quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Lisa Kleypas - A Redenção (The Travis Family #2)



Ficha técnica: A Redenção (Blue-Eyed Devil)
Autora: Lisa Kleypas
Editora Gutenberg
Lançamento original: 2008
Lançamento BR: 2016
256 páginas
20 capítulos + epílogo
POV:  primeira pessoa - Haven
Gênero: Romance contemporâneo; Chick Lit; Drama

Protagonistas: Haven Marie Travis e Hardy Cates
Local/ano: Houston; Dallas, TX/atual

"Quando os destinos de duas pessoas marcadas pela violência se cruzam, é preciso escolher um caminho a seguir: o amor ou a dor.

Herdeira caçula de um verdadeiro império, Haven é uma mulher obstinada que vive de acordo com os próprios princípios e que não tem medo de bater de frentecom o pai, Churchill Travis, um dos homens mais ricos e respeitados do Texas. Mas ao cortar relações com ele para se casar com um homem que sua família desaprova, Haven vê sua vida se transformar num verdadeiro inferno... e não tem para quem pedir ajuda. 
Dois anos depois, Haven volta para casa, com a alma abatida e o coração fechado, determinada a econstruir sua vida sozinha. Mas Hardy Cates e seus irresistíveis olhos azuis cruzam seu caminho, e ele é a última pessoa que ela precisa encontrar. 

Hardy é o mais novo magnata da indústria petroleira de Houston, um homem de sangue quente que aprendeu desde muito cedo a não confiar em ninguém e que nunca mediu esforços para chegar aonde quer: ao topo! Em sua jornada alimentada pela ambição desmedida, ele conquista poder e inimigos, incluindo os homens da poderosa família Travis. O que ele não esperava era sentir suas defesas serem abaladas pela herdeira da família. 
Conseguirão duas pessoas que aprenderam da pior maneira que o amor pode ser o inimigo mais cruel deixar para trás todos os traumas e se permitir uma nova chance?"




Continuação da série > Livro #1 > resenha

Haven é a caçula da família Travis.
Seu pai, o grande empresário Churchill Travis, não tinha tempo para a família, mas tinha um ótimo faro para os negócios e para descobrir os aproveitadores. 
Quando Haven, na época da faculdade, apresenta seu novo namorado à família na ocasião do casamento de Gage e Liberty, o pai imediatamente rechaça o rapaz, dizendo com todas as letras à filha que ele só estava interessado no nome dela. E a avisa que se ela seguisse com o plano de ficar com Nick, ela seria excluída do testamento dele.

Mas tendo o sangue teimoso dos Travis nas veias, Haven decide levar esse relacionamento adiante, e conta com a ajuda de seu irmão Gage e Liberty que pagam o casamento do jovem casal no arquipélago da Florida.

Eles vão morar no Texas e o conto de fadas logo começa a desmoronar.
Nicholas Tanner, marido de Haven, se ressente pela família dela ter lhe virado as costas e cobra a ela por isso. As brigas e reclamações começam pelos motivos mais bobos: porque não podem ter um segundo carro; porque ela não sabia passar a roupa dele do jeito que ele gostava; porque ela cortou o cabelo. Até com o nome dela Nick passa a implicar e começa a chamá-la por seu segundo nome, Marie. Começa a exigir que ela pare de tomar as pílulas para terem um filho (porque assim, a família dela voltaria a falar com ela e dariam dinheiro). Quando a tia de Haven morre, irmã de seu pai, Nick não a deixa ir ao enterro alegando que tinha um evento na empresa dele e que era imprescindível que os funcionários levassem as famílias.

Alguém já percebeu o comportamento abusivo do maridinho dela?
Pois é, menos ela.
Até que chegou no ponto máximo, ele a violentou, espancou e a colocou à porta de casa, sem documentos, para que ela "pensasse no erro que havia cometido"...

É, meu povo.
Não basta ser um troglodita abusivo, ele ainda se faz de vítima porque a culpa é sempre da mulher que apanha. Se ele bateu nela? A culpa é dela que faz tudo errado...

Depois de tudo isso, sofrendo calada, Haven finalmente decide pedir ajuda. 
Do jeito que estava, machucada, descalça e sem documentos, ela anda até um orelhão e telefona para Gage.


Haven quer entrar com o divórcio, mas pela lei no Texas, o cônjuge tem que esperar 60 dias para "esfriar a cabeça". Enquanto isso, ela busca ajuda profissional.
A partir daí, ela precisaria refazer sua vida.
Seus outros irmãos, Joe, o fotógrafo, e Jack, dono de uma administradora de imóveis, a apoiam, e é na empresa de Jack que ela vai trabalhar.

