segunda-feira, 20 de junho de 2016

Julia Quinn - A Caminho do Altar (Os Bridgertons #8)



Ficha técnica: A Caminho do Altar (On the way to the Wedding)
Autora: Julia Quinn
Editora Arqueiro
Lançamento original: 2006
Lançamento BR: maio/2016
320 páginas
POV: terceira pessoa
Gênero: Romance de época; Chick Lit

Protagonistas: Gregory Bridgerton e Lucinda "Lucy" Abernathy
Local/ano: Kent; Londres/1827

"Ao contrário da maioria de seus amigos, Gregory Bridgerton sempre acreditou no amor. Não podia ser diferente: seus pais se adoravam e seus sete irmãos se casaram apaixonados. Por isso, o jovem tem certeza de que também encontrará a mulher que foi feita para ele e que a reconhecerá assim que a vir. E é exatamente isso que acontece.

O problema é que Hermione Watson está encantada por outro homem e não lhe dá a menor atenção. Para sorte de Gregory, porém, Lucinda Abernathy considera o pretendente da melhor amiga um péssimo partido e se oferece para ajudar o romântico Bridgerton a conquistá-la.

Mas tudo começa a mudar quando quem se apaixona por ele é Lucy, que já foi prometida pelo tio a um homem que mal conhece. Agora, será que Gregory perceberá a tempo que ela, com seu humor inteligente e seu sorriso luminoso, é a mulher ideal para ele?"



Último livro da série Os Bridgertons


Vindo de uma família que valorizava o casamento por amor, Gregory tinha certeza que o seu ocorreria da mesma forma.
Mas ele tinha uma forma um tanto o quanto mais romântica do que acontecera com seus sete irmãos.
Todos eles, de um jeito ou de outro, acabaram por casar por conta de alguma situação embaraçosa ou mal-entendido, mas no fundo o casal já estava invariavelmente apaixonado, só não queria admitir.
No caso de Gregory não. Ele saberia estar apaixonado, e o mesmo aconteceria com a dama em questão.

Por isso, quando ele chegou na casa oficial dos Bridgertons, aquela que seu irmão herdara junto com o título, para uma das festas oferecidas por sua cunhada Kate, ao visualizar aquela nuca, ele sabia que ela era a mulher da vida dele. A dama só precisava passar pela mesma sensação.

A questão era que Hermione Watson, aquela que deveria ser o amor da vida de Gregory, não pensava da mesma maneira. Isso porque ela já tinha uma outra paixão, o secretário de seu pai, o Sr. Edmonds, que não estava presente na festa.

Junto à Srta Watson havia a sua melhor amiga, Srta Lucinda Abernathy, ou Lucy, como os amigos a chamavam.

Lucy não tinha a beleza esfuziante de Hermione. Eram amigas há anos e Lucy estava acostumada a ver os homens comportarem-se como idiotas ante à beleza da amiga. Gregory Bridgerton, cunhado da anfitriã delas, era apenas mais um.
Entretanto, havia algo nele que deixava Lucy intrigada e isso a levou a querer ajudá-lo.

Gregory estava apaixonado por Hermione, mas a companhia de Lucy era interessante. Ela o fazia sorrir e rir; era espirituosa e mesmo não mostrando empolgação quando mencionava seu quase noivado, seu jeito era singular.

Outros cavalheiros da festa mostraram a mesma disposição em querer obter a atenção de Hermione, mas nenhum deles deixou Gregory mais irritado do que com a chegada do irmão de Lucy, Richard Abernath, o conde de Fennsworth.

Hermione não se mostrara afetada pela presença de Gregory - o que não era usual -, isso porque ela tinha esperanças com o Sr Edmonds. Mas aos poucos Gregory foi quebrando-lhe a casca. Porém, a chegada de Richard pôs tudo a perder.

Gregory havia perdido? Toda aquela sensação de arrebatamento ao vê-la à primeira vez havia sido em vão?
Talvez não, quando ele se dá conta de que estava apaixonado pela sensação de finalmente encontrar alguém e não pelo alguém em si. E é quando ele percebe que a pessoa certa para ele esteve todo o tempo ao lado dele e ele não havia notado. Só que agora era tarde demais...

