente de seu tempo".

Mas quer o livro seja fidedigno aos fatos históricos ou mais romanceados, o fato é que há tantas informações a serem apontadas que decidi trazer para cá as postagens que já faço num grupo público no Facebook chamado Romances Históricos Brasil

Fique à vontade para segui-lo e participar de nossos debates sobre os muitos lançamentos e dos sorteios.

Mas vamos ao primeiro tema...

O BAILE ALMACK'S



Baile do Almack, de Robert e George Cruikshank, de 1821


Volta e meia lemos sobre os bailes  Almack's nos Romances de Época. Além de sabermos que lá não era servido bebida alcoólica, que a limonada era intragável e que cavalheiros com reputação duvidosa eram barrados de entrar, o que mais sabemos sobre esse famoso local de apresentação das debutantes?

O texto abaixo é bem interessante e informativo (é um pouquinho longo, mas vale a pena pra informação - tradução livre):



Os salões do Almack, nome do fundador William Almack, foram inaugurados em 13 de fevereiro de 1765, na King Street, St. James, em Londres.
Lá, por uma taxa de inscrição de 10 guinéus, os homens e mulheres elegantes de Londres poderiam ir a um baile semanal, às quartas-feiras à noite, com direito a jantar, durante os 3 meses que compunham a temporada social de Londres ("The Season").
A taxa de inscrição era certamente suficientemente baixa para aqueles que aspiravam ser considerados na Sociedade, mas havia outras considerações, além da financeira, para a admissão aos salões de baile.

Qualquer membro potencial teria de enfrentar as Patronesses do Almack, aquelas senhoras valentes cujo veredicto poderia fazer ou denegrir a posição social das aspirantes a debutantes com uma única palavra.

O Almack's funcionava como a porta de entrada para as debutantes da Sociedade. As jovens damas que iriam escolher entre os melhores solteiros de Londres para maridos potenciais foram nervosamente apresentadas à comissão de Almack para aceitação ou (que horror!!) rejeição.
Se uma debutante fosse autorizada a fazer sua "apresentação" no baile  Almack's, seus parceiros de dança eram escolhidos para ela por uma das senhoras da comissão.

As senhoras que governavam a regras no Almack eram as rainhas de fato da sociedade de Londres. Elas podiam, e faziam, arbitrariamente decidir a aceitação social de qualquer pessoa na admissão ao Almack (e, por extensão, em altos círculos da sociedade de Londres).
Elas não eram facilmente seduzidas pela posição social ou pelo dinheiro. O Duque de Wellington foi afastado uma vez das portas, porque foi duplamente culpado em descumprir as regras ao chegar atrasado em 7 minutos e usar calças em vez de calções.
Os membros da comissão se revezavam em ser a patronesse oficial do Almack. No auge do período Regencial, algumas das senhoras que atuavam como Patronesses foram Lady Castlereigh, Lady Cowper, Lady Sefton, a princesa Esterhazy, a condessa de Leiven, e Sarah, Lady Jersey.

Membros do Almack eram autorizados a trazer um convidado para os salões, mas só depois que o convidado, também, tivesse passado pelo escrutínio das Patronesses. Os membros tinham que trazer o convidado pessoalmente, para atender a Patronesse, que concedia um "Ticket ao Desconhecido", se ela aprovasse o convidado.

Os salões eram abertos para o jogo, ceia e dança que durava toda a noite. A Ceia era servida às 11 da noite, e nessa hora as portas eram fechadas em definitivo, como o duque de Wellington descobriu, para seu desgosto.


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