Achando-se sem preparo para já começar num cargo alto - e também porque não queria se sentir como a protegida -, Haven aceita um cargo menor, mas daí aparece uma outra cruz na vida dela, sua chefe, Vanessa Flint.

Vanessa até era muito competente, mas com medo de perder o cargo para a irmãzinha do dono, age como duas caras, pegando no pé de Haven pelas costas dos outros funcionários e colocando-a para fazer serviços menores. E nada estava bom, nada era bem feito.

A vida de Haven passa a ser uma grande gangorra; ora uma notícia boa, ora uma ruim.
Ela se livra do ex-marido tirânico; reencontra um homem que havia balançado as estruturas dela no casamento de Liberty. Ela foge do marido e começa a trabalhar; encara uma chefe déspota. Ela volta às boas no relacionamento com seu pai; volta a desafiar a família quando se vê sempre esbarrando no que seria o arqui-inimigo dos Travis, Hardy Cates.



Lembra-se de Hardy?
Ele aparece a primeira vez no livro anterior. Era o vizinho de Liberty; aquele por quem ela foi apaixonada, mas ele queria uma vida melhor, por isso, deu as costas a ela e foi embora.
Hardy foi trabalhar em plataforma de petróleo. Fez fortuna ao montar uma empresa com outros amigos e era concorrente nos negócios dos Travis.
Apesar de Liberty ainda manter amizade com ele, os Travis não gostavam de tê-lo por perto, e quando ele se interessou em comprar o antigo apartamento de Gage e Liberty, e foi Haven quem apresentou como a corretora, ali começam os encontros que eles passariam a ter.

Hardy não esconde de Haven o interesse que tem por ela.
Ela também se mostra interessada, mas sempre que o clima esquentava, o trauma de Haven voltava e ela fugia dele. Hardy entendeu os sinais.
Já não bastava o trauma; uma chefe pegando no pé dela (agora com raiva porque Hardy mostrava interesse em Haven e não nela), Haven ainda tem de lidar com a volta do ex. 

Acontece um certo acidente num dia de tempestade e Haven acaba chamando Hardy para ajudá-la.
O jogo de gato e rato entre eles continua. Quando um avança, o outro recua.

A família Travis se sente grata por Hardy ter salvo Haven, mas ainda não confiam nele.
Hardy também tem seus demônios a enfrentar. Assuntos de família. E por causa disso, apesar de seu profundo interesse em Haven, ele recua totalmente. Mas ela toma isso como um desafio.
Mas antes de um final feliz, ainda havia a chefe tirana; o ex louco; um confronto, tiro e a revelação final.
Quando o destino une, ninguém pode separar...



Haven era uma rebelde sem causa? Talvez.
Vinda de uma família muito rica, com um pai ausente e uma mãe com ares de Barbie, uma mulher sofisticada que não permitia que a filha fizesse uma série de coisas.
Quando a mãe morre com Haven ainda adolescente, vem a culpa. Deveria ter sido uma filha melhor, e ela tenta fazer essa compensação.

Na busca por aprovação - e ser amada -, ela acaba se deixando enganar pelo namorado que, a princípio, sempre fez questão de ressaltar que gostava dela por ela, não pela família.

Já Hardy Cates, que no livro anterior nos faz ficar entre o amor e ódio em relação a ele, também tem seu momento de redenção.
O passado dele não foi nada bonito. Ele sempre foi trabalhador, cuidava da mãe e dos irmãos e conseguia ter uma situação financeira pior que a Liberty (na época em que moravam nos trailers).
Mas ele batalhou e venceu.
Hoje, muito rico, ele não tem o refinamento dos Travis. Tudo que aprendeu veio pela prática e o tino para os negócios.
Ao bater de frente com os Travis numa negociação, torna-se persona non grata e, por isso, quando o relacionamento dele com Haven cresce, não é aprovado.
Mesmo tendo seus demônios internos, Hardy mostrou mais consideração com ela do que o almofadinha do Nick.

O enredo é denso e tenso.
A autora fala sobre abuso, violência doméstica e Transtorno de Personalidade Narcisista. Fala sobre as escolhas feitas X a herança genética. Qual fala mais alto?

O ritmo é muito bom. Não senti a narrativa "enrolando" tanto quanto o livro anterior.
Este aqui me agradou bem mais.
Sem cliffhanger.


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