quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Veridiana Maenaka - Jardim de Espelhos


Ficha técnica: Jardim de Espelhos
Autora: Veridiana Maenaka
Editora Giz
Lançamento: 2014
348 páginas
POV: terceira pessoa
Gênero: Romance de época; Chick Lit; Drama; Nacional

Protagonistas: Maria Cristina; André Toledo; Guilherme Toledo; Eduardo; Matilde; Henrieta; Ivone; Clarisse.
Local/ano: Vale do Paraíba; SP; RJ/1880; 1903

"São Paulo, 1880
Cristina nasceu de um relacionamento proibido entre dois jovens da alta sociedade, por isso é rejeitada e entregue, ainda bebê, a uma mulher humilde. Ignorante de sua origem, cresce como serviçal na fazenda Redenção. Apesar da diferença social, ela e André, filho do dono da propriedade, tornam-se companheiros de folguedos e, na adolescência, namorados. Mas esse amor custa caro a Cristina, e ela cai em desgraça. Quem a salva do desamparo é Olívia, reconhecida alcoviteira, que a transforma numa mulher cobiçada e elegante, uma acompanhante de alto luxo.
Na solidão dessa vida a um só tempo glamourosa e degradante, Cristina reencontra André, o amor de infância. Obcecada por reconquistá-lo e retornar triunfante à fazenda Redenção, a moça precisará da ajuda do detestável – e atraente – Eduardo. 
Paixões, intrigas e sensualidade num envolvente romance de época."


Grávida, solteira, Henrieta se muda para uma cidade no interior para esconder os meses da desonra. Sua mãe, Ivone, ficara viúva e muito bem de vida quando Henrieta ainda tinha 8 anos, e fizera todas as vontades da filha, até que esta envolveu-se com Diogo, rapaz de boa família mas que era irresponsável, boêmio e famoso por desviar donzelas.
Arranjaram uma criada que morava na região, Matilde. Ela era casada, sem filhos, e o marido, Gilberto, carpinteiro, preferia viver fingindo que trabalhava.
Matilde mesmo sabendo que não tinha vocação para ser mãe, acaba por aceitar ficar com a criança, em troca de uma generosa quantia que lhe permitiu comprar uma casa e montar uma oficina para o marido, além de guardar algum para uma emergência.

A criança nasceu uma menina. Linda, loura, que Ivone não deixou que a filha se apegasse e deu logo um jeito de mandá-la partir.
Depois que se livraram do "problema", Ivone e Henrieta partiram para uma temporada em Portugal, onde arranjaria um casamento para a filha e, assim, calaria qualquer possibilidade de fofoca.
Henrieta casou-se com Jorge, de boa família, rico, e tiveram uma filha, Beatriz, dos cabelos negros...

Enquanto isso, o bebê doado pela avó foi batizado de Maria Cristina.
Matilde foi trabalhar na casa dos Toledo como ajudante de cozinha. Tempos depois, ela assumiu o cargo. Cristina ia crescendo e já ajudava a "mãe" no serviço, mas o que ela gostava mesmo era do tempo que passava na companhia de André.

André Toledo era o segundo filho do casal Clarisse e Geraldo. Nascera um mês após Cristina e na infância tornaram-se grandes amigos. Chegando na adolescência, a amizade inseparável acaba por tornar-se numa paixão.

O filho mais velho, Guilherme, muito sério e nunca foi de dar muito caso para Cristina, casa-se com a filha do vizinho, Noêmia, e esta, notando que Cristina logo tornaria-se uma bela mulher e, com isso , uma possível ameaça a seu marido, trama dar um jeito de livrar-se da garota.
Para isso ela alerta o marido do perigo da amizade entre André e Cristina. Guilherme, depois de ter dado ouvidos à esposa, flagra o jovem casal num lago próximo, na propriedade, e alerta a mãe. As mães dos jovens preocupadas com o que poderia vir a acontecer (eles ainda tinham 15 anos) resolvem separá-los.
Cristina é levada para ficar com seu "pai". André fica desolado, mas seu irmão, com o intuito de fazê-lo esquecer da mocinha, o leva a conhecer os prazeres da "carne" apresentando-o a Rita, uma prostituta mais velha na cidade.