Lucy estava de casamento marcado com Haselby, filho do conde de Davenport.
Mas o motivo desse casamento se realizar era baseado em tudo, menos em amor. E acontece que parte do segredo de Haselby, Gregory conhecia porque eles haviam estudado juntos tanto em Eton quanto na faculdade.
Gregory precisava tentar impedir esse casamento. Precisava abrir seu coração para Lucy. Se isso significasse entrada furtiva no quarto, tocaia sobre uma árvore, corridas pela cidade, ele o faria.
Ele era um Bridgerton; ele não desistiria, mas havia muito mais em jogo do que apenas títulos, dinheiro e honra...




Escrever sobre 8 irmãos tão diferentes é uma arte e Julia Quinn conseguiu isso com maestria.
Casais improváveis. Brigas, primeira péssima impressão, alguém que não quer casar.. Os motivos são sempre os mesmos a princípio, mas como tudo se desenrola acaba tornando-se a grande questão a cada um deles.

No caso de Gregory é interessante porque dentre os homens da família, ele era o caçula. Dificilmente herdaria o título - a essa altura seus irmãos já estavam casados e havia uma fila de sobrinhos na sua frente na sucessão ao título. Ele não tinha qualquer vocação ao clero e também não queria se inscrever para ir lutar em alguma guerra longe. Recebia uma mesada, mas como fazia questão de morar fora da casa da mãe, para gozar de alguma liberdade, boa parte de seu dinheiro ia para o aluguel. Ou seja, mesmo sendo um Bridgerton, ele não era um partido tão ambicionado assim pelas mães casadoiras.

Mas ele tinha certeza de uma coisa: ele se casaria por amor. E esse amor teria de ser aquele arrebatador. É exatamente isso que acontece com ele em relação a Hermione. Imagine, ele se apaixonou por ela ao olhar sua nuca!!!

Mas se teve alguma flecha de cupido ali, este era meio míope, porque o alvo era bem outro; era a melhor amiga de Hermione, Lucy.

Ele se via apaixonado por Hermione; Lucy sabia que sua suposta primeira temporada seria apenas proforme porque ela estava praticamente noiva de Lord Haselby.

A mudança de pensamento/sentimento de cada um vai se desenvolvimento à frente dos olhos do leitor, e não de forma instantânea como o próprio Gregory pensara.

Lucy sobre ele:

"Ele era diferente dos outros cavalheiros que conhecera. Ela não sabia bem como, a não ser que tinha algo a mais. Algo diferente, que  a fazia sentir uma pontada bem no fundo do peito.
E por um instante ela pensou que iria chorar."

Gregory sobre ela:

"Eram lábios comuns. Nada neles havia atraído a sua atenção antes. Mas ali, na biblioteca escura, sem nada no ar além do suave sussurro de suas vozes...
Ele se perguntou como seria beijá-la."

A mudança dada:

"A maneira como ele estava olhando para ela... O olhar de Gregory era sério, mas havia mais. Uma certa suavidade, um toque de ternura. E curiosidade. Como se... Como se ele não tivesse certeza do que estava vendo. Como se a estivesse vendo pela primeira vez."

Entre as confissões de sentimentos e o ficarem juntos, muita coisa - nada boa - acontece. Mas o mais enigmático de tudo é o COMO.

Creio que de todos os irmãos, Gregory foi o mais tenaz em sua busca pela pessoa amada.
Sim, os outros buscaram ficar com quem queriam, mas como dito, na maioria das vezes, à primeira vista, era mais por questão de redimir a honra da moça do que já pelo sentimento assumido.
Gregory não, ele luta bravamente, ele vai atrás de provas, ele ousa. E isso já nos faz ficar apaixonado pela paixão dele.

Lucy não é uma personagem fraca, como alguns podem pensar. Ela tinha fortes motivos para fazer o que fez, sempre lembrando-se que naquele tempo, as mulheres tinham nenhuma opção de escolha e eram usadas como moeda de troca.

O final é fofo - e engraçado.

O fim oficial da série é aqui, mas sabemos que anos depois, a autora escreveu um outro livro, onde conta a história da mãe deles e adicionou um segundo epílogo para cada um dos livros. Este será lançado pela editora Arqueiro em breve. Uma forma de matarmos as saudades dessa família que tanto nos cativou.







*Livro cedido pela editora, em parceria, em troca de uma resenha de opinião honesta.

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