segunda-feira, 11 de junho de 2018

Julia Quinn et all - Nada Escapa a Lady Whistledown



Ficha técnica: Nada Escapa a Lady Whistledown (The Further Observations of Lady Whsitledown)
Autoras: Julia Quinn; Suzanne Enoch; Karen Hawkins e Mia Ryan
Editora Arqueiro
Lançamento original: 2003
Lançamento BR: 2018
320 páginas
4 histórias (com média de 7 capítulos cada)
POV: terceira pessoa
Gênero: Romance de Época; New Adult

Protagonistas: Lady Whistledown
Suzanne Enoch > Lady Anne Bishop e Maximilian Trent, Marquês de Halfurst
Karen Hawkins > Srta. Elizabeth Pritchard "Liza" e Sir Royce Pemberley
Mia Ryan > Lady Caroline Starling "Linney" e Terrance Greyson, Marquês de Darington
Julia Quinn > Srta. Susannah Ballister e David Mann-Formsby, Conde de Renmister
Local/ano: Londres/1814

"Em Nada Escapa a Lady Whistledown, a cronista eternizada por Julia Quinn continua a revelar os acontecimentos mais apimentados da temporada londrina. Suas colunas são o fio condutor das quatro histórias que formam esta encantadora e divertida coletânea.

Há tanto a ser dito sobre o baile oferecido por lady Trowbridge, em Hampstead, que esta autora não teria como contar tudo em só uma coluna...

Crônicas da sociedade de lady Whistledown, maio de 1813

Julia Quinn encanta...

A alta sociedade está em polvorosa, afinal a debutante mais promissora da temporada foi rejeitada por seu pretendente... apenas para ser conquistada em seguida pelo charmoso irmão mais velho do canalha que não a quis.

Suzanne Enoch fascina...

Um futuro noivo fica sabendo que o comportamento escandaloso de sua bela prometida foi parar na coluna de lady Whistledown e volta correndo para Londres com o intuito de ganhar o coração da moça de uma vez por todas.

Karen Hawkins seduz...

Um conhecido libertino tem sua amizade mais antiga e seu coração postos à prova quando uma adorável dama se encanta por outro cavalheiro.

Mia Ryan delicia...

Uma jovem é despejada da própria casa por um detestável – embora charmoso – marquês que pretende tomar posse não apenas do imóvel, mas também de sua antiga moradora."



Livro no mesmo estilo lançado anteriormente > resenha aqui

Mais uma história em que a famosa - e até então - misteriosa colunista de fofocas, Lady Whistledown, destila seu veneno e tenta formar os casais da Temporada.
O ano é 1814. As quatro histórias acontecem concomitantemente entre os meses de janeiro e fevereiro, num período em que o frio alcançou a tamanha capacidade de congelar o Tâmisa, o que o transformou num dos cenários de encontros dos pombinhos, enquanto patinavam em suas águas congeladas.



Desta vez, não há nenhum grande roubo a ser desvendado, mas há dois acontecimentos que cruzam todas as histórias: o frio excessivo (e o congelamento do Tâmisa - Acredite, este fato é muito importante) e a festa de São Valentim, de Lady Shelbourne, o equivalente nosso ao Dia dos Namorados.

UM AMOR VERDADEIRO, de Suzanne Enoch

Lady Anne Bishop foi prometida em casamento ao Marquês de Halfurst quando ainda tinha três dias de nascida.
Dezenove anos se passaram e o tal noivo nunca havia aparecido para conhecê-la ou sequer lhe mandou qualquer carta.
Reconhecidamente bela, Anne estava sendo muito cortejada, e, naquela ocasião, ela estava em dúvida quanto a três pretendentes: Sir Royce Pemberley; Sr. Splengi e Lorde Desmond Howard.

Mas todos esses teriam de "esperar no banco" porque, sem avisar, o noivo misterioso apareceu na cidade.

Trent vivia em Yorkshire.
Quando herdou o seu título, recebeu também um marquesado que logo ficou famoso por estar falido. Para conseguir levantar algum dinheiro e salvar as pessoas que dependiam dele a partir de então, ele passou a criar ovelhas.
Ele não gostava da futilidade de Londres, por isso, nunca teve qualquer vontade de ir à cidade. Ele sabia do compromisso de noivado e estava ciente da diferença de idade entre ele e sua "noiva".
No entanto, quando ele lê na coluna de uma certa senhora que sua noiva estava fazendo "anjinhos na neve" acompanhada de um cavalheiro que não ele, Trent percebeu que era hora de ir buscá-la.