No pouco tempo em que ficou em casa sozinha com Gilberto, cuidando da casa, Cristina recebe mais um duro golpe em sua biografia. Não bastava ter sido enxotada da fazenda que conhecia mais como sua casa do que como casa da patroa, agora, ela recebe uma proposta inusitada do pai. E fica sabendo que ele não era seu pai.
Cristina conta a André o que ficara sabendo e dá como sugestão que eles se casassem. Ela já havia se entregado a ele em seu aniversário de 16 anos; na cabeça dela não havia mais nada que os impedisse de ficar juntos... A não ser o próprio André.
Alegando que ainda eram muito jovens e que os pais não autorizariam, André recusa o plano dela.
Cristina, então, decide tomar conta de seu próprio destino.
Dá um jeito de arrancar a verdade sobre quem era sua mãe e segue a São Paulo para conhecê-la.

Mas mal havia saído da cidade, ela é alcançada por Guilherme e um de seus empregados, Raul. Clarisse, apesar de não querer o envolvimento do filho com a moça, preocupava-se, e pediu ao filho mais velho para ir buscá-la.
Guilherme vai, a contragosto de Noêmia, e percebe que Cristina estava decidida em ir. Melhor, então, seria se ele a escoltasse e tivesse certeza que chegou bem.
Vão a São Paulo e ele fica sabendo da história da mãe dela, que, por acaso, era uma parenta distante de sua mãe. 
Cristina encontra primeiro a avó, que a trata com desprezo e tenta expulsá-la da casa, mas a moça dá um jeito da mãe aparecer.
Henrieta fica emocionada em reencontrar a filha. Ela quer manter contato com a filha, e até ajudá-la financeiramente, mas de uma maneira distante, sem que saibam de seu parentesco e nunca juntas na frente de outras pessoas.
Cristina logo vislumbra o quadro: ser novamente desprezada pela mãe pelas artimanhas da avó. Ela prefere, então, seguir seu próprio caminho, sem o auxílio delas. Dá as costas e parte.

Na pensão em que estava hospedada com Guilherme, ela consegue o trabalho de arrumadeira.
A esposa do dono da pensão, Leonor, não gosta muito da ideia por Cristina ser bonita demais e chamar atenção dos hóspedes, mas Antônio sente um carinho paternal pela moça e dá-lhe o trabalho.
Guilherme volta para a fazenda Rendenção com a consciência limpa por tê-la ajudado.

Os meses passam e Leonor cada vez mais encrenca com Cristina, até que Antônio não aguenta mais e a dispensa.
Sem ter para onde ir, Cristina acaba aceitando uma oferta de trabalho que não queria, mas era a única ao alcance: ser uma prostituta de alto luxo.

Cristina é contratada por Olívia Durão, uma mulher que ainda mostrava sinais da beleza que fora. 
Cristina era linda, mas chucra; foi-lhe ensinado a se comportar, a como comer, andar, falar, a não aceitar joias como pagamento, mas apenas como presente posterior. Seu primeiro cliente era um velho amigo de Olívia, Vítor, que também era um amante hábil e logo ensinou a Cristina tudo que um homem gosta na cama.
Cristina se dá muito bem no trabalho.
Sua mãe e avó biológicas sabiam de seu novo trabalho porque um dia a encontraram às compras acompanhada por Olívia, que era famosa na cidade.

Cristina torna-se amiga de Olívia. Seu trabalho com ela durara um ano e meio, época em que Olívia gostava de fazer rotatividade para ter sempre novidades junto aos clientes. Cristina passa a trabalhar por conta própria, com algumas indicações de sua amiga. Ela conhece a história do passado de Olívia, da vez em que apaixonou-se e acabou tendo um fruto desse relacionamento, para ver o filho lhe ser tomado.
E é este filho, Eduardo, que Cristina conhece anos depois.

