domingo, 2 de outubro de 2016

Colleen Houck - O Coração da Esfinge (Deuses do Egito #2)




Ficha técnica: O Coração da Esfinge (Recreated)
Autora: Colleen Houck
Editora Arqueiro
Lançamento original: 2016
Lançamento BR: 2016
368 páginas
POV: prólogo > terceira pessoa; primeira pessoa - Lily
Gênero: Romance contemporâneo; Ficção; Young-adult; Fantasia

Protagonistas: Lily Young; Amon; Ahmose; Asten; Maat; Néftis; Osíris; Hórus; Tia; Ashleigh; Anúbis
Local/ano: NY; Spring Lake, Iowa; Sacara; Luxor; Mundo dos Mortos/atual

"Lily Young achou que viajar pelo mundo com um príncipe egípcio tinha sido sua maior aventura. Mas a grande jornada de sua vida ainda está para começar.

Depois que Amon e Lily se separaram de maneira trágica, ele se transportou para o mundo dos mortos – aquilo que os mortais chamam de inferno. Atormentado pela perda de seu grande e único amor, ele prefere viver em agonia a recorrer à energia vital dela mais uma vez.

Arrasada, Lily vai se refugiar na fazenda da avó. Mesmo em outra dimensão, ela ainda consegue sentir a dor de Amon, e nunca deixa de sonhar com o sofrimento infinito de seu amado. Isso porque, antes de partir, Amon deu uma coisa muito especial a ela: um amuleto que os conecta, mesmo em mundos opostos.

Com a ajuda do deus da mumificação, Lily vai descobrir que deve usar esse objeto para libertar o príncipe egípcio e salvar seus reinos da escuridão e do caos. Resta saber se ela estará pronta para fazer o que for preciso."




Continuação do livro O Despertar do Príncipe >> RESENHA



"De acordo com a religião egípcia, no julgamento dos mortos, Maat pesava as almas de todos que chegassem ao Salão de Julgamento subterrâneo com a pena da verdade. Colocava a pluma na balança, e no prato oposto o coração do falecido. Se os pratos ficassem em equilíbrio, o morto podia festejar com as divindades e os espíritos dos mortos. Entretanto, se o coração fosse mais pesado, ele era devolvido para Ammit para ser devorado."

Amon teria de voltar à sua missão. Apaixonou-se pela mortal Lily mas não poderia ficar com ela.
Entretanto, num gesto ousado, ele decide dar a ela, antes de partir, um escaravelho. Este escaravelho continha o coração dele.
Quando ele volta ao mundo dos mortos, por ter mantido uma conexão com uma mortal, Maat exige que ele seja julgado e tenha o seu coração pesado. É aí que começam os problemas de Amon...

"A pior parte de vaguear pelo mundo dos mortos não era o ataque interminável de monstros ou os perigos que o ameaçavam com uma segunda morte, dessa vez permanente. Não era a separação dos irmãos, companheiros constantes por milhares de anos...
Não. A pior parte era também a melhor.
Ele podia senti-la."

O que Amon não pensou na ocasião de seu gesto apaixonado era que ao abrir mão de sua missão - e de seu coração -, ele desequilibrou o universo de tal maneira que daria chance de Seth retornar e destruir tudo que existia.

Por isso, Lily é acordada no meio da noite por ninguém menos do que Anúbis - muito bem vestido, parecendo um modelo da GQ Magazine - com o propósito de ela encontrar Amon. O escaravelho que ela possuía fazia-a ser a pessoa ideal para encontrá-lo. Ele estava perdido no Mundo dos Mortos.

"O coração não é um mero órgão. É o lugar onde a memória e a inteligência ficam armazenadas. Guarda o que é mais sagrado: o verdadeiro nome de seu dono."



Lily aceita a missão de resgatar o seu amado, mas como uma pessoa viva, trafegar o Mundo dos Mortos seria impossível. Para isso, ela precisaria de ajuda. A começar pelo grão-vizir, o guardião dos 3 irmãos, Dr. Oscar Hassan. Depois, de ajuda sobrenatural. E a melhor forma para ela empreender esta viagem seria na forma de uma esfinge.



"As Esfinges gregas eram desenhadas com asas e barba. Este último detalhe não era para disfarçar ou enganar, mas como um sinal de poder."

Para tal magia, eles teriam de recorrer a um antigo feitiço criado por Ísis para salvar uma criada querida.
Lily teria de se unir a uma leoa. Mas, como todo feitiço egípcio, nada é garantido. Ao se submeter à prova, a pessoa deve ser considerada digna de tal honraria.
Assim, Lily se une a Tiaret (ou Tia).

Amon, ainda em contato com Lily através dos sonhos, recusa a ajuda dela, sabendo dos perigos que ela teria de enfrentar. Mas ela segue adiante.
Lily é transportada na barca celestial; viaja nas costas do garanhão dourado Neru; enfrenta Sirenas (malignas parentes distantes das sereias).

Encontra os Guardiões: o Sonhador e o Desbravador. Estes, velhos amigos, vão ajudá-la a encontrar Amon, o Revelador.

Mas depois de tantos percalços, ainda teriam o teste final: vencer a Devoradora. Esta tinha motivos muito piores para querer manter Amon preso às garras dela.
Apenas uma profecia poderia vencer a Devoradora: se a Libertadora aparecesse - profecia antiga sobre o Caos.

Muitas vezes lidando com poderes que não compreendia, apenas uma coisa mantinha Lily no foco: saber que Amon estaria livre daquele jugo, que a terra não seria destruída e que o amor os manteria conectados para sempre.

Amon-Rá (espírito dos 4 elementos)



Na segunda parte da série, a autora leva o leitor a passear por caminhos antes nunca trilhados por mortais: o mundo dos mortos.
A cada nova etapa, Lily precisa aprender como os deuses se comportam (e como são terrivelmente orgulhosos em suas posições!).
O amor compartilhado entre ela e Amon é único. Temendo perdê-la, Amon não quer que ela vá resgatá-lo, mas acaba sendo convencido por Tia, que o sacrifício de Lily vale a pena.
Mas mais do que charadas respondidas, Lily precisa enfrentar traições de onde não esperava, e isso pode colocar a perder todo o seu esforço.

Este livro já termina num cliffhanger, num momento delicado da história. Parte de sua missão é cumprida, mas as consequências foram além do que se poderia suportar.
O ritmo é moderado (muitas explicações importantes).
Os personagens em sua maioria fazem parte do panteão dos deuses e lendas egípcios.
No final, a autora nos brinda com uma lenda que, entre outras coisas, explica por que o leão é considerado o rei entre os animais e por que um humano não pode ver um unicórnio.

4,5 estrelas.

a autora em visita ao Brasil, na bienal 2015


*Livro cedido pela editora, em parceria, em troca de uma resenha de opinião honesta.



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