Ao chegar à casa dela, sujo de lama e neve, com roupas bem cortadas mas totalmente fora de moda, e sem qualquer paciência, ele queria terminar logo com aquela obrigação e levá-la para Yorkshire.
Mas Anne entrou em pânico.
A começar, ela não conhecia seu futuro marido. Todos diziam que ele havia ficado falido, e o fato de usar roupas tão ultrapassadas só comprovava a lenda.
Depois, ela nunca havia saído de Londres. Yorkshire parecia ser do outro lado do mundo, e ela temia ir para lá, ser proibida de sair e viver em exílio.
Além disso, ainda que olhando bem, Trent não fosse um homem feio, Anne estava acostumada a ser cortejada pelos homens. E este seu noivo simplesmente chegou ditando ordens e querendo arrastá-la para o campo!

Se ele quisesse levar adiante aquele compromisso teria de cortejá-la.

Apesar de saber que os pais dela poderiam obrigá-la a ir com ele - ou a família dela entraria em desgraça por quebra de contrato -, Trent a achou bonita, geniosa (no bom sentido) e...refrescante.
Ele poderia dispor de algumas semanas fazendo o que ela queria para, no final, ele conseguir o que já fora acordado.

Naquele mesmo dia, ele a convida para ir ao teatro, mas ela sorrateiramente saiu antes que ele chegasse, indo na companhia de Howard.
Trent teve de esperar o 1° ato acabar para ir buscá-la no camarote de Howard. E Anne percebeu que, dessa vez, Trent estava vestido na última moda.

Ao longo dos dias, ele vai monopolizando-a, levando-a a passeios, e sempre despertando nela o interesse em conhecer Yorkshire, por falar de suas belezas e peculiaridades.

Na festa dos Morelands, a patinação no Tâmisa - em que havia mais convidados do sexo feminino do que masculino porque o casal tentava forçar as damas a prestarem atenção no filho deles, Donald Spence, há um acidente em que Trent acaba completamente ensopado. Culpa de Anne. Entretanto, no fim daquele dia, o destino deles poderia estar mais selado do que ela desejava.

A cada dia, Anne se via mais inclinada a escolher Trent, mas como ela poderia viver o resto de sua vida com alguém que ficaria com ela apenas por causa de seu dote?
E o prazo final que Trent dera, o baile de São Valentim, se aproximava, e Anne iria descobrir que algumas lendas podem dar a solução perfeita para quem quer viver em amor...

gravura James Griffin


DOIS CORAÇÕES, de Karen Hawkins

Nesta história, Sir Royce Pemberley, que fora um dos interessados em Lady Anne Bishop, se vê às voltas com a melhor amiga de sua irmã, Srta Elizabeth Pritchard.

Segundo a fofoqueira Lady W, Liza já havia passado, e muito, da época de casar. E o que era pior, estava atrás de Lorde Durham, que era mais novo do que ela.
Mas engana-se se pensa que ela queria casar-se por questões financeiras. Na verdade, a vida financeira de Liza ia muito bem, obrigada.

Seus pais morreram quando ela tinha 3 anos. Uma tia cuidou dela até que aquela morreu no ano em que Liza debutou.
Liza passou a ter um advogado como tutor, mas este, apesar de cuidar bem do dinheiro dela, não lhe dava atenção. Liza, então, decidiu que aprenderia a cuidar do próprio negócio.
Grudou no advogado para que ele lhe ensinasse tudo, convidou uma prima idosa para ir morar com ela, e, aos 25 anos, tomou posse da própria vida.

Entretando, o tempo ia passando, e Liza não queria terminar sua vida sozinha.
Como uma fã de listas, ela fez uma com pretendentes, e ao saber disso pela irmã, Lady Margaret Shelbourne, Royce achou a ideia absurda.
Ao mesmo tempo, isso fez com que ele começasse a prestar atenção nela.

Liza gostava de se vestir com cores extravagantes, que não combinavam entre si. Mas isso refletia a sua personalidade inquieta. Ela era bonita. Tinha uma ótima cabeça para os negócios, e, às vezes, ainda dava conselhos a Royce (a pedido dele) sobre as conquistas dele.