A primeira impressão de Cristina não poderia ser pior. Mesmo antes de conhecê-lo, ela já o execrava pelo que tinha feito à amiga, mas ela não poderia negar que o desgraçado era lindo e tinha presença.
Na ocasião ela estava com um parceiro fixo, Lemos, um homem de seus 50 anos, sócio da empresa de Francisco, pai de Eduardo, com a amante Olívia. 
Eduardo ficou encantado com Cristina e apesar de dizer que nunca pagara a uma mulher para que se deitasse com ele, também não condenou o trabalho dela, mas prometeu que eles ainda ficariam juntos.

Cristina não queria relacionamento com ninguém, a não ser com seu André.
Este também estava no RJ, terminando a faculdade de Direito.
Quando se reencontraram, a magia parecia estar ali, de volta.
Cristina queria ter uma nova oportunidade com ele. Voltaram a ser amantes, mas André ainda encontrava desculpas para postergar o casamento.

Quando sente que poderia perdê-lo de vez para ninguém menos do que sua meia-irmã Beatriz, Cristina planeja algo ousado. E para isso ela precisava da ajuda de Eduardo, e o golpe final seria dado na mesma fazenda de onde ela fora mandada embora, na presença de todas as pessoas que ela conheceu de criança, revolvendo o passado e revelando segredos que muitos prefeririam deixar bem enterrados... Mas a voz do destino tirou uma carta da manga bem diferente do que todos queriam...




Uma heroína guerreira.
Santa? Longe disso. Cristina soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe deu.
Seus pais vieram de boas famílias, mas cada um, à sua maneira, deu-lhes as costas.
Criada por uma mulher sem qualquer tino maternal, ela tinha a beleza com seu ar angelical para cativar as pessoas numa primeira impressão, e depois, sua inteligência para mantê-las.

Sua paixão por André apesar de tão nova, era genuína, e ela recebe seu primeiro golpe ao ver que ele não pensava da mesma forma que ela.
Conquistou seu caminho a duras penas. Tornou-se prostituta de alto luxo, mas ainda uma prostituta, sabendo que era apontada na rua quando ia às compras.
Seus clientes eram homens em sua maioria casados, mas com posses, e além do alto preço que pagavam por ela, ainda lhe davam joias de presentes, que elas as guardou visando sua aposentadoria anos à frente.
Pensou que sua paixão por André houvesse acabado, mas ao reencontrá-lo por acaso, e ver a mesma chama nos olhos dele, decidiu que o teria para si, definitivamente.
Mas André, e a mãe Clarisse, tinham outros planos, assim como Ivone.
Beatriz era a eleita para André.
E seria cômico se não fosse tão real que o destino colocasse como possível esposa do homem que amava a outra filha de sua mãe.

Beatriz e Cristina não poderiam ser mais opostas, na aparência e atitudes.
E aquela reunião na Fazenda Redenção mudaria a vida de todos.
Os dados estão na mesa; as apostas são altas; e vence quem souber blefar melhor...

Mais um romance de época ambientado no Brasil de forma perfeita.
A autora não se perde em detalhes sobre o ambiente, mas seus personagens trazem o peso das regras rígidas de uma época.
Aqui, todos os personagens deixam que suas máscaras caiam. Há falsidades, preconceitos, mas também há quem ame e ajude. Os dois lados de cada um, anjo e demônio.
Mesmo gostando de finais felizes, Veridiana procura sempre dar uma reviravolta em relação à certeza de como cada um ficará, e acredite, aqui tem umas enoooormes.

O ritmo às vezes mostrou-se um tanto ligeiro, mas nada que comprometa a narrativa.
Os personagens são complexos. De todos eles, achei Eduardo e Guilherme os mais verdadeiros. Eles mostram desde o início o que pensam e agem como tal, assumindo suas opiniões e seus defeitos.
Há alguns bons vilões para você odiar aqui, sinta-se à vontade.
Sem cliffhanger.

Reação: comecei a ler com grande expectativa já que havia amadorado o outro livro da autora. E não me decepcionei.
Recomendação: total.

É o segundo livro desta autora que leio e fico feliz em dizer que ela é realmente muito boa.

Leia também dela >> Onde o Amor se Esconde, editora Verus >> resenha



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