quinta-feira, 6 de julho de 2017

Moira Bianchi - Preconceito, Orgulho & Café



Ficha técnica: Preconceito, Orgulho & Café
Autora: Moira Bianchi
Editora self
Lançamento: 2016
293 páginas
Capítulos divididos por datas
POV: terceira pessoa
Gênero: Romance contemporâneo; Chick Lit; New Adult

Protagonistas: Maria Antonia Marisguia e Luis Maurício Noronha
Local/ano: Araras; BH; Miami; RJ; SP; Europa/atual

"Se conheceram em um dia comum, nunca poderiam imaginar ter suas vidas alteradas naquela segunda-feira. Um encontro casual despretensioso e marcante como o primeiro gole de café quentinho logo de manhã. 
Tentador também... Depois de uma breve aula de degustação, ele fica caído; encantado tanto pela mulher charmosa quanto pela vital dose de cafeína. Ela resiste, mas a atração fala mais alto. 
Tubarões, golfinhos, um lobo mau, os belos olhos de uma bela mulher, saltos altos, gravatinhas e muitas reviravoltas na paixão avassaladora os unindo. 
E aguçando os paladares ... 
O Rio de Janeiro, no espaço de um ano mais ou menos, é cúmplice e testemunha desta inversão de Orgulho e Preconceito, o clássico de Jane Austen. 
Aqui, o charmoso Mr. Darcy (rebatizado de Luís Maurício Noronha) é de classe média e apesar de resistir, apaixona-se perdidamente quando conhece Elizabeth Bennet (chamada Maria Antonia Marisguia), uma linda princesa milionária da Zona Sul. "




Sabe aquela história de Orgulho & Preconceito, em que Mr Darcy é o ricaço que não se encanta tanto assim pela moça do interior (Lizzy), é cheio de preconceito mas acaba de quatro pela mesma mocinha que ele desdenhou? E por sua vez, Lizzy é a garota simples que até acha o cavalheiro simpático, mas logo fica encrespada - feito uma gata - porque o cara pisou no calo dela e ela, com seu orgulho, resolveu pagar na mesma moeda?

ESQUEÇA!

Aqui, o livro é tomado como base, mas tudo vem às avessas.



Maria Antonia, ou Toni, é rica e bem-sucedida em sua empresa com a família (a mãe e suas irmãs, Maria Luiza e Maria Catarina). Ricas do tipo, deu vontade de ir jantar na Argentina e vão. Nesse nível.

Numa bela tarde, Toni literalmente sofre uma topada com Henrique, um advogado que tem um novo escritório no mesmo prédio que uma amiga dela. 
Henrique fica todo serelepe achando que vai conseguir algo com ela, mas é com Maurício que o fio se desenrola.

Toni trabalha numa importadora e é expert em café. Fez até cursos de barista na Itália.
Quando ela e Maurício começam a sair, coisa sem compromisso, a moça sempre testa os homens com quem sai, e ela tem um jeito todo especial de avaliá-los: como comida.

Sim, você não entendeu errado.
Ela olha para a cara do sujeito e já o avalia se ele é do tipo isca de fígado ou bife de panela. Coisa de louco isso, Pior é que toda sua família entrou no esquema.

Maurício não era o rico na situação.
Ele era advogado e tudo que possuía até então era com muito suor. A princípio, ele acha que não vai ter cacife para manter uma mulher cara como Toni.
Mas além de sentir uma baita atração por ela - ela era mesmo uma mulher interessante -, Maurício torna-se o advogado que cuidaria do caso de um estelionatário, Saulo Torres. O caso era para representar um grupo de pessoas prejudicado por um homem, entre esses clientes estava um juiz, e só mais à frente Maurício fica sabendo de que forma este caso o aproxima mais de Toni.

Meio que sem querer, o romance dos dois deslancha.
Entre os muitos gastos de Toni (só numa tarde num salão de beleza, foram mais de mil reais, fora as viagens relâmpagos) e as muitas contas de planejamentos de gastos que Mau teria de fazer para acompanhá-la, o romance tem seus altos e baixos.

O casal se dá super bem, para, num outro momento, estar às turras. E com o desenvolvimento do relacionamento, um fica sabendo de particularidades do outro, que geralmente manteriam escondidos, que poderiam fazer o romance esfriar de vez, ou alavancar a níveis mais sérios.
Mas, assim como na história original, algo faz com que o casal não mais possa ficar junto.
E daí? Eles deixam com que a comida esfrie ou partem para mais uma rodada de guloseimas regada a muito café forte?



Vou ser bem sincera, sou chata com esse negócio de reescrever histórias famosas. Mas sempre que pego um livro de Moira, fico na expectativa. Ela consegue ter sempre uma nova visão de um clássico que já foi recontado de várias maneiras, seja em romance de época ou contemporâneo. Ela mesma é mestre em fazer isso (e tenho resenhas deles para provar o que digo:

Friendship of a Special Kind > resenha
45 Dias na Europa com Mr Darcy > resenha)

Aqui, numa versão ultra moderna, com uma "Lizzy" bem de vida, viajada, instruída, ela topa com um "Darcy" versão econômica, mas nem por isso menos machista em alguns quesitos.

A dinâmica familiar dos dois personagens é diferente e engraçada (porque na verdade, toda família tem seu lado engraçado). E esse fator de ela qualificar os homens por gosto alimentício é uma sacada muito legal.

Um livro para ler numa tarde, sem pretensão de aprofundamentos éticos e moral, mas com o claro intuito de divertir.
Sem cliffhanger. Stand alone.
Uma autora independente de qualidade e que merece ficar mais conhecida.

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