Tudo fica ainda pior - para Royce - quando Durham passa a mostrar publicamente estar interessado em Liza. Ele não precisava do dinheiro dela, ele era criador de vacas.

No teatro, Durham conversa com Royce sobre suas intenções com Liza. Vai dar um touro de presente de casamento a ela e, inclusive, pretende que vivam do dinheiro dele. O dela seria colocado num fundo fiduciário para os filhos que tiverem.
No dia da patinação, Royce não planejava ir, mas mudou de ideia ao saber que Durham levaria Liza. E para desespero de Royce, Durham patinava bem demais!
Para colocar mais pimenta nos olhos dele, quando Royce vai conversar com a irmã sobre esse pretenso noivado, a irmã apoia Liza e diz que vai ajudá-la a conquistar o criador de vacas.

No desespero, Royce arquiteta um plano para atrapalhar essa corte. E é na festa oferecida por sua irmã que seria o tudo ou nada...

gravura Jon Paul Ferrara


UMA DÚZIA DE BEIJOS, de Mia Ryan


Lady Caroline Starling e a mãe, Lady Georgiana Starling, se viram desalojadas de sua casa após a morte do genitor, o Marquês de Darington, sendo o título herdado por um primo de 4° grau.
Elas haviam recebido um bilhete do atual marquês exigindo que elas saíssem da casa em dois dias, pois, ele estava voltando para tomar o que era seu por direito.
Com isso, a fama do atual marquês não era nada lisonjeira.

Sabiam que ele havia ido à guerra e que, ao voltar ferido, levou um bom tempo para se recuperar, em sua propriedade em Surrey.

Caroline estava sendo cortejada por Ernest Wareing, Conde de Pellering, o que sempre a levava à risada, com a rima do nome dele.
Mas ultimamente, não era riso o que Ernest causava a ela, mas uma tremenda tristeza com o destino que lhe aguardava.
Por isso, ela não se aguentou e acabou aos prantos no teatro. Ela foi socorrida por um cavalheiro que lhe emprestou um lenço imaculadamente branco, lhe deu um lindo sorriso (com direito à covinha do lado direito do rosto), era lindo e estava muito bem vestido.

Ela o chamou de Lorde Deslumbrante.

Na manhã seguinte ao teatro, Carol descobre que seu 'cavaleiro errante' era ninguém menos do que o atual marquês, que as havia expulsado da casa.
Para piorar a situação, ele parecia ser um rufião, falando de modo atropelado, sem qualquer bons modos. Isso faz com que Carol o deixe sozinho na sala, saindo histérica.

Terrance Greyson, chamado de Dare, por outro lado, havia a considerado a mulher mais linda que já tinha visto, e estava decidido a casar com ela.
Seu melhor amigo, Ronald Stuart "Stu", achava Carol "sem graça", e que ela ia contra o requisito que Dare havia dado a ele para ajudá-lo a encontrar uma noiva: esta deveria "brilhar", para que tirasse o foco dele mesmo na Sociedade.

Dare convida-a à festa dos Morelands, mas ela rejeita dizendo que irá com lorde Pellering.
Lá, Dare fica possesso ao ver Carol ser ignorada pelo acompanhante, que preferia conversar sobre cães de caça, seu assunto preferido, com o anfitrião, enquanto Carol tinha que aturar a companhia de Donald Spence.
Dare vai resgatá-la, o que ela fica agradecida, mas, mais uma vez, a falta de traquejo social dele faz com que ela o dispense.

Apenas no baile de São Valentim, Caroline fica sabendo o que de fato aconteceu com Dare, a real extensão de seus ferimentos, e se dá conta de que ele poderia ser a resposta à sua busca de um casamento por amor.

gravura Alan Ayers


TRINTA E SEIS CARTÕES DE AMOR, de Julia Quinn

Em maio de 1813, Clive Mann-Formsby, irmão do Conde de Renmister, começou sua corte à Susannah Ballister.
Dançaram no baile de Lady Towbridge.
Eram vistos sempre juntos.
Em julho, Susannah já se imaginava usando um anel de noivado.
Em agosto, Clive pediu a Srta. Harriet Snowe em casamento.
Em setembro, Susannah se recolheu ao campo.
Em dezembro, Clive e Harriet se casaram.

