quarta-feira, 29 de março de 2017

Eloisa James - Quando a Bela Domou a Fera (Contos de Fadas #1)




Ficha técnica: Quando a Bela Domou a Fera (When Beauty Tamed the Beast)
Autora: Eloisa James
Editora Arqueiro
Lançamento original: 2011
Lançamento BR: 2017
320 páginas
35 capítulos + Epílogo
POV: terceira pessoa
Gênero: Romance de época; Chick Lit

Protagonistas: Linnet Berry Thrynne e Dr. Piers Yelverton, conde de Marchant
Local/ano: Londres; País de Gales; Llanddowrr; Llanddowll/indeterminado

"Piers Yelverton, o conde de Marchant, vive em um castelo no País de Gales, onde seu temperamento irascível acaba ferindo todos os que cruzam seu caminho. Além disso, segundo as más línguas, o defeito que ele tem na perna o deixou imune aos encantos de qualquer mulher.

Mas Linnet não é qualquer mulher. É uma das moças mais adoráveis que já circularam pelos salões de Londres. Seu charme e sua inteligência já fizeram com que até mesmo um príncipe caísse a seus pés. Após ver seu nome envolvido em um escândalo da realeza, ela definitivamente precisa de um marido e, ao conhecer Piers, prevê que ele se apaixonará perdidamente em apenas duas semanas.

No entanto, Linnet não faz ideia do perigo que seu coração corre. Afinal, o homem a quem ela o está entregando talvez nunca seja capaz de corresponder a seus sentimentos. Que preço ela estará disposta a pagar para domar o coração frio e selvagem do conde? E Piers, por sua vez, será capaz de abrir mão de suas convicções mais profundas pela mulher mais maravilhosa que já conheceu?"




Para começar...



Para a história fazer todo o sentido, saiba que o personagem principal foi inspirado nesse ator aí; mais especificamente na sua série DR. HOUSE. Portanto, acredite, Dr. Piers é capaz de fazer muita coisa louca.

Vamos à história:

Linnet é linda. Com certeza ela é a belle da temporada. Tão linda que nem mesmo o príncipe Augustus Frederick conseguiu ficar indiferente a ela. E como Linnet não era exatamente uma moça... digamos, pudica, ela se rendeu ao charme do príncipe.
Entretanto, uma informação deve ser dada: a única coisa que Linnet cedeu foram beijos.
O problema é que para a alta sociedade o que importa não é a verdade, mas o que ela acha ser verdade. Por isso, quando Linnet apareceu num baile com um modelo de vestido um tanto larguinho na cintura, a fofoca estava armada: ela estava grávida do príncipe.

Mas sabe o que foi a pá de cal nesse mal-entendido? É que num determinado evento, ela comeu um camarão que não lhe caiu bem e ela vomitou. Preciso explicar mais?

O pai de Linnet, Visconde Sundon, estava desesperado, com uma filha solteira GRÁVIDA do príncipe dentro de casa. 
É claro que o próprio pai dela acreditou nessa fofoca, afinal, a mãe de Linnet fora uma conhecida promíscua.

Lady Etheridge, conhecida como Zenobia, tia de Linnet e irmã da mãe dela, vai à casa do cunhado e os dois, que nunca se deram muito bem, põem-se a discutir sobre o futuro da moça.
Não importava que ela estava ali no recinto, sendo sumariamente ignorada, e muito menos que ela repetisse vezes sem conta que na realidade ela ainda era VIRGEM, eles continuavam falando como se fosse sine qua non o casamento dela.
Mas quem se casaria com ela nesse estado delicado?

É quando Zenobia se lembra do Duque de Windebank que todos sabiam estar desesperado à procura de uma noiva. Para o filho.
Segundo a má notícia - mais fofoca -, o pobre homem era impotente. Portanto, se ele arranjasse uma noiva já grávida (melhor ainda se a criança tivesse sangue real), seria o pacote completo e perfeito.

O pai de Linnet vai à casa do duque negociar o casamento da filha e o próprio duque diz ser o responsável em levá-la para o País de Gales, onde seu filho reside.

Piers Yelverton era médico e gostava de exercer a profissão. Mas ele não era um médico convencional que ia até seus pacientes. Estes eram trazidos até ele e, geralmente, quando já haviam tentado todas as possibilidades com outros médicos.
Ele, naquela ocasião, estava acompanhado de três outros médicos - Penders, Kibbles e Bitts - que ajudavam Piers a dar o diagnóstico dos pacientes. Não que eles acertassem, não que Piers não os chamasse de idiotas. Além desses médicos, havia o primo de Piers, Sébastien, Marquês Latour de l'Affite, francês de nascimento, por parte da família materna de Piers. Sébastien era um excelente cirurgião e isso Piers reconhecia.
O castelo no qual ele morava era enorme, dando possibilidade de ele dividir os doentes em alas, dos contagiosos e não-contagiosos.

Piers e seu pai não se falavam há anos.
Um tempo atrás, em carta, Piers comunicou a seu pai uma lista imensa de exigências do que queria ter numa esposa, lista esta que ele sabia ser impossível ser cumprida. Além disso, ele disse que havia se tornado impotente, logo, ele não daria herdeiros ao pai e o título pararia ali com ele.

Entretanto, o duque chegou no castelo com três carruagens e 8 cavalariços, trazendo Linnet a tiracolo. Grávida.

Duas coisas acontecem tão logo Piers bate os olhos em Linnet: primeiro, ele a acha deslumbrante; segundo, ele viu que ela usava uma barriga falsa e não estava grávida coisa nenhuma.