Janeiro de 1814, e Susannah gostaria de não precisar estar no baile de Lady Worth e ter de encarar o feliz casal. E quando ela tenta se esconder na sala das senhoras, Penelope "Alguma Coisa" a aconselhou a não fazê-lo, pois, a quantidade de senhoras lá dentro poderia fazer com que Susannah realmente fosse o tema de conversa.
Tentando se esconder em outro lugar, Susannah acaba por esbarrar em David Mann-Formsby, o irmão mais velho de Clive.

David percebeu o mal-estar de Susannah, e não poderia condená-la por querer fugir dali.
A família dela não tinha títulos ou riqueza. Quando Clive anunciou o noivado, os convidados olharam para Susannah. Ela havia sido miseravelmente humilhada, e para David, saber que alguém de sua família fizera isso era inadmissível.
Para ajudá-la, ele a convida a dançar. Valsam. Mas, ainda assim, após a dança, ela sai do salão, e ele decide que quer conhecê-la melhor.

Ele parte após a valsa, enquanto que seu gesto faz com que outros homens voltem a se interessar por Susannah.

Os Shelbourne a convidam para o teatro, na verdade para compor o quadro de convidados do camarote. Para Susannah o motivo não importava. Ela estava feliz por ir ao teatro, e o camarote dos Shelbourne providencialmente era ao lado do de Renmister.
Eles sentam lado a lado, conversam, ele a faz rir, e ela percebe que ele era bem diferente não só de Clive, mas também da imagem que Clive sempre pintou de seu irmão mais velho, como um "velho enfadonho".

A partir do teatro, David tem certeza que Susannah seria uma condessa perfeita.

Ele a convida à festa no Tâmisa. Ela mente que não sabe patinar, mas ele insiste em levá-la e ensiná-la.
Susannah é derrubada por Annie, e David cai ao ajudá-la a se levantar. Ambos caem na gargalhada, o que chama atenção não só dos convidados, mas de Clive, que se aproxima de Susannah e joga charme.

O baile de São Valentim se aproximava.
Tanto David, quanto Susannah, se viam apaixonados, mas um não sabia do outro.
Agora, era uma questão de quem conseguiria ultrapassar a vergonha/medo/orgulho e confessar seus sentimentos.
Letitia, a irmã de Susannah, a aconselha a ir até o conde e se declarar; enquanto isso, David quebrava a cabeça tentando escrever um cartão de namorado digno dela. E dessa vez, o baile não precisou ser o palco de mais um felizes para sempre...

gravura Jon Paul Ferrara


E assim foram as 4 histórias.
Este livro foi o primeiro lançado com as quatro autoras, mas, no Brasil, foi lançado como segundo (no outro livro, as histórias se passam em 1816).
Encontros e desencontros entre uma frente-fria de rachar e um baile de namorados concorrido (afinal, Lady Shelbourne precisava superar sua arqui-inimiga Lady Prudhomme).

Ao longo da leitura, notamos os vários momentos em que os personagens/casais se esbarram, especialmente na festa no Tâmisa.
Das quatro, três delas têm suas resoluções durante ou imediatamente após o baile de São Valentim.

Mais uma vez é inegável o trabalho de maestria entre as quatro autoras, cruzando as histórias e tornando-as mais interessantes.
Porém, ressalto duas coisas que não me cairam bem:

A primeira, foi em relação ao nome Annie/Anne. Houve Anne Bishop; Annie, criada de Georgiana Starling e Anne Miniver, amante do conde. Não poderiam ter escolhido outro nome, ainda que Anne fosse um nome na moda naquela época?

Outra coisa, foi em relação ao fim de cada história. Excetuando a última, de Julia Quinn, as anteriores deram a impressão de que a resolução de cada romance se deu rápida demais, como se faltasse um capítulo entre o penúltimo e último. A de Quinn teve a velocidade correta.

Minha preferida foi a terceira, do marquês sem traquejo social.
Na realidade, você descobre que o problema dele era um pouquinho diverso de ser apenas um homem não polido às regras da Sociedade. E dá uma dor no coração nas cenas em que Dare conversa com Stu, e o leitor, do lado de cá, vê a real situação dele, coisa que Carol nem desconfia.
Mas as outras histórias também têm o seu quinhão de romance e cenas engraçadas.
E não podemos esquecer da coluna picante e deliciosa de Lady W, que dá o tempero e o empurrãozinho que os casais precisam para se encontrarem na terra encantada  dos enamorados.
4 estrelas

*LIVRO cedido pela editora, em parceria, em troca de resenha com opinião honesta. 




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