E assim começa o relacionamento estranho entre Linnet e Piers.
Ele não tinha papas na língua. Era direto, sarcástico, às vezes ofensivo, e muito mal-humorado. Linnet percebeu que não adiantava ter joguinhos com ele. O jeito era falar a verdade e surpreendê-lo. Sim, ela não era apenas um rostinho bonito.
Parte da culpa do mau humor dele se dava por conta da dor crônica que ele sentia na coxa. Para aliviá-la, ele costumava nadar logo cedo na praia, na água bem gelada, na piscina que se formava com a água do mar graças a um extenso buraco cavado na areia.

Os outros médicos ficam absolutamente encantados com Linnet, o que incomoda Piers. Ele até poderia não querer se casar com ela, mas ela estava ali para ser noiva dele, ora bolas!
E enquanto ela tenta mostrar a ele por que seria bom que eles se casassem, a história de vida de ambos vai sendo descortinada.

Revela-se sobre como a mãe dela foi; o relacionamento dos pais dele; como ele se acidentou e passou a precisar de uma bengala para toda vida.

Piers e Linnet passam a ter uma rotina juntos e a se conhecerem.
Ele levava chocolate quente para ela na cama todas as manhãs e a fazia levantar-se para ir nadar com ele, ensiná-la a nadar.



Piers poderia não ter a menor vontade de se casar com Linnet, mas ele não era cego. Estava atraído por ela e, já que ela tinha fama de ter sido desonrada e estar grávida, por que não aproveitar?
Os dois ficam cada vez mais íntimos e Linnet se dá conta estar apaixonada pelo médico.

Mas há uma epidemia de escarlatina, do tipo mais perigoso. O castelo é evacuado.
Os pais de Piers, que não queriam abandoná-lo, ficam hospedados na cabana na praia. Tirando os médicos, todos devem partir porque vários pacientes  infectados começam a chegar. Linnet é forçada a ir embora mesmo implorando a Piers para ficar, mesmo admitindo a ele que o amava.
Ela é colocada na carruagem do duque sozinha e parte.

Os dias passam e Piers, destemido, se nega a perder um só paciente.
A epidemia é controlada.
Um dos médicos, Bitts, também havia sido infectado.
Apenas no sétimo dia, Piers se lembra que um dia antes da epidemia se mostrar, Bitts e Linnet haviam dançado à noite. Ela partira antes que Bitts mostrasse sinal da doença. Isso significava que ela havia sido infectada também.
Desesperado, Piers decide ir atrás dela, apesar dos protestos dos outros dizendo que àquela altura, ela já estava em Londres e bem.
Não convencido, Piers tenta descobrir a trajetória que o cocheiro disse que faria. Ao chegar onde ela estava, era tarde demais. Linnet estava coberta de pústulas, ardendo em febre e entrou em coma.
A mulher que ele nunca havia aspirado ter estava partindo levando, consigo o que restava do coração do médico...



A autora foi maravilhosa ao dar ao personagem Piers uma personalidade tão marcante quanto a de House. Você consegue vê-lo fielmente nas páginas, nas respostas, em seus trejeitos, mesmo que sua descrição física seja um tanto diferente.
A heroína também, apesar de possuir uma beleza um tanto comum a esse tipo de livro, sendo a belle da temporada, tem uma personalidade que surpreende. Mesmo que a princípio ela tenha tentado enganar tanto o duque quanto o filho deste, logo ela vê que por esse caminho não iria chegar a lugar algum, e ela viu que Piers era um homem pelo qual se valia a pena lutar.
A partir do momento que a encenação da gravidez é descoberta, o pano cai e a luta de titãs se mostra interessante.
Linnet poderia ter jogado charme para os outros médicos que já se mostravam caídos por ela, mas ter Piers era um desafio que ela aceitou.

Quando ela é despachada do castelo dele, por conta da epidemia, apesar da boa intenção dele (não querer que ela adoecesse), a forma com que ele a expulsou foi forte. Dá vontade de dar uns tapas nele, para, mais adiante, você perdoá-lo ao saber pelo que ele passou.

Interessante o detalhamento que a autora dá no período da epidemia. É difícil ver uma autora de romance de época se dedicar a esse tipo de explicações. Dos livros da editora Arqueiro, acho que o único em que a autora detalhou um período sombrio em que os personagens passam foi LIGEIRAMENTE SEDUZIDOS, de Mary Balogh, no qual os personagens passam pelo período de cerco na guerra napoleônica (resenha aqui)

O período em que Piers cuida de Linnet, tentando salvá-la da morte, já que sua escarlatina havia chegado num estágio muito pior que a dos seus pacientes anteriores porque ela não foi tratada no momento certo, também é vívido e até comovente. E sua recuperação não foi nada romanticamente miraculosa.

Num momento em que passamos por um "revival" de tantos contos de fadas - em especial o tema A Bela e a Fera, por conta do lançamento do filme homônimo da Disney -, temos aqui uma fera, não marcada por cicatrizes aparentes, mas sim na alma e com um temperamento bestial, e uma bela na plena concepção da palavra, audaciosa, inteligente e corajosa, formando um par nada convencional e deliciando o leitor com uma leitura diferente do usual.

Prepare-se, porque a narrativa de Eloisa James é muito diferente das autoras até então lançadas. Ela diverte, educa e ainda faz sonhar.






*Gravura > RNC Models: Jimmy Thomas & Erika Photographer: Bruce Heinsius Graphic Artist: Teresa Spreckelmeyer RNC Art/Shoot Director: Jimmy Thomas

**LIVRO cedido pela editora, em parceria, em troca de uma resenha com opinião honesta

Um comentário:

  1. Adorei Vania, seus comentarios, suas impressões. Eu to muito curiosa pra ler esse livro, ja ta ta minha meta de leitura e na lista de proximas aquisições. Espero ter boas impressões tambem

    Ana Paula
    http://paixaoporleituras.blogspot.com.